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JABES RIBEIRO E SUA AUTORIDADE INTELECTUAL

Por Emílio Gusmão

Jabes Ribeiro está de volta, e com ele, os mesmos conselheiros escolhidos a dedo.

O prefeito eleito costuma ouvir de muitos, mas a assimilação é uma sorte de poucos.

A professora Maria Luiza Heine tem o privilégio de ser ouvida e de influenciá-lo.

Este modesto blogueiro, de maneira responsável, inteiramente preso ao debate das ideias, acostumou-se a discordar das certezas de Maria Luiza Heine.

Nada contra a pessoa. Apenas contrapontos despertados por uma pensadora.

Em 2009, numa entrevista ao radialista Vila Nova, ela afirmou que os Tupinambá de Olivença são índios impuros. Na sua afirmação, ela restringiu a genética apenas às características fenotípicas (visíveis, a exemplo da cor da pele).

A professora deixou de lado a cultura reprimida ao longo da história e o direito assegurado pela carta magna brasileira (o de autoafirmação). Num lapso inadvertido, lembrou a eugenia, a terrível busca por uma “raça pura”.

Na mesma entrevista, Maria Luiza caracterizou o Caboclo Marcelino como um marginal. Marcelino defendeu os índios de Olivença da expropriação em massa de terras, fato ocorrido a partir do início do século XX. Figura controversa, foi considerado  “o inimigo público nº1” dos fazendeiros.

A definição da professora, sobre o Caboclo, baseou-se apenas nos jornais da época, influenciados pelos fazendeiros. Ela não levou em consideração um cuidado fundamental que os historiadores devem ter com os documentos: a análise do contexto político e do tempo em que foram produzidos, e das circunstâncias que influenciaram seus autores. Talvez, a falta de atenção esteja ligada à formação da professora, licenciada em filosofia, nunca em história.

Agora, Maria Luiza, ex-presidente da Fundação Cultural de Ilhéus no último governo de Jabes Ribeiro (2001 a 2004), se diz contrária à instalação do Teatro Popular de Ilhéus no antigo General Osório (quase em ruínas), onde funcionava uma precária biblioteca e um arquivo público “úmido”.

Em suas palavras, ela não vê “nenhuma compatibilidade destas atividades com a de um teatro, que também requer espaço e tem uma dinâmica conflitante com o silêncio necessário a uma biblioteca e às atividades de pesquisa do arquivo”.

A professora não considerou a possibilidade do isolamento acústico e não está fundamentada num estudo feito por engenheiros ou arquitetos. Em Salvador, a Biblioteca Central dos Barris segue na contramão das justificativas apresentadas por Maria Luiza. O Espaço Xisto Bahia não rompe o silêncio. Antes, era uma área não utilizada pela biblioteca, hoje, a enriquece.

No geral, os conservatórios de música têm ambientes para livros e leitura anexados. A livraria cultura de São Paulo e a de Salvador possuem teatros.

Na tarde de ontem, quinta-feira, 11, este blogueiro visitou o prédio do General Osório.  Segundo o arquiteto Carl Von Hauenschild, responsável pelas reformas dos teatros Castro Alves e Vila Velha, ambos de Salvador, o térreo não tem condições de abrigar um arquivo público.

O prédio foi construído numa baixada, onde as chuvas acumulam água. Isso torna o ambiente completamente úmido e inóspito para documentos históricos e de papel.

Maria Luiza Heine errou mais uma vez.

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11 respostas

  1. Gusma,
    assim como vc tb sou fã do Jabes. Ele sabe escolher sua equipe. Sempre procura misturar o técnico com o tb político.
    Abraços
    Caio Taroba-Olivença (ainda não foi dessa vez Cláudio Magalhães)

  2. Você discorda das idéias de Maria Luiza ou quer que Jabes te peça conselhos tambem?? Percebi uma certa inveja… quero acreditar que seja impressão minha..
    No meu pensar e conhecimento, os Indíos de Olivença são mais que impuros, são indignos de usar a carta magna brasileira e se autointitular indios, sou descendente indigena e tenho vergonha do que vem acontecendo!

  3. O caboclo Marcelino, foi um grande homem que lutou pelas terras que de direito foi reservada para os indígenas da região que foram relocados para o aldeia de Olivença. O lampião do cacau citado no diário de Ilhéus. Todo Homem tem o direito da desobidiência civil quando os seus direitos não são respeitados.
    Em tempo: As crônicas da Capitania de Ilhéus (Silva, Campos), retrata com sobriedade a luta do Povo Tupinanbá.

  4. Eu queria saber que estatura de conhecimento tem esse blog para tentar desqualificar a professora e pesquisadora professora maria luiza heine. Olha gente, vamos ter um pouco mais de chá de simancol e não beirar tanto o ridículo. Ou será que é uma tentativa esnobe de querer se igualar a quem de fato tem bagagem?

