Por Paulo Paiva, editor do blog Acorda Meu Povo.
O Sul da Bahia tem história da longitude do Brasil, e guarda tesouros do patrimônio natural e cultural. Também sabemos que por detrás dessas belas paisagens, ainda existe miséria – baixíssimos índices de desenvolvimento humano, resultado da perseguição e abandono das comunidades nativas, concentração de riquezas, da crise do cacau e outros descaminhos.
Mesmo assim, esse é um lugar raro nos dias de hoje, e que tem a oportunidade de fazer a diferença, qualificando um modelo de desenvolvimento autêntico – social, cultural, econômico, ecológico, tecnológico, aprendendo com experiências negativas vivenciadas em outras regiões, evitando a repetição de erros, e as práticas de deixam um rastro de destruição e injustiças sociais.
Trata-se de um trecho muito especial da Mata Atlântica, diferente dos outros no litoral da costa atlântica, onde se tem comprovado recordes de biodiversidade, uma área tão atropizada, na boca do dragão, e ao mesmo tempo, onde ainda se tem encontrado dezenas de novas espécies vegetais e animais. É uma vocação de pouquíssimas regiões do planeta, uma vantagem comparativa para o sul da Bahia no século XXI.
Um olhar cuidadoso com essa região exige um planejamento de ocupação com base no ecossistema, mediante uma legislação ambiental diferenciada, específica, estadual e em cada um dos municípios do território. A matemática da conservação da biodiversidade regional nos orienta a exigir maiores compensações e contrapartidas de áreas florestais para todos os empreendimentos, e de uma ocupação planejada no nível do território, no contexto maior das bacias hidrográficas e corredores florestais.
O que esperamos é que o desenvolvimento seja responsável, e respeite os valores e identidade desse delicado sul da Bahia. Uma região que tem sua auto-estima, e que, ao tomar decisões estratégicas para o futuro, deve se valer de sua soberania, discernimento e inteligência para escolher o que convêm; o que convêm não só para o imediato, mas para a década, o século, o futuro, essa é o nosso dever coletivo.
Uma imagem vale mais que mil palavras, então ficam mais de 10.000 “Vale-reflexões” nas extraordinárias fotografias de Fábio Coppola, Castilho, José Nazal, Cid Povoas e Paulo Paiva.
Paulo Paiva é jornalista e ambientalista.













Respostas de 2
“Se uma imagem vale mais do que mil palavras, então diga isto com uma imagem.”
Millôr Fernandes
De passagem por Ilhéus, levei uns colegas para tomar água de coco numa barraca perto do Morro de Pernambuco. Por unanimidade, disseram que aquela é paisagem mais bonita de todo o mundo.