Por Tostão / Publicado hoje, 9, na Folha de S. Paulo.
Se um ET assistisse ao jogo de ontem, sem saber em que país estava, sem conhecer a cor da camisa de cada seleção e tivesse detalhadas informações sobre a história do futebol, diria, após a partida, que o Brasil, o país do futebol, o da camisa rubro-negra, mostrou toda a magia, a técnica e a fantasia de seus jogadores, além de dar um show de talento coletivo.
O hexa não chegou, contrariando o que estava escrito no ônibus da seleção brasileira. A taça escapou, contrariando a frase dita por Parreira, de que o Brasil estava com ela nas mãos. O Brasil perdeu, pior, de goleada, para contrariar Felipão, que tinha dito que ganhar o Mundial era obrigação e que a seleção seria campeã.
A desculpa de que perdeu pelas ausências de Thiago Silva e de Neymar não faz nenhum sentido, diante da enorme superioridade alemã. A entrada de Bernard foi uma decisão desastrosa, prepotente, porque, mesmo se Neymar estivesse presente, o Brasil teria de reforçar o meio-campo, principal qualidade da Alemanha.
Foi uma tragédia. Triste, muito triste, a maior derrota de toda a história da seleção brasileira. De consolo, quem sabe, sirva para que haja grandes mudanças, para valer, dentro e fora de campo, desde as categorias de base. É preciso haver uma mudança de conceitos e diminuir a promíscua troca de favores, uma praga nacional, que assola o futebol e o país.
O interessante é que os alemães não comemoraram a goleada histórica com a emoção que se esperava. Eles não são frios. São emotivos. Penso que estavam felizes e também constrangidos, por fazerem gols na mística seleção brasileira, que tanto admiram.
Os jogadores, Felipão e a comissão técnica têm de ser criticados por erros técnicos, mas não devem ser massacrados. Eles trabalharam com seriedade e fizeram tudo para o Brasil ser campeão.
“…Depois da hora radiosa a hora dura do esporte, sem a qual não há prêmio que conforte, pois perder é tocar alguma coisa mais além da vitória, é encontrar-se naquele ponto onde começa tudo a nascer do perdido, lentamente” (Carlos Drummond de Andrade).
Tostão é médico e conquistou a Copa de 1970 pelo Brasil.







Uma resposta
Pois é meu caro Tostão e demais, pra mim não foi nenhuma novidade a derrota para a Alemanha, pra ser mais sincero, eu acho que a nossa seleção até foi longe demais, agora, a pior derrota mesmo os tele jornais não noticiaram, me refiro aos brasileiros envolvidos com a máfia dos ingressos da FIFA, só noticiaram os figurões estrangeiros, os ex-jogadores e empresários todos brasileiros ficaram de fora do escândalo, porque será? vejam abaixo matéria da FOLHA DE SÃO PAULO do dia 03 e até hoje camuflada:
FOLHA NA COPA 2014
P/ Diana Brito E Marco Antonio Martins – Rio 03/07/2014
POLÍCIA CIVIL DO Rio VAI CONVOCAR EX-JOGADORES E EMPRESÁRIOS DE FUTEBOL PARA DEPOR NA INVESTIGAÇÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE UMA REDE INTERNACIONAL DE CAMBISTAS
Os ex-jogadores, entre eles Dunga e Júnior Baiano, serão chamados como testemunhas, mas com o objetivo de apurar se eles tem alguma ligação com o esquema.
A polícia investiga ainda ligação do grupo com o pai do jogador Neymar e com o irmão de Ronaldinho Gaúcho, Assis.
Em conversa grampeada, Alexandre Vieira, suspeito de integrar a quadrilha, diz a outro suspeito que assistiu o jogo ao lado do pai do camisa 10 brasileiro.
http://www1.folha.uol.com.br/esporte/folhanacopa/2014/07/1480183-policia-investiga-conexao-bola-de-mafia-de-ingressos.shtml