BLOG DO GUSMÃO

REBOLANDO PEDRAS

Por Jamal Padilha

Não transcorre tanto tempo de quando numa rodada de conversas entre amigos na Praia do Futuro-Fortaleza-CE, um dos convivas (cearense) já bem “cervejado”, me saiu com essa frase em defesa dum político da terrinha, criticado àquele momento: “Vocês ficam rebolando pedra no homem!”.

Confesso que um tanto constrangido pela ignorância da frase, ainda tentei diversas associações ilativas garimpando em busca do sentido figurativo do “rebolando pedras”… Fiquei “cafangando” (aqui é prosódia baiana) ate a hora em de ir tirar água do joelho; aquela relaxante mijada, quase um ritual naquele banheiro improvisado, todo molhado e fedorento naquela barraca de praia. Aproveitei a presença de cearenses que também drenavam a água dos joelhos e, sem maiores constrangimento nomeio daquele “chuvaréu” – (aqui é lá do Sul) – ruidoso de mijões; perguntei na tampa ao que estava mais próximo: Veí! O que significa rebolar pedra, na dialética cearense? E ele, já balançando o dreno; parou o balançar, olhou na minha direção e lascou: _ Dialé?… O que moço?

Aí completei rápido, repetindo a frase consultiva sem o “na dialética cearense” que surtiu resultado. Ele pensou um pouco e, já em tom etílico epistolar, lascou: _ “Rebolar pedra é falar mal das coisas; meter o pau nos outros; esculhambar por trás.” Ri muito e retornei à roda de amigos já me “achando” um especialista na fonologia, sintaxe e hermenêutica da fenomenologia linguística cearense!

Tomei mais um copo e, corajosamente arrisquei um tema para discussão ou “rebolação de pedras”, arrisquei: _ Pessoal! Parece que as mulheres pernambucanas tanto quanto as cearenses são oriundas da mesma etnologia genealógica: Nasceram sem bunda! Coisa que nós, homens, damos muita importância! Aí a Roda de Amigos se rompeu no raio cearense-pernambucano e prorrompeu degenerando em impropério impublicáveis e neologismos da caatinga. E eu que não sou besta, tive que sair às pressas sob uma saraivada de enormes “pedras reboladas” na minha presença. Choveram bandas de tijolos; paralelepípedos e pedras de meio fio. Eta povinho bairrista! Viva a Bahia!

De certa forma é assim que entendo as práticas de campanhas políticas em Ilhéus. Uma tediosa intifada; um apedrejamento ensandecido; uma “rebolação de pedras” e calhaus gigantescos capazes de esmagar elefantes, baleias sendo arremessados contra um minúsculo pardal, coitado. Pra que isso minha gente? Isso não vende nada; não convence ninguém; não promove nem dá brilho a atributos insipientes; não infla capacidades eletivas nem sequer enfeita manequins.

Comparar-se em superioridade tendo por referência contrária o falho; o ruim; o leniente moribundo e absenteísta; o lefo e desatento; é como medir forças com um defunto!

Eu sou mais lindo; sou mais trabalhador; sou mais culto; mais forte e mais sadio, tenho melhores planos e ideias que as dele; meus assessores só vestem caqui e andam de bicicletas! Claro que entendemos! Quem, em são consciência, poderia prometer trabalhar por um desempenho pior? Isto constitui uma “rebolação de pedras” retórica e desnecessária; uma empulhação, uma inchação de saco. Vamos separar o nutritivo e interessante do meramente volumoso e insipiente. Desancar o ex-prefeito com o apontamento de tarefas e deveres descumpridos; apontar erros e omissões, falhas gritantes, açular o apupo e recomendar o degredo do ex-governante e seu staff etc. não lhes trará vantagem nem agregara mérito algum. O que já é pior, só poderia evoluir para catastrófico, o que não é do caso em lide.

Sequer imaginamos essa possibilidade.

No marketing moderno, o contorno de objeções se faz sem desmerecer as supostas qualidades do produto ou serviço que está em vigência e uso, mas que desejamos destronar e substituir. Quando demonstramos que o “nosso produto” é melhor do que aquele que esta em uso por bom tempo; o fazemos com respeito e, ate reverenciando supostas qualidades benéficas ora superadas pela tecnologia mais moderna, que resultou num produto mais funcional e efetivamente mais eficiente, racional, vantajoso e sem os efeitos colaterais presentes em nosso concorrente, sobre o qual jamais mencionamos o nome de fantasia ou marca, mas tão somente a sua substância e suas características ora superadas. Ao criticar um produto ou serviço de forma direta, sem fazer uso amaciante de eufemismos convenientes e dissimulações cordiais; nós incorremos grosseira e incivilizadamente ofensivos ao apontar como errônea a opção de quem o escolheu! O apontamento como fato conceitual equivocado, ou errôneo resulta em brios pessoais ofendidos gravemente. Como o seria dizer textualmente: Você não inteligência nem possui discernimento ou conhecimentos para escolher o melhor! E o melhor é o meu!

Tenho certeza que o futuro ex-prefeito já sonha com o final do seu mandato. Que reza, faz novenas e entoa os pontos e chulas da macumba par ser esquecido duma vez da memória dos seus revoltados eleitores, indignados moradores de Ilhéus.

Portanto senhores candidatos, tragam discursos programáticos consistentes, discutam problemas urbanos, saúde, educação, assistência social, serviços públicos com seus eleitores, ouçam queixas, acatem pedidos exequíveis e nos passem confiança e positivismos. Saiam do lugar comum dos comparativismos demeritórios. É insano pensar que nós imaginamos uma piora no que já está péssimo… Cruz Credo! Não “rebolem pedras” no pardalzinho; ele já esta sonhando com a hora da migração invernal.

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Uma resposta

  1. Peço desculpas a todos os leitores do Blog do Gusmão, pelos erros de digitação; omissões de letras, plurais e geminação de algumas palavras em nosso texto. Não é por falta de cuidado, desatenção ou desleixo; é que sou péssimo digitador mesmo! O meu que o reflexo no teclar não coincide em velocidade com o processo criativo.
    Considero um privilégio ter algumas das minhas crônicas, publicadas por tão importante canal de mídia jornalística com o padrão de qualidade e audiência do blogdogusmão.
    Obrigado a todos.

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