BLOG DO GUSMÃO

MÉDICOS DA SANTA HELENA SÃO ACUSADOS DE OMISSÃO DE SOCORRO

Carlos Lyra e Paulo Bittencourt.
Carlos Lyra e Paulo Bittencourt.

Reportagem: Thiago Dias

Lunna Valentina não conheceu o quarto que seus pais decoraram para recebê-la. Não brincará com a bonequinha pendurada sobre seu berço nem sujará as fraldas acumuladas num canto da casa. Sua vida acabou ainda no ventre de Maristela Correia. Rafael Muniz e a esposa afirmam que a filha tão esperada morreu porque os médicos Carlos Lyra e Paulo Bittencourt negligenciaram a urgência do parto. Lunna faleceu na madrugada da última quarta-feira, 22, na Maternidade Santa Helena, em Ilhéus. A família acusa os profissionais de omissão de socorro e registrou queixa-crime na 7ª Coorpin.

O casal mora no bairro Nelson Costa e tem um filho de seis anos. João estava ansioso pela chegada da irmã. Ainda dorme com os pais. Esperava Lunna para dividir o quarto novo. Queria tomar conta da caçula. Sua cama está ao lado do berço vazio.

O berço e a bolsa encomendada com o nome da criança.
O berço e a bolsa encomendada com o nome da criança. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Maristela foi à Maternidade Santa Helena na manhã do último dia 17 (quinta-feira). Nenhum médico lhe examinou. Como sentia cólicas fortes, uma enfermeira sugeriu que voltasse para casa e tomasse “um buscopan”. Voltou à noite ao hospital. Dessa vez, segundo ela, o médico Carlos Lyra lhe atendeu e disse que não havia dilatação suficiente para o parto.

De acordo com Rafael, Maristela explicou a Bittencourt e Lyra que o parto de João (o filho mais velho) foi complicado. A criança ficou com sequelas motoras porque os médicos demoraram de realizar a cesariana enquanto esperavam uma dilatação maior. Os pais tinham medo que o problema se repetisse.

Maristela.
Maristela.

Além disso, conforme a família, o resultado do acompanhamento pré-natal indicava que o parto de Lunna deveria ser cirúrgico. A médica Ana Cristina e o colega Afonso, que acompanharam Maristela, recomendaram a cesariana.

Rafael vendeu a moto e comprou um carro para transportar a família com mais conforto. Estava reservando dinheiro para a cadeirinha de Lunna.
Rafael vendeu a moto e comprou um carro para transportar a família com mais conforto. Reservou um dinheiro para a cadeirinha de Lunna.

Depois de idas e vindas, Maristela voltou a sentir muitas dores e foi na terça (21) à maternidade. Chegou por volta das 18 horas. Como não havia cama desocupada, esperou sentada numa cadeira até as três horas de quarta-feira. Mais cedo, o médico Paulo Bittencourt a examinou e conclui que ainda não era a hora do parto.

As dores aumentaram. Alcione, amiga da gestante, exigiu que alguém a examinasse. Segundo Maristela, Bittencourt estava dormindo no horário do plantão e acordou às 5 horas. O médico não conseguiu escutar o coraçãozinho e Maristela já não sentia os movimentos da filha. Sua barriga foi aberta e a tragédia, constatada.

Tentamos localizar Paulo Bittencourt e Carlos Lyra. Telefonamos para a Maternidade Santa Helena e fomos informados por Ludmila que ambos não têm plantão hoje e não estavam na unidade. A atendente não tem os números dos médicos. Segundo ela, essa informação é disponibilizada pela central telefônica que não funciona à noite. Este espaço está aberto caso os profissionais queiram prestar esclarecimentos.

Comentário do Blog.

Os médicos Carlos Lyra e Paulo Bittencourt costumam se envolver em casos controversos e polêmicos. Paulo já foi acusado duas vezes de cobrar cinquenta reais de pacientes por consultas do SUS – veja aqui. Lyra foi acusado de cortar a cabeça de um feto ao abrir a barriga da mãe – leia aqui. Além disso, não é a primeira vez que um caso como esse acontece na Maternidade Santa Helena.

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Respostas de 16

  1. Alguém tem que fazer alguma coisa. Eles (assim como a maioria dos médicos em Ios) não tem capacidade para possuir um CRM. Já fui operada pelo Carlos Lyra e ele salvou a minha vida. Mas embora erros aconteçam, tudo tem limites. É mais uma vida que se perde por irresponsabilidade e porque ninguém tem coragem para fazer nada. A saúde no país está cada vez mais decadente, e enquanto casos como este forem permitidos, nada erá mudar. Enquanto pagarmos o salários de médicos negligentes, vamos continuar a chorar com notícias como esta. ALGUÉM PRECISA FAZER ALGUMA COISA!

  2. A forma como a maioria dos médicos atendem a população é um problema crônico nesta cidade. Boa parte esquece que fizeram juramento e só pensa no dinheiro.

  3. Emilio e Thiago meus parabéns. A matéria sobre a omissão de socorro à parturiente sacudiu as pessoas da comunidade quanto à nossa precariedade em relação à saúde pública em Ilhéus e a reportagem com aquelas fotos ficou dramática, me atingiu em cheio as cordas da emoção e sensibilidade humana.

