BLOG DO GUSMÃO

PROFESSOR QUESTIONA “EFICÁCIA” DAS OCUPAÇÕES

Segundo Wilson Gomes, movimento de ocupações é um tipo de "consolo" melancólico para a esquerda.
Segundo Wilson Gomes, ocupações servem de consolo para a esquerda.

Wilson Gomes é professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde coordena pesquisas sobre comunicação e política. Ele tem levantado questionamentos a respeito das ocupações promovidas por estudantes em todo o país. Critica especialmente a “eficácia” desse tipo de ação política.

O estudioso define eficácia da ação como a “capacidade de influenciar tomadores de decisão, opinião pública e sociedade”. Para medi-la, explica, é necessário avaliar o “lucro na ponderação entre resultados obtidos e custos envolvidos”. Também alerta que o nível de incômodo gerado pelo movimento “não conta necessariamente como eficácia”, conforme escreveu no início de novembro no Facebook.

Gomes voltou ao assunto nessa segunda-feira (14). Primeiro, criticou o silenciamento que grande parte da imprensa impõe ao protesto dos estudantes contra o governo Temer, enquanto ocupa o noticiário com os atos anti-Trump nos EUA. Por outro lado, considerou que isso por si só não explica a falta de eficácia do movimento.

Para o professor, o movimento erra do ponto de vista estratégico. “Ações políticas são ações de comunicação: elas precisam convencer pessoas de algumas coisas e precisam levá-las a assumir determinadas atitudes e alguns comportamentos. A visibilidade pública é o seu meio fundamental. Produzir a imagem pública conveniente dos seus atores, causas e agendas é uma meta importante. Se fracassa fragorosamente em ambas as coisas, é sinal de que falhou. Ocupações não estão funcionando e não funcionarão. A má vontade das redações não explica tudo, tenho cansado de repetir isso, há erros intrínsecos, básicos, na própria concepção da ação estratégica, que a leva inexoravelmente ao fracasso”.

Segundo Wilson Gomes, os manifestantes “estão fora do alcance da razoabilidade e continuarão a fazer os mesmos erros táticos”, pois “nem acreditam que estão fracassando”. Para eles, “não importa os efeitos externos ao movimento, o importante são os efeitos imanentes sobre os próprios praticantes, isto é, o aumento da conscientização política, a sensação de que “estão fazendo alguma coisa”. É como dizer que estamos ocupando uma escola ou faculdade não para produzir algum efeito nos outros, mas para o nosso próprio bem, para a nossa evolução como seres políticos. É quando a impotência é convertida em autorreferência. Complicado”.

O estudioso explicou por que tem insistido no tema. “Porque é constrangedor ver esses movimentos à esquerda agonizando politicamente em público, sem dar o menor sinal de que percebem a própria situação. E porque é irritante ver os tiozinhos de esquerda, românticos e cheios de amor de esquerda para dar, construindo uma fantasia de autoengano ao redor desses movimentos, transformando retoricamente ratos que rugem em leões. Tudo para o próprio consolo”.

Ao contrário do que se possa imaginar, Wilson Gomes está longe de ser um defensor do governo Temer, ao qual também costuma tecer críticas severas.

Clique aqui para ler a íntegra na página do autor.

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