BLOG DO GUSMÃO

ÁGUA NA FEIJOADA DE HERVAL SOLEDADE

Herval Soledade (terno preto) e aliados. Imagem: Arquivo de José Lei/R2CPress.
Herval Soledade (terno preto) e aliados. Imagem: Arquivo de José Leite/R2CPress
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Por José Henrique Abobreira/Coluna Folclore Político

abobreira artigoEle se chamava Everaldo. Por ter um pequeno defeito o tratavam pelo apelido, politicamente incorreto, de Mão de Paca. Para a rapaziada do Pontal mais íntima, Los Pakas. Alcunha que deu nome ao seu quiosque na Praça São João do Pontal e à filial no Alvorada, na rua da frente, no  antigo porto das lanchas. Los Pakas, o chamemos assim, tinha uma “pinimba” com Jaziel Martins, o Bá, vereador do Pontal mais votado na história de Ilhéus, com quase cinco mil votos nas eleições de 1972, pelo antigo MDB. Depois foi vice-prefeito. 

Nas eleições de 1976 o candidato a prefeito Antonio Olimpio viria forte no Pontal, pela proximidade com Bá, do mesmo partido político. O contendor de AO seria Herval Soledade, prefeito por várias vezes e candidato governista que, na tentativa de neutralizar a influência de Jaziel a favor de AO junto ao eleitorado do Pontal, convidou Los Pakas a sair candidato a vereador pelo antiga ARENA, braço partidário dos governos militares. Esse aceitou de bom grado. Seria a hora da desforra em Bá, seu antigo desafeto.

Convite aceito, mãos à obra para conquistar o voto do eleitor pontalense.

Primeiro evento da campanha a vereador: uma baita feijoada para os pescadores na amendoeira em frente à casa do mestre pescador, dono do saveiro Cardeal, Agenor Galo, homem afeito aos embates no mar na labuta diária, e também alegre. Gostava do carnaval. Saía sempre fantasiado de dominó junto com o mestre Esterlino e outros companheiros da faina diária.

Tudo acertado. No dia aprazado, a feijoada ainda borbulhava depois do cozimento. Convidados e cabos eleitorais hervalistas já no local dos comes e bebes. Everaldo nervosíssimo, afinal tinha convidado o seu candidato a prefeito Herval para vir fazer o corpo a corpo com os eleitores durante a degustação da feijoada.

Aí veio o azar que ele não contava. Ao sair do local em busca de um carro de praça (antigamente taxi era assim denominado) dirigido por Lito, amigo nosso e morador antigo do Pontal, deu de cara com Zé Bacalhau, o lendário Zé de Baca, fervoroso eleitor de AO e acostumado a pregar peças nos amigos.

Ao avistar Los Pakas todo pressuroso em direção ao ponto de taxi, indagou para onde ia o candidato. Esse ingenuamente lhe respondeu que ia em busca de Herval. Fretara um carro só com esse desiderato. Ainda caiu na besteira de informar o local do encontro.

Zé de Baca raciocinou rápido. Tinha que melar aquele evento político. Saiu de fininho e foi chamar Pavão, cabo eleitoral de AO e homem de frente na campanha do candidato do MDB. Era quem operava a logística da propaganda. Dirigia a equipe de colocação de faixas e cartazes nos locais dos eventos.

Encontrado Pavão, Baca emendou de chofre: ”Rapaz, você não vai colocar o material do dr. Antonio Olimpio na feijoada não?” Pavão já tinha tomado umas duas cangibrinas, era sábado, e não havia programação naquele momento, somente à noite, era o que ele sabia. Mas, confuso com aquela informação e já um tanto alegre pela cervejinha tomada, acreditou em Baca e foi informado do local onde seria realizada a feijoada de AO. Saiu em disparada para pegar faixas e cartazes da campanha para colocá-los antes da chegada do candidato.

Vejam os senhores que confusão medonha. Num local onde ia ser realizado um evento de um candidato, colar faixas do oponente.

Nisso já vem Los Pakas numa rural fretada conduzindo o ilustre candidato Herval Soledade.

Ao tentar apear do veículo eis que Herval avistou faixas e cartazes do MDB, tipo “Abaixo a ditadura”, “o povo unido jamais será vencido”, “AO candidato do povão”. E outros jargões desse naipe.

Homem fleumático e educado, ao perceber a furada e o vacilo de Los Pakas, Herval nem saltou do carro. Virou-se e ordenou ao motorista: “toca o carro” (para o desespero de Los Pakas”).

Como tudo aqui no Pontal termina em samba, passado o estupor inicial do candidato, hervalistas e olimpistas caíram pra dentro da feijoada e tudo acabou bem (risos).

José Henrique Abobreira é auditor da receita estadual e articulista do Blog do Gusmão. Foi vereador e vice-prefeito de Ilhéus.

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Respostas de 5

  1. Bons tempos, ainda era garoto quando comprava balas em Los Pacas. Ouvindo sempre suas palestras bizarras.

  2. Só faltou informar que naquele ano Los Pakas,pai do meu amigo Cenildo do INSS e muito amigo do meu pai Cazuza do Pontal, não logrou êxito. Salvo engno AO foi quem vencera aquele pleito

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