
A Mondrongo Livros, para celebrar o Dia da Consciência Negra, realizará nesta quarta-feira, dia 20, a partir das 19 horas, uma série de atividades, entre elas o lançamento de 1789, obra de Romualdo Lisboa sobre o levante de escravos ocorrido no Engenho de Santana, em Ilhéus. Antes, porém, haverá a apresentação do espetáculo homônimo, cuja montagem é do Teatro Popular de Ilhéus e direção do próprio Romualdo, e que conta com a participação de membros do Terreiro Matamba Tombenci Neto, formado por descendentes dos escravos. O livro será vendido ao preço de 30 reais, mas titulares do Cartão TPI poderão adquiri-lo a 25.
Mais cedo, a partir das 16 horas, acontecerá o Cortejo Afro, organizado pelo Conselho das Entidades Afro-Culturais de Ilhéus (CEACI) que reunirá 13 grupos, entre blocos, grupos de capoeira, maculelê e afoxé. A concentração será na Tenda TPI e ao final será projetado o documentário Samba de Terreiro, nas escadarias da Catedral de São Sebastião. O evento prevê ainda participação da banda SambaDila.
O escritor e editor Gustavo Felicíssimo escreveu um texto para apresentar o livro 1789. Leia abaixo.
UM BEIJO NA BOCA DA SOLIDARIEDADE UNIVERSAL
Apresentação da obra por Gustavo Felicíssimo
O Teatro Popular de Ilhéus nunca sai de cartaz, e Romualdo Lisboa, que é a sua (nossa) âncora, não larga a cena, ou melhor, a dramaturgia. Entre o cômico e a tragédia, vive se reinventando esse gigante de um pouco mais de um metro e meio de altura.
E fazendo história também, pois após reunir em livro duas das suas peças mais populares, Teodorico Majestade e O inspeto geral, esta última livremente inspirada na obra magna de Gógol, ele inventa de jogar luz sobre uma das páginas mais importantes e curiosas da história da escravidão no Brasil, o levante ocorrido em 1789, no engenho Santana de Ilhéus, em que escravos pararam o trabalho, mataram o feitor e adentraram nas matas, como aponta João Reis, “reaparecendo após algum tempo com uma proposta de paz em que pediam melhores condições de trabalho, acesso a roças de subsistência, facilidades para comercializarem os excedentes dessas roças, direito de vetar o nome dos feitores escolhidos, licença para celebrarem livremente suas festas, entre outras exigências. Fingindo aceitar negociar, o senhor prendeu os líderes e debelou o movimento”.
De 1789 vamos a 2089, de um engenho de cana de açúcar para uma fábrica de moagem de cacau. É nesse cenário que o texto/peça se desenvolve. Em comum com a realidade a mesma e sempre perversa exploração do homem pelo homem, o processo de dominação do centro para a periferia, a qual toda pessoa dotada de algum humanismo não admite. É nesse ambiente movediço, quando se coloca de frente para os problemas de estrutura social, que a obra de Romualdo alcança amplas dimensões, provocando de maneira fecunda o debate, e porque não, a revisão de valores.
Cumpre, ainda, ressaltar o teor popular dessa peça com seus conflitos e problemas amalgamados por uma linguagem bem ao nível da fala do povo brasileiro. Mas, muito mais, vale observar que Romualdo Lisboa aproveitou um episódio quase desconhecido na história brasileira para tecer um texto onde a verdade não se põe com o sol, mas amanhece com o peito cheio de orvalho, pronta, novamente, para beijar a boca da solidariedade universal.
Gustavo Felicíssimo é Escritor e Editor da Mondrongo Livros.










Uma resposta
o dia da conciencai negra e o dia que os negro sao libertado e tenhe o direto de viver e ser livre eu sou uma negra e esse dia foi otimo por que eu sinti que estava livre apartir desse dia eu tinha ganhado essa liberdade eu digo que esse dia foi o melhor dia da minha vida e que venhe varios