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Religião x Ciência

No mundo atual, ciência e religião conseguem conviver bastante bem, mas isto desde que uma continue respeitando o limite da outra, o que depende, talvez, mais de cada um de nós, pessoas comuns, do que dos profissionais das ciências e das religiões.

Por Julio Gomes.

Ao longo da história da humanidade, um dos temas centrais de debates, disputas e fortes controvérsias é a oposição que durante séculos marcou a relação das instituições religiosas, com relação às realizações científicas.

Enquanto a religião se baseia sobretudo na fé, nos sentimentos, naquilo que há de mais subjetivo, a ciência, por seu próprio caráter e por definição, é racional, lógica, e prima pela objetividade.

As características acima explicam, em parte, o porquê de religião e ciência terem sido, durante séculos, antagonistas, inimigas, pois enquanto a fé queria nos conduzir tão-somente pela crença cega, muitas vezes contra fatos do mundo real; a ciência procurava se impor unicamente pelo que os limitados sentidos humanos apreendiam, sem dar chance para aquilo que o sexto sentido, a alma – ou espírito – pudessem manifestar, negando peremptoriamente tudo o que proviesse deste campo.

Durante séculos a Igreja queimou vivos aos pesquisadores acusando-os de bruxaria, assim como àqueles que estudavam fisiologia humana utilizando cadáveres – o que impediu o avanço da medicina durante séculos – e forçou cientistas a abjurarem publicamente suas descobertas científicas, para poderem continuar vivos.

Por outro lado, a ciência, horrorizada com a forma como religiosos fanatizados escravizavam as mentes, sobretudo das pessoas mais simples da população, negavam sistematicamente tudo o que não pudesse ser comprovado em um laboratório, por meio do uso do método científico, caindo, inúmeras vezes, em um materialismo incauto, já que não é pelo fato de não compreendermos ou não conseguirmos explicar determinados fenômenos que deveremos negar-lhes a validade ou a existência.

Entretanto, sobretudo a partir de meados do Séculos XIX, este panorama começou lentamente a se modificar. Muitos religiosos, vendo o ridículo e a total impossibilidade de sustentar determinadas posições contra fatos incontroversos, passaram a adotar posição mais branda e mais tolerante para com a Ciência. Esta última, por sua vez, ao avançar para terrenos como o da psicologia, o da física quântica, e o estudo do comportamento social, passou a ter atitude mais humilde, menos arrogante, aceitando, sem atacar agressivamente, àqueles fenômenos que ainda não consegue compreender, nem explicar.

No mundo atual, ciência e religião conseguem conviver bastante bem, mas isto desde que uma continue respeitando o limite da outra, o que depende, talvez, mais de cada um de nós, pessoas comuns, do que dos profissionais das ciências e das religiões.

Digo isso porque observo, em algumas pessoas e grupos sociais, uma espécie de crença em que Deus os protege e que, a partir daí, podem sair às ruas e fazer tudo normalmente, sem medo do Corona Vírus. Calma!

Creio em Deus e na proteção divina, mas isso não me autoriza a deixar de observar cuidados como usar máscaras de proteção quando sair às ruas, nem a sair por qualquer motivo, em um período no qual as autoridades sanitárias recomendam que todos os que não trabalham em serviços essenciais devem permanecer em casa.

De igual forma, não vi nenhum cientista debochar da fé, desfazer das crenças das pessoas nem falar para que deixem de orar e de frequentar sua atividade religiosa, o que hoje pode ser feito pela TV, já que as religiões possuem fortes aparatos de comunicação, com estações de rádios, redes de TV e transmissão pela internet, ao vivo, possibilitando o necessário conforto espiritual, imprescindível neste momento.

Assim, vivamos nossa fé, mas sem desprezar as orientações da ciência. Vicemos no Século XIX, e não na Idade Média, e o exercício da religiosidade pode e deve se compatibilizar com as medidas profiláticas indicadas pelas autoridades médicas para impedir a expansão da Covid-19.

Assista seu culto, ou missa, ore junto com as pessoas de sua religião utilizando os meios de comunicação, sem expor a si e aos outros; e respeite, de forma prudente e sábia, às recomendações de nossos representantes junto às ciências da saúde humana: neste momento ore com fé, muita fé, e faça-o coletivamente, mas no recesso de seu lar.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

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Uma resposta

  1. Não. Nenhum padre, pastor, pai de santo ou médium vai resolver o problema da Covid-19. São todos charlatões que pedem “respeito” para sua crendices infantis e anticientíficas.

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