  5. Não apenas a Maria Luíza Heine, como também a Tica Simões anda alardeando ser contra a cessão do Gen. Osório ao TPI. Infelizmente, nenhuma das duas conhece as ideias de Romualdo e sua turma para o espaço. Pelo que ouvi, eles querem transformar a biblioteca em um espaço modelo, vivo, com saraus de poesia, lançamento de livros, já que o TPI fundou uma editora, bate papo com escritores, além das atividades tradicionais do grupo. Para mim é tudo compatível. Antes de dizer ou escrever asneiras, seria melhor refletir sobre a questão e, se possível, ouvir mais e se informar melhor.

  6. Bagagem, me polpe de tanta bagagem Zulmiro. Em Ilhéus, cidade onde prevalece a ignorância, o que vale são os títulos. Os argumentos são secundários. Quem tem títulos pode escrever o que quiser. Há bobos de sobra para acreditar e “crer” piamente.

  7. Inveja de jeito nenhum, Uesley. Jabes tem o seu poço de certezas. Cabe a mim questioná-las quando julgar necessário. Este é o papel da imprensa. Espero que o prefeito eleito não tente tratorar jornalistas que pensem diferente dele.

  8. Existem cargos públicos ameaçados com a entrada do TPI no GO e os nomes que formam a lista para os cargos são os mesmos nomes que estão incitando a população contra a ocupação do TPI. Interesses políticos senhores, ninguém quer perder seu gordo salário. Jabes está num boca de sino enquanto o TPI ganhou um presente de grego a la cavalo de tróia. Na torcida pelos nossos bravos heróis ilheenses que com toda sua garra e determinação superarão mais este obstáculo como todos os outros que já superaram. Todavia o espaço Casa dos Artistas agora vira disputa de urubuzada querendo a carniça. Lembrando a todos os presentes que a Casa dos Artistas era movimentada pelo TPI e mais 3 grupos residentes. Com a saída do TPI juntamente com estes grupos, rogo que os próximos artistas a entrarem dêem conta do que eles faziam lá dentro. Quem está de fora, não imagina a quantidade de ações que esses profissionais executam diariamente. Sem mais considerações…

  9. Creio que essa questão deve ser abordada com muito cuidado e de um ponto de vista racional, sem paixões para um lado ou outro. Creio que deve ser analisada nos seus pormenores e debatida, antes que qualquer decisão definitiva seja tomada. Uma coisa importante de se dizer: o Espaço Xisto Bahia, exemplo usado por Romualdo para justificar sua proposta, é apenas um espaço dentro da Biblioteca dos Barris, enquanto no caso do Gen. Osório o TPI assumiria o total controle do espaço, inclusive dos acervos da Biblioteca e Arquivo Público. Teriam eles condições financeiras e de gestão para tal empreendimento? Os usuários da biblioteca teriam de se submeter às idiossincrasias do grupo? Seria possível ceder apenas um espaço para o funcionamento do TPI e manter a gestão da biblio. nas mãos públicas? Todos esses são questionamentos que devemos fazer e ponderar. Confesso ainda não ter opinião formada sobre o assunto, mas penso que ele deve ser tratato com cuidado e critério técnico.

  10. De Carlos Silva, para todos os meus irmãos de artes deste sertão apelidado de Brasil

    1912
    No 13º dia
    Era o mês de dezembro
    Luiz Gonzaga nascia


    Na fazenda caiçara
    Na cidade de Exu
    Nascia o rei do baião
    Em terras do mandacaru

    Luiz é Simbolo do sertão
    Caboclo pouco letrado
    Mas no canto ele trazia
    Lição para doutorado

    Na sua sanfona Branca
    Ele fazia o seu salário
    Menino abençoado
    Pelo seu pai Januário

    Que também nos oito baixos
    Dava conta do recado
    Pois naquela redondeza
    O velho era afamado

    Nas quadras do meu cordel
    De versos eu me alimento
    Versando sobre Luiz
    Gonzaga do Nascimento
    http://www.youtube.com/watch?v=Z7eVjiRli_U
    Ver mais
    http://www.bandasdegaragem.com.br/carlossilvacantador
    75 3448-1159
    Nestes versos que faço Gonzagueado
    Trago meu orgulho no coração
    Pra saudar o querido rei do Baião
    È que faço nesta loa o meu traçado
    Vou deixando entre rimas meu recado
    E espero que esta chegue muito além
    Quem quiser cá escreva assim também
    Pra matar um bocado de saudade
    Pois é esta lembrança que invade
    O aniversário de Luiz chegando aos 100

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