Por Fábio Feldmann
O cenário de “Gabriela, Cravo e Canela”, referência em turismo sustentável, está ameaçado pela construção de 2 portos, que vão trazer navios de grande porte
Às vésperas da Rio+20, o governo baiano propõe implantar no sul da Bahia um “projeto de desenvolvimento” com uma visão de progresso do século 20: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), com o objetivo de exportar commodities e minério de ferro através da construção de dois portos em Ilhéus.
O governo do Estado assume a responsabilidade pelo licenciamento ambiental dessa infraestrutura portuária perante o Ibama, ainda que um dos portos seja de uso privativo da Bamin (Bahia Mineração).
O minério de ferro basicamente será explorado por essa empresa em uma mina no município baiano de Caetité. Sua vida útil seria de quinze anos, e a sua implantação comprometeria 27 cavernas.
Vale lembrar que, pela sua importância, as cavernas são consideradas bens da União pela Constituição. Ela são ainda protegidas pela Constituição da Bahia.
Importa aqui chamar a atenção para a real vocação do sul da Bahia, ainda mais no ano de celebração dos 100 anos de Jorge Amado, o mais popular escritor brasileiro do século 20.
Todos sabem que seus livros são ambientados no sul da Bahia -o mais conhecido, “Gabriela, Cravo e Canela”, acontece em Ilhéus.
É importante lembrar também que a região é uma referência em turismo sustentável no Brasil. Isso se viabilizou graças aos investimentos públicos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento nos últimos anos.
A implantação do projeto coloca em risco toda essa economia geradora de postos de trabalho e renda para a população local.
Com relação ao projeto original de se implantar o terminal privativo na Ponta da Tulha, houve inegável avanço em se reconhecer que aquela localização comprometeria os frágeis atributos ecológicos lá existentes, especialmente os recifes de corais.
A Bahia é um dos poucos litorais no Atlântico Sul com ocorrência de corais, algo que foi assinalado por Charles Darwin em seu livro “The Structure and Distribution of Coral Reefs” (“A Estrutura e a Distribuição dos Recifes de Corais”).
A nova localização, Aritaguá, oferece graves riscos à região, com possibilidade de que as praias do litoral norte sofram sérios problemas de erosão. Isso, aliás, consta dos estudos ambientais, sem que uma resposta efetiva tenha sido dada.
Os navios de grande porte para o transporte de minérios podem provocar danos irreversíveis aos corais da região. Há ainda, obviamente, a incompatibilidade entre um destino turístico com características tão especiais com uma infraestrutura de exportação de minérios e com a eventual transformação daqueles municípios em um polo industrial.
Todos são a favor de que se encontre uma solução para os problemas do sul da Bahia. É preciso criar postos de trabalho, melhorar o IDH da região e, enfim, gerar oportunidades para a população lá residente.
Por outro lado, implantar uma economia na região às custas do patrimônio ecológico e cultural significa privilegiar uma visão estreita, de curtíssimo prazo, que está na contramão de uma economia verde sintonizada com os limites ecológicos da região e do planeta.
É a consagração do atraso em nome do progresso.
FABIO FELDMANN, 56, é ambientalista. Foi deputado federal por três mandatos e candidato a governador do Estado de São Paulo pelo PV.









Respostas de 6
Caro sr.
Fábio Feldmann
Nós ilheenses já aguardavamos criticas no gênero, só não tão cedo, pensavamos que seria durante a gravação da novela…Quem não sabe que o sr. é um agente dos investidores do Txai? Tivemos a oportunidade de conversar no lançamento da Investur no Txai na presença na época do Governador Wagner.Só que naquele período não se falava em Porto eo sr. estava animado em fomentar os investimentos em campos de golfe. Hoje sua propaganda é negativa em função dos seus interesses.O seu artigo e do tipo pronto..”usam o mesmo texto de forma repetitiva”, venha viver no Sul da Bahia e tire suas conclusões,mas não só apareça para curtir o Hotel do Txai e sua belas praias sem se preocupar com a sobrevivencia de cada pai de familia que aqui vive.A verdeira solução solução para os problemas do sul da Bahia é a falta de oportunidade que só pode vir através da transformação da nossa realidade. chega de colocar a esperança na mão da econômia do cacau e do turismo,estes já provaram que entra ano e sai ano e nada é resolvido, muito menos Jorge Amado que ficou famoso escrevendo as ficções regionais mas que nunca morou de fato por estas terras, aqui só fez nascer.E quanto ao Rio + 20, saiba que chega do Brasil abaixar a cabeça para estes ditadores verdes da ordem mundial que querem na verdade é que o Brasil viva eternamente no atraso. Do jeito que a coisa anda o país será todo uma só reserva sem espaço para produzir…este é o papel desta ONGs a serviço do países dominantes.