  4. Boa tarde!

    Se eles sempre fazem isso pq ainda estão atendendo?
    Agora já sei o motivo de tantas mulheres gravidas irem p Itabuna a procura de MÉDICOS de verdade…tem que DEMITIR os dois…

  5. Acho que não é a primeira vez que isso acontece nessa maternidade. Conheço mães que já perderam seus filhos ou filhos que já perderam a oportunidade de ter uma vida “normal” devido às sequelas deixadas pela negligência e usura de médicos que não fazem a sua obrigação não cumprem o seu dever e não honram o juramento que fizeram à sociedade quando colaram grau em suas respectivas formaturas. É uma vergonha!!!!!!!. Cobram pelos serviços para os quais já são remunerados pelo INSS. Absurdo!!!! Só enxergam o próprio umbigo…

  6. Façam justiça! Não se calem! Eles tem que pagar! Outro dia estava no centro médico e uma moça grávida tb desmaiou e ninguém fez nada, nem maca tinha..acreditem colocaram a moça numa cadeira de rodas desmaiada e depois de um tempo aparece esse Paulo aí que nem considero médico , daquele jeito de mineiro. Devagar. .devagarinho.fiquei indignada!!

  7. As gestantes pobres nesta cidade estão sofrendo demais… É muito descaso, as mães chegam com dores mas sem dilatação pra parto natural, os médicos não providenciam a cesariana pq esperam que a família diante do sofrimento da parturiente pague o parto, pena que nem todas tem realmente condições de pagar, nesse caso ocorre o que aconteceu na referida matéria.

  8. Com minha filha aconteceu qui o dotor Carlos lyra também não quiz fazer o parto Cesário dela também não ela fico na mão de Deus qui se não fosse o outro qui ia tira o patrão Deli e fez há toda o parto Cesário talvez minha neta não estava aqui pra nossa alegria.e pra acaba de entrar eles não querem nei deixa os parentes entra nei a mãe da menina no caso da minha qui erra de maior eles mandou qui eu volta se pra casa qui só ia nascer no outro dia.eu qui saisi de lá .

  9. Gusmão, aconteceu há um mês, com a baba de meu filho! Conforme o relato do dono da Funerária CAF, acontece TODA HORA.
    A Joelma, ficou de 18h até 10h da manhã do dia seguinte, com edema (inchaço), pressão alta e sangramento e, mesmo assim, NÃO FIZERAM A CESARIANA! O bebê morreu e a única coisa que falaram foi :”a declaração de óbito está aqui e já levaram o corpo. É só procurar a funerária e enterrar!” Simples assim!!! E acontece todo diaaaaaaa!!! Tem Q acabar!!!

    Editor responde.

    Se a babá quiser nos conceder uma entrevista, favor entrar em contato 73 8827 0961.

  10. Meu caro Thiago. Quando não rola dinheiro vivo a gente do povo é sempre tratada assim por eles. No mais paradoxal dos comportamento, profissionais desse quilate se queixam das “baixas remunerações” pagas pelo SUSto por esses “serviços”. Mas não largam! Não pedem demissão e/ou descredenciamento do Sistema Público de Saúde. Aí fica a pergunta: porque?
    Eu mesmo respondo: se largarem o SUS ou forem demitidos, perdem o aplom, a pose e vão comer sem status lá no Restaurante do Povo (Itabuna-Ba) pra não morrerem de fome. Ilhéus é uma cidade singularíssima. Não existe outra parecida em nosso sistema solar!

  11. São apoiados por quem deveria cobrar , então lembremos alguém sabe dizer qual foi a punição obtida pelo médico das cinquentinhas! que amplamente foi noticiado pela impressa séria de Ilhéus e matéria colocadas na impressa televisiva, que não se calou, eu mesmo respondo nada….se que é para punir não o faz espero que seja um homem ou uma mulher de bem da Justiça que possa fazê-la acontecer; pois tudo tem limite e já passou do limite faz tempo….as coisas ruins acontecem aqui porque seriamente ,somos omissos, em denunciar quem pratica o inverso do bem.O povo deveria votar melhor é por isso que a cidade está uma merda só.Se o hospital tem a competência de apurar e se omite em averiguar amplamente os fatos, imagine o que acontece por lá.

  12. A sete meses meu filho nasceu nesta maternidade, cujo o modelo de parto seria o humanizado, porém, minha esposa foi tratada de uma forma desumana, mostrando que a maternidade santa helena e seu corpo médico estão despreparados para tratar de pessoas. para eles seres humanos são apenas os que possuem valor, não o valor de vida, mas, o valor monetário contido em suas carteiras.

  13. Temos que lutar é todos os dias. Parturienses são informadas que nossa UNICA maternidade a Santa Helena não dispõe de Uti neo natal ha muito anos. Parto fe emergencia nesta maternidade não deve realizar. Essa maezinha sabendo das dificuldades do parto anterior devetia ter prezado por sua vida e a do seu bb procurando atendimento em outra cidade. Não estou para defender nem julgar nenhuma das partes. Isso so cabe a Deus. Sabemos que a taxa de mortalidade infantil em ilhéus não é elevada mesmo tendo apenas meia maternidade para a alta demanda. Vamos gente pedir a nossos governantes a instalaçao de uma uti nesta maternidade e a instalação de uma outra maternidade em nossa cidade. Agora vim a midia chorar pelo leite derramado é tarde demais. Vamos buscar soluções para que nao aconteça com outras maes. A esta maezinha da matéria eu desejo que Deus abençoe a vc e sua familia. Seu bb esta ai lado do Pai.

  14. A pessoa passa nove meses sonhado com esse momento ,e gasto ,dor,tanta coisa que uma gestante passa p depois cai na mão de dois incompetentes que faz o seu trabalho por dinheiro e não p amor,vc escolheram a profissão errada ,eram p ser açougueiros e não médicos,não tem dinheiro no mundo q indenizar a dor dessa mãe

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