BLOG DO GUSMÃO

PORTO SUL: MARINA E LÍDICE TÊM POSIÇÕES DISTINTAS

Eliana Calmon, Lídice da Mata e Bebeto Galvão. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Eliana Calmon, Lídice da Mata e Bebeto Galvão. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

A senadora Lídice da Mata, candidata do PSB ao Governo da Bahia, concedeu entrevista coletiva à imprensa, no último sábado, 18, em Ilhéus, antes do lançamento da campanha do socialista Bebeto Galvão a deputado federal. Eliana Calmon, ex-ministra do STJ e candidata ao Senado, também acompanhou o líder sindical. 

Um atraso na viagem aérea da comitiva encurtou o tempo da entrevista. Cada veículo fez apenas uma pergunta. Leia a resposta dada pela senadora a este blog sobre o projeto Porto Sul. 

Blog do GusmãoEm evento recente do PSB, em Ilhéus, a ex-ministra Marina Silva afirmou que os governos estadual e federal não ouviram de forma adequada as considerações de estudiosos e ambientalistas a respeito do lugar escolhido para a implantação do Porto Sul. A senhora acaba de reafirmar que não pretende rever o projeto. No cenário nacional, por conta do seu posicionamento alinhado ao discurso ambientalista, Marina criou arestas com parte do empresariado. A senhora teme criar esse mesmo tipo de aresta com o empresariado baiano?

Senadora Lídice da Mata – Não, não temo de jeito nenhum e não acho que Marina seja inimiga dos empresários e muito menos do agronegócio brasileiro. Pelo contrário, ela tem uma visão avançada de como os negócios na agricultura devem ser realizados, que é preservando o meio ambiente. Não há nenhum país avançado que hoje não leve em conta a vertente ambiental, na sua preocupação econômica. Para isso existe um encontro mundial da ONU sobre o meio ambiente e sua importância para o mundo. Pesquisadores do mundo inteiro estudam isso.

É claro que o nosso mundo foi marcado e o nosso governo também por uma visão desenvolvimentista, mas, estamos passando por um processo de transição. Cada vez mais, seja com Marina ou com outros ambientalistas, com movimentos de militância, o componente ambiental estará na pauta de qualquer governo e nós temos compromisso com isso.  O que não podemos fazer é voltar atrás de investimentos já realizados. É claro que vamos discutir sempre o Porto Sul, já houve uma mudança de local, vamos continuar debatendo como diminuir, ao máximo, nesse novo local, os impactos ambientais. Nós vamos discutir uma política de desenvolvimento baseada no “carbono zero”, vamos buscar a participação transversal da política industrial e de negócios que tenham a visão ambiental como referência. O que nós não podemos fazer, por exemplo, é dizer que anularemos o projeto da ferrovia, porque ele produzirá impactos ambientais. Qualquer atividade econômica gera esse tipo de impacto, precisamos criar matrizes que sejam ambientalmente condizentes com cada processo produtivo e, no caso de não conseguirmos realizar uma ação sem um impacto ambiental grande, precisaremos compensar aquelas regiões, com ações outras, numa cadeia de compensações, para que possamos estabelecer um desenvolvimento sustentável.

Qualquer ação tem impacto. Eu moro em um lugar próximo a um prédio que está sendo construído há um ano. Isso gera um impacto ambiental enorme, na vizinhança toda. Os bichos se movimentaram, apareceram insetos que não apareciam antes. Os morcegos começaram a entrar nos apartamentos. Muita poluição sonora. Eu defendo, como o estatuto das cidades, que haja uma multa e que aquelas pessoas afetadas sejam compensadas pelo impacto. Quando há impacto ambiental com a construção de um porto, nós também temos que criar mecanismos de compensação. 

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