Jovens, o que vocês escolhem?

Por Julio Gomes.

Não consigo me alegrar com a notícia de que alguém foi morto. Não me venham com essa de que era ligado ao crime, às drogas ou a seja lá o que for. Uma morte é sempre uma perda, não há como ser algo de bom.

Nos dias de hoje, vemos nossos jovens morrendo e matando em disputas de poder ligadas ao crime, às drogas, e não há o que comemorar. Nem como dizer que é menos um, porque no lugar do que se foi entrará outro, alimentando a boca insaciável que traga vidas e destrói destinos.

Alegra-me ver um jovem indo para a escola. Arrumando o primeiro emprego. Casando-se e construindo uma família. Indo frequentar uma instituição religiosa. Sendo pai, ou mãe, e assumindo a paternidade ou maternidade da criança que gerou. Isso traz alegria, e não a morte, que é o contrário, o oposto, o fim de tudo isso.

Para os jovens de hoje tudo ficou mais acessível. Tanto a universidade quanto a prostituição; tanto as boas informações quanto as drogas mais pesadas; tanto o trabalho quanto a marginalização.

É obvio que, em um primeiro momento, as más opções são sempre mais atrativas: o prazer da embriaguez, o ganho rápido no crime na prostituição, o caminho fácil da violência.

E o oposto, o que leva a bom resultado, é sempre mais difícil. Estudo e trabalho exigem disciplina; religiosidade verdadeira requer autocrítica; família se traduz em compromisso com os demais; e respeito nos impõe limites. Tudo isso é bem mais difícil de fazer, de ser, de concretizar.

Eis aí uma interpretação possível da máxima de Jesus Cristo que nos fala da porta larga, que não leva a lugar nenhum de bom; e da porta estreita, por onde deveremos tentar passar, a duras penas, para chegar a algo de bom.

Para a juventude quero esporte, cultura, religiosidade sadia, escola, estágio, primeiro emprego, cursos de capacitação, viagens para locais novos, aprendizado de novos idiomas, convivência com outras culturas, tolerância à diversidade e cabeça aberta para conviver e construir um mundo novo e melhor, livre de preconceitos, de discriminação e de violência.

E o jovem, o que quer para si? O que escolhe cada vez que acessa a internet e as redes sociais? Que vídeos assiste? Que amizades adiciona? Quais são seus ídolos, seus paradigmas? Quais seus objetivos de vida?

O que é ruim normalmente vêm a nós facilmente, porque alguém se beneficiará com nossa desgraça. Mas o que é bom, construtivo, tem de ser buscado, disputado, perseguido com disciplina e perseverança.

Jovem, preste atenção nas suas escolhas. No que busca na tela de seu celular, a quem adiciona para se relacionar, em quais objetivos estabelece para si mesmo.

Você se torna um adulto, e constrói seu mundo e sua vida. Cuidado com suas escolhas, porque você arcará com o resultado delas, sejam boas ou ruins.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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