
Reportagem: Thiago Dias
Há exatos 11 anos, no dia 13 de fevereiro de 2003, o babalorixá Pai Pedro foi assassinado na porta da sua casa, o Terreiro de Odé. Ele tinha 82 anos e foi um dos fundadores da comunidade instalada no Alto do Basílio, em Ilhéus.
Nesta quinta-feira (13), entrevistei o guardador de carros e rapper Genival de Jesus, mais conhecido como “Do Reino” ou “aquele flanelinha que trabalha na Avenida 2 de Julho e chama todo mundo de “guerreiro””. Ele me recebeu em seu local de trabalho e conversamos entre um carro que estacionava e outro que saía.
Do Reino completará 38 anos na próxima segunda-feira (17). Ele nasceu e foi criado no Alto do Basílio. Conviveu com Pai Pedro e lembra com carinho do “velho”. Seu primeiro rap foi escrito em homenagem ao babalorixá.
A música conta que Pai Pedro foi abordado pelo assassino que dizia querer uma consulta. O velho explicou que precisava sair, mas, poderia atendê-lo depois. Ao se virar, foi alvejado pelas costas. A letra do rap afirma que o assassino foi morto logo em seguida, assim que desceu o morro.
Segundo Genival, a morte de Pai Pedro abalou a comunidade, pois o babalorixá era um “líder de verdade”, “dava conselhos para a molecada”, “dizia que os mais velhos eram seus irmãos e os mais novos, seus filhos”, contou Do Reino ao me lembrar que ele fala sobre isso na música.
Também me falou com tristeza sobre o declínio do Terreiro de Odé, espaço de integração comunitária que deixou de cumprir suas funções sociais e mágicas depois da morte de Pai Pedro.
Atualmente Genival mora no Teotônio Vilela, mas, lembra com saudade da vida no Basílio e das festas no Terreiro de Odé. Deixou o morro há 5 anos porque seu barraco corria perigo com os deslizamentos de terra que até hoje assolam os altos de Ilhéus.
Além de posar com estilo para a foto, Do Reino nos presenteou com uma versão da música “Pai Pedro”, não sem antes fazer a ressalva de que a obra ainda não está completa, pois ele vai regravá-la com mais recursos técnicos em breve. Escute abaixo.








Respostas de 9
muito bom trabalho jornalistico e musica esclarecedora.
figuras como essas não têm espaço na CASA DOS ARTISTAS, que se transformou num reduto político onde só se apresenta o mesmo grupinho, disfarçado em vários nomes de bandas diferentes, porém, iguais.
CASA DOS ARTISTAS é dos ARTISTAS como um todo. e não CASA DO PETISTA.
Chega dessas mesmas bandinhas barulhentas que utitilizam o espaço para fazer “Protesto”. Aliás, Ilhéus é o único lugar do mundo onde as bandas de rap elogiam o sistema, o governo ou ignoram as mazelas feitas por este. Não cobram melhorias, não falam da ponte, nem dos conflitos indígenas, não citam o transito caótico. Apenas fazem críticas aleatórias, sem endereço certo. Genérico. Tudo em nome de uma vaga no tal do FAZ CULTURA.
São sempre as mesmas bandinhas que se apresentam na CASA DOS ARTISTAS para um público de amigos e parentes, como se o local fora um play graound de suas casas.
Se cultura se faz assim, prefiro ouvir arrocha.
Parebéns DURENI. é assim o nome do cantor…
Parabéns ao entrevistador e ao entrevistado, fizeram um boa trabalho juntos. Legal!
Esse rapaz é um exemplo de vida, trabalhador,guerreiro,mas inda é humilhado pela a discriminação.
Ouvi atentamente toda a música, quero parabenizar ao rapper, verdadeiro guerreiro, lutando todos os dias, por sua sobrevivência e dedicando-se a arte, vai enfrente irmão.
Jorge Farias
ESSE CARA É UM GRANDE GUERREIRO. TRABALHA DE FLANELINHA E AQUI NO PORTO COMO AVULSO PEGANDO PESO .
parabéns para Gusmão por entrevista uma figura ilustre como DO REINO aqui em ilhéus muito amado no gueto, reep autentico tem que ser valorizado por todos nos.
É UM ENORME PRAZER OUVIR E LER ALGUÉM QUE
TENHA ALGUNS RELATOS SOBRE MEU SAUDOSO PAI PEDRO
QUE MEU PAI IGUAÇU AJUDE NA SUA CARREIRA
RONALDO DO OXALA
FILHO DE SANTO DE PAI PEDRO COM MUITO OUGULHO
RIO DE JANEIRO 28/03/2014
Muito emocionada ao ler essa matéria sobre meu querido e muito amado Tio Pedro.
Pessoas como ele nunca são esquecidas. A família Faria se enche de alegria.