Sei não, parece pau mandado.
Prefere que seja la na terra dele, Ohhhhhhhhh Feldman, acorda.
Meu filho, volte pra caverna! Oh, senhor do atraso! Ilhéus não precisa de gente da sua estirpe. Já chega de gente que trabalha para a contínua desgraça de Ilhéus! Será que já não basta os sucessivos prefeitos fazendo bobagem e querendo voltar?!
Que Oxalá tenha compaixão, viu!
Muito estranha a colocação deste ambientalista. O que ele realmente quer???? Quais os reais interesses dele????
Os projetos de mineração, a FIOL e o Porto Sul são necessários para o crescimento do estado. A FIOL e o Porto irão propiciar o crescimento da agricultura irrigada, incentivada pela melhor estrutura logisitica. Esta mesma estrutura irá alavancar novos negocios em toda região de interferencia da FIOL.
A BAhia também tem o direito ao acesso as formas de geração de emprego, como é o caso dos investimentos na logistica de tranporte e na logistica portuaria. Ou será que somente o Rio de Janeiro e o Estado de São Paulo podem tê-los????
Queremos o POrto Sul! Temos direito de ter aqui o Porto Sul!
Eu tenho acompanhado alguns artigos e inclusive tenho um amigo ambientalista por ideologia, que me deu boas referencias do senhor Fabio Feldmann, não vou colocar em questão o seu conhecimento de causa, ele sabe muito. Porém fiquei perplexo, ao ler este artigo divulgado neste blog, porque o que fica claro é que da mente de uma das pessoas mais sábias, sair uma argumentação tão frágil, fica claro que o mesmo está sendo “incentivado” a falar contra o PORTO SUL. Falar de prejudicar o turismo! que turismo Feldmann? quando lhe encomendaram o serviço, te colocaram numa fria, não passaram as informações necessárias para você fazer seu trabalho, não te disseram por exemplo, que o turismo em Ilhéus acabou a mais de 20 anos!. Você fala que o PORTO SUL vai comprometer a sustentabilidade ambiental, vai prejudicar o emprego local!! faça-me um favor!!! Ilhéus é uma das Cidades Baianas, que mais sofre com desemprego, vivemos na esperança que realmente as coisas aconteçam, para termos o privilégio de criar nossos filhos nesta bela Cidade. Feldmann, você esqueceu de um detalhe, nos fornecer a receita prota que diz já ter, para resolver o problema de Ilhéus. Na próxima vez antes de aceitar uma proposta de escrever algo para prejudicar um Estado, peça mais informações sobre a região a qual deva falar, porque definitivamente você não sabe nada sobre minha Cidade. Fábio Feldmann, você tem um nome, não precisa usar deste espediênte.
Para melhorarmos o IDH na cidade de Ilhéus, ela precisa passar por um processo de oportunidade dando para os nossos filhos um futuro promissor e não tenho dúvida que o projeto do governo federal e estadual vê em Ilhéus não só pela beleza que o município representa no cenário nacional e internacional, deixa para os nossos filhos a certeza que esse empreendimento além de gerar muitos empregos é dado oportunidade para que os mesmos permanecem em sua terra natal sem ser necessário se deslocar para grandes centros como vem acontecendo. Sem sombra de dúvida diante da situação que Ilhéus está passando, em minha visão estou plenamente favorável a este mega empreendimento.