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JAMIL OCKÉ DEVE EXPLICAÇÕES À SOCIEDADE ILHEENSE

Ex-vereador Jamil Ocké.

Editorial do Blog do Gusmão.

O noticiário local informa que o professor Jamil Ocké (PP) recebeu a Medalha Alferes Tiradentes. Concedido em outubro último por instituto que também leva o nome do mártir, o prêmio destacou Jamil como o segundo vereador mais atuante de Ilhéus em 2017.

A medalha é uma honraria custosa aos agraciados, que devem desembolsar recursos para fazer justiça à homenagem. Entretanto, o inusitado da notícia é o fato do homenageado ter sido preso, cassado e condenado no mesmo ano. Se um homem nessas condições foi o segundo parlamentar mais atuante do município, a população deve exigir mais empenho aos dezessete vereadores atrás dele.

Com a repercussão da homenagem, não seria de mau tom se o ex-vereador Jamil Ocké prestasse esclarecimentos sobre os fatos que o envolveram, em 2017, como homem público. Todavia, ao comentar o prêmio, ele falou pouco e de modo vago sobre os acontecimentos do ano passado:

– O ano de 2017 foi marcado por provações em minha vida, que colocaram em dúvida, dentre tantas coisas, a minha confiança na Justiça.

Cabe lembrar os acontecimentos que abalaram a confiança de Jamil na Justiça.

Primeiro, em março de 2017, no início da Operação Citrus, a Polícia Civil o prendeu para cumprir mandado de prisão temporária. Transformado em preventivo, o encarceramento se prolongou por cinco meses. Antes de deixar o presídio Ariston Cardoso, ele viu a Câmara de Vereadores cassar o seu mandato devido à ausência nas sessões legislativas. Em dezembro, a 1ª Vara Crime de Ilhéus o condenou a nove anos de prisão por fraude contra processo licitatório. O julgamento remeteu ao seu desempenho como secretário de Desenvolvimento Social de Ilhéus, durante a última gestão do ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP), entre 2013 e 2016. Outro ex-secretário da pasta, Kácio Brandão, e o empresário Enoch Andrade foram condenados no mesmo processo.

Foram esses os eventos específicos de 2017 resumidos na frase de Jamil como “provações”. É sobre eles que o candidato a vereador mais votado de Ilhéus em 2016 deve explicações à cidade. E aqui não se trata do seu destino na Justiça. Como se sabe, a condenação da primeira instância não é definitiva e, portanto, poderá ser reformada. Ainda assim, como homem público, restará ao ex-vereador o dever de explicar à sociedade a sequência de acontecimentos que marcou sua vida política no último ano.

A população de Ilhéus aguarda esclarecimento sobre a carne podre que, segundo o promotor de Justiça Frank Ferrari, um dos responsáveis pela Operação Citrus, seria servida a crianças como merenda escolar. Autorizado a voltar para as salas de aula, esse é o tipo de informação sobre a qual o professor Jamil Ocké não deve se manter em silêncio.

A sociedade aguarda a sua resposta em contraponto. Afinal, antes desses acontecimentos, o ex-vereador estava em pleno crescimento político. Além da atuação social como comerciante e professor, até o ponto de virada da Citrus, sua reputação política nunca havia sido colocada sob suspeita. Isso só aumenta a expectativa das pessoas que esperam por suas explicações.

O ex-vereador tem o direito de recorrer contra a sentença em todas as instâncias superiores. Antes disso, no entanto, pode explicar para a população e aos seus mais de dois mil eleitores por que a Justiça errou ao condená-lo, já que ele alega inocência. Qual será o conteúdo do recurso de defesa ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia? Jamil foi vítima? Alguém o usou? São essas as perguntas que rondam o imaginário ilheense. Temam em se repetir nas conversas sobre política. São elas que solicitam notas de esclarecimento, porque não são esquecidas. Já as medalhas são penduricalhos da memória.

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