Por Tristan Alzu
A cultura do cacau desenvolvida no sul da Bahia, particularmente nos municípios de Ilhéus e Itabuna gerou uma riqueza descomunal. Seu produto mais nobre, a literatura, deixou nomes inesquecíveis que vão de Jorge Amado a Sosígenes Costa. Este foi o lado bom que, a bem da verdade, apenas “inspirou” a obra da tal literatura do cacau. No entanto quando se observa o resultado digamos assim “cultural” de tais heranças é possível ver, a olhos nus, a torpeza de tal legado.
Quem vive em Ilhéus padece dos piores serviços públicos, as ruas vivem em permanente estado de abandono, as escolas municipais são apenas um exemplo da fratura exposta do descaso com que tal herança moldou a cabeça dos administradores contemporâneos. Ilhéus e Itabuna padecem de líderes autênticos, corajosos, inteligentes e articulados para administrar suas cidades com a mesma competência que um dia seus antepassados fizeram literatura.
Um do mais gritantes exemplos dessa incompetência, mesmo porque causa transtornos diários, é a tal ponte de Ilhéus! A ponte é uma novela mas que não é digna da inventividade alegre de Jorge Amado. A ‘estória’ da ponte é bem mais que uma grosseira brincadeira de mau gosto imposto pelo incompetente alcaide à população da cidade. É também um desrespeito estúpido, sob quaisquer aspectos aos milhares de turistas que passam por aqui. Miopia que acaba refletida da incipiente indústria do turismo aqui por essas bandas.
Para quem mora em Ilhéus e fica minimamente atento aos acontecimentos deve se lembrar da espalhafatosa chegada do senhor governador para anunciar a garantia dos recursos para a construção da ponte. O cinismo de tal acontecimento fica por conta das tragédias anunciadas na neo-cultura do cacau.
Enquanto isso, em Salvador, viadutos inacreditáveis são construídos numa velocidade estonteante. A Avenida Paralela ganha uma ponte quase toda semana. Isso, os líderes regionais, que fazem romaria ao Centro Administrativo da Bahia, não conseguem ver. São os cegos eleitos por uma cidade que ainda não encontrou o rumo para fazer justiça à herança dos seus escritores.











Uma resposta
Parabéns Tristan alzu pela veracidade desse seu comentário! Aliás, só não percebe essa situação caótica em Ilhéus, quem não quer. Por falar em Ilhéus, acabei de chegar da nova sede da OAB onde autografei quase trinta exemplares do livro de minha lavra intitulado “A Força da Amizade”, dando assim um ponta pé inicial para outras sessões de autógrafos que se seguirão em locais distintos da cidade e já com convite para lançamento também na cidade de Itabuna (precisamente na livraria Nobel).Interessante que a abordagem do livro – apesar de ser basicamente um romance com ficção e realidade – tem traços também com o contexto desse seu artigo.