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AMENDOEIRAS: ILHÉUS SEGUE POLÍTICA AMBIENTAL ADOTADA HÁ 24 ANOS NO RIO DE JANEIRO

Amendoeiras na Avenida Soares Lopes. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Em outubro de 2017, por meio da Superintendência do Meio Ambiente, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Ilhéus anunciou que pretende estimular a substituição de árvores exóticas por espécies da Mata Atlântica nas zonas urbanas do município – lembre aqui. A iniciativa segue política ambiental adotada com sucesso em outros lugares, como na cidade do Rio de Janeiro.

No dia 17 de março de 1994, o então secretário extraordinário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Alfredo Sirkis, proibiu o plantio e a reposição de amendoeiras na cidade. A medida também alcançou outra espécie de árvore estranha à Mata Atlântica, a causarina – leia aqui.

Ao justificar aquela resolução, Sirkis explicou que seguiu recomendação dos técnicos de drenagem do município. Segundo os especialistas, as folhas das amendoeiras contribuem excessivamente para o entupimento das galerias pluviais. Além disso, em comparação com espécies nativas da Mata Atlântica que se adequam aos espaços urbanos, a presença das amendoeiras e das causarinas torna a limpeza pública mais cara.

No caso de Ilhéus, a amendoeira é a espécie que predomina na zona urbana. Segundo a Superintendência do Meio Ambiente, a exemplo da justificativa que fundamentou a decisão do órgão ambiental do Rio de Janeiro, essas árvores aumentam consideravelmente o custo de manutenção com a limpeza da cidade. Além do mais, causam desequilíbrio ao ecossistema urbano, destroem passeios e tubulações.

Ontem (7), no Facebook, o superintendente do Meio Ambiente de Ilhéus, Emílio Gusmão, explicou que a gestão municipal “concentra esforços para lançar um programa de adoção de árvores” em fevereiro deste ano. O projeto vai disponibilizar mudas de árvores da Mata Atlântica para moradores de Ilhéus interessados em plantá-las nas calçadas, quintais ou jardins das suas residências.

O programa em fase de elaboração na Superintendência vai dar suporte às pessoas interessadas em auxiliar o município no processo de substituição das árvores exóticas. Segundo Emílio Gusmão, é compreensível que as pessoas estejam acostumadas com as amendoeiras, que são tão comuns em Ilhéus. Essa espécie proporciona uma sombra muito agradável, mas, por ser exótica, não vive em harmonia com a biodiversidade local, além dos problemas relacionados com as suas folhas.

Por outro lado, ainda de acordo com o superintendente, uma cidade arborizada colabora para a qualidade de vida das pessoas, pois “as árvores absorvem parte dos raios solares, lançam água no ambiente e reduzem os efeitos das ilhas de calor. Propiciam conforto térmico e alteração do microclima (sensação de bem-estar promovido pelo sombreamento) refrescando o ambiente”. Por isso, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável pretende iniciar o plantio das mudas nativas em março.

Ainda conforme Emílio, a substituição das amendoeiras será um processo lento e gradual. “Isso já está acontecendo, porque os moradores fazem solicitações frequentes de erradicação de árvores. Um dos objetivos do programa que lançaremos é justamente substituir por árvores nativas essas espécies que estão sendo removidas gradualmente da área urbana por iniciativa da população. Por isso, a Superintendência do Meio Ambiente não pretende realizar nenhum tipo de erradicação em massa das amendoeiras nem de outras espécies exóticas. Sabemos que isso causaria problemas, como a produção das chamadas ilhas de calor, que são os locais onde as temperaturas são mais altas em decorrência da falta de arborização. As amendoeiras causam problemas, mas, também prestam serviços ambientais”, explicou.

Entre 2010 e 2013, a amendoeira foi a terceira espécie com o maior número de autorizações para remoção no Rio de Janeiro.

O superintende também citou levantamento realizado na cidade do Rio de Janeiro. “Entre os anos de 2010 e 2013, a pedido de moradores da cidade, a prefeitura da capital fluminense emitiu milhares de pareceres favoráveis à remoção de árvores”. O coqueiro foi o campeão, com 8.487 autorizações, seguido do jamelão (3.726) e da amendoeira (3.276), como mostra o gráfico da imagem acima. “Ou seja: a própria população, que convive com os problemas ocasionados por espécies exóticas difundidas nas zonas urbanas, já entendeu a necessidade de remover e substituir essas árvores”.

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