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MARIDO DE PROMOTORA ACUSADO DE AMEAÇAR PROFESSOR

Leia a carta do professor Belcorígenes Júnior (FTC/Itabuna) enviada ao Blog do Gusmão.

Pedido de socorro de um Professor de Direito.

Como professor de Direito Constitucional, lamentavelmente me encontro na mais delicada situação que um docente pode se encontrar: acossado por um aluno desdenhoso da sagrada vocação do magistério a “exigir” com dedo em riste aprovação na disciplina, sob pena de sofrer os rigores da particular vingança, que a sua condição “trombeteada” de “marido de promotora de justiça” parece lhe conferir. Tratando-se de Bahia, creio que devo levar a ameaça a sério, principalmente após ser alertado por pessoas ligadas ao nefasto traficante de influências, de que outros membros do MP baiano da minha cidade, Itabuna (que atualmente é a cidade campeã nacional da violência contra jovens) começam a articular uma estratégia de retaliação ao professor que “ousou” auferir uma nota abaixo da média a um agregado, “por parentesco”, do Ministério Público baiano. Coisas do violento sul da Bahia. A ameaça, infelizmente dita no r ecôndito da privacidade, como é comum aos sórdidos, inclui também uma menção a um aparente parentesco com um delegado de polícia. Mais uma vez, em se tratando de Bahia, creio que devo levar isto muito a sério. Já tomei providencias pessoais, mudando apressadamente de endereço, notificando a IES na qual leciono e solicitando providenciais ao divino, pois, infelizmente fui “aconselhado” a não procurar a polícia e também a não citar nomes nesta parca missiva. Esta vexatória situação já me levou a uma crise nervosa com internação hospitalar de emergência. Neste momento em que escrevo, estou acordado (às 02:34 da manhã) com medo e preocupado com os ruídos que a rua traz. Temo pela minha vida, da minha esposa (também professora de direito) e da minha filha que se prepara para ingressar na faculdade de direito, e tragicamente está sendo apresentada ao “avesso” do que Aristóteles nos ensinou sobre a sublime virtude da justiça. Como filho da Bahia, hoje eu me envergonho; Como filho de policial militar aposentado com honras, hoje eu me envergonho; Como membro de uma família de juristas, hoje eu me envergonho; Como professor e Mestre, hoje eu me envergonho; Como integrante da briosa comissão de direitos humanos da OAB-Ba, hoje eu me envergonho; Como intransigente defensor do Constituição Federal e do seu art. 206 caput e inciso II, hoje eu me envergonho. Alguns meus alunos que tomaram conhecimento do fato estão solidários comigo, inclusive os colegas de turma do influente (e rico) “marido da promotora”, porém tal solidariedade não me garante a segurança necessária para o repouso dos justos e o livre exercício do magistério. Nos meus anos de docência já me deparei anteriormente com a violência dos maus, porém nunca antes aparentemente “patrocinada” por membros do aparato estatal. Mais uma vez, tragicamente, em se tratando de Bahia, creio que a ameaça deve ser levada muito a sério. Não obstante ao temor natural que tal situação me produz, tomei uma decisão grave. Não vou me esconder, não vou recuar, não vou ceder às ameaças dos loucos. Segunda feira vou trabalhar normalmente. Vou ministrar as minhas aulas e aplicar as minhas provas, (apesar de ter sido aconselhado a não ministrar e nem corrigir as provas do referido “marido da promotora”). A Deus pertence a minha vida e destino. Porém confesso que estou triste, confuso e receoso. A minha maior frustração, contudo, e com a minha abandonada e “pobre” Bahia, que como muitas vezes como um “sepulcro caiado” é linda quando vista por fora, porém suja quando vista por dentro.

(P.S. Por um questão de justiça devo ressaltar que conheço vários promotores, policiais e delegados de polícia do meu Estado que honram as casas a que pertencem).

Itabuna, 12 de dezembro de 2009,

Prof. Msc. Belcorígenes de Souza Sampaio Júnior.

OAB-Ba. 15567

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5 respostas

  1. E por que não pode dar o nome do aluno-ameaçador?
    A mídia tem que ‘cair em cima dele’ e ele tem que,além de
    responder,tomar vergonha na cara,pois isso não é postura
    de aluno universitário!
    O pior é que ‘a moda’ já pegou há muito tempo!
    Haja Deus!

  2. Já fui aluno da FTC e do professor Belcorigenes e sei de seu senso de justiça… de dar a César o que é de cesar…
    Fico preoculpado com algumas coias que permeiam esse caso, primeiro pelo fato de existirem pessoas tão mediocres a ponto de ameaçarem verdadeiros mestres em detrimento de seus caprixos, depois me preoculpo pelo fato de está utilizando do aparato estatal pra intimidar um cidadão de bem que está simplesmente no exercicio legal de sua profissão e por último e não menos preoculpante é que essas práticas sordidas e nojentas tornem-se moda e com isso estejamos nos enviezando pra um caminho sem volto… há um passado não muito distante e que precisamos enterrar de uma vez por todas.
    Fica aqui o meu apoio ao professor e o meu repúdio ao larápio.

  3. PROFESSOR, DIZEM QUE A MELHOR DEFESA É O ATAQUE, ESTE COVARDE DELINQUENTE, TEM QUE SER DENUNCIADO, NÃO IMPORTA SE ELE É MARIDO DE PROMOTORA, FILHO DE DELEGADO OU PARENTE DE QUEM QUER SEJA, PROCURE A JUSTIÇA,A IMPRENSA LIVRE, FAÇA VALER O SEU DIREITO DE CIDADÃO. A NOSSA JUSTIÇA EMBORA LENTA E CHEIA DE CHICANAS, EXISTEM HOMENS PROBOS QUE SABEM AGIR DENTRO DA LEI. SERÁ Q ESTA PROMOTORA CUMUNGA COM OS ATOS DESTE MARIDO DELIQUENTE, SE ASSIM ELA PROCEDE, NÃO MERECE OCUPAR O CARGO QUE EXERCE, E MERECE SER DENUNCIADA TAMBÉM, POIS PELO POUCO Q ENTENDO DA LEI A FUNÇÃO DE UM(A)PROMOTOR(A), É SER O GUARDIÃO DAS LEIS PARA QUE ATRAVÉS DESTAS SEJA FEITA JUSTIÇA,E O EXEMPLO TEM Q SER DADO EM CASA.
    SE RESGUARDE MAIS NÃO SE ACOVARDE, VC ENTENDE DAS LEIS USE-A AO SEU FAVOR, OU ENTÃO FUJA PARA OUTRO LUGAR E PARE DE LECIONAR.

  4. A Sociedade itabunense está revolta com esse tipo de comportamento que não se coaduna com o perfil de um aluno de direito. Na verdade, esse dito cujo nunca deveria estar estudando um curso tão importante. Esse é o perigo da promiscuidade de cursos de direito, onde qualquer anormal com dinheiro pode se julgar estudante. Digne-se, emérito professor, a denunciar-lo, para que este possa ser recharçado da sociedade.

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