Em Ilhéus, Ministério Público tenta impedir estação de esgoto em local que abriga festa religiosa

Com autorização do município, Embasa pretende instalar Estação de Esgoto na Praça da Maramata, que abriga festa religiosa. (Imagem: reprodução)

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), através do promotor Paulo Eduardo Sampaio, da 11ª Promotoria de Justiça, ingressou na quinta-feira (06) com uma Ação Civil pública contra a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e o Município de Ilhéus, na tentativa de impedir a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE) na praça da Maramata, na Nova Brasília, zona sul da cidade.

O MP-BA argumenta que, “mais uma vez”, a Embasa tenta construir “de forma ilegal” uma Estação numa praça pública de Ilhéus, e acrescenta que a área citada é de relevância para a prática de atos religiosos, além de servir para uso da comunidade da Nova Brasília e Pontal.

A Ação acrescenta que “jamais poderia o Município de Ilhéus ter cedido aquele espaço público de uso comum, cuja finalidade precípua é o lazer da comunidade, para a concessionária fazer instalar uma estação elevatória de esgoto”.

Até as medidas de prevenção contra o novo coronavírus serem adotadas, o local recebeu, durante mais de 40 anos, a Festa de Yemanjá, celebrada sempre no dia 2 de fevereiro por religiosos e pescadores, tornando o evento um “patrimônio imaterial” do município.

A organização do evento ficava a cargo de Mãe Laura, do terreiro Ilê Guaiania de Oiá. Ela faleceu neste ano, devido a complicações por Covid-19. A ialorixá chegou a se manifestar contra a construção da Estação Elevatória, mobilizando terreiros e comunidade para isso.

A Ação Civil do MP-BA também cita a intenção da Embasa de construir Estação Elevatória na praça São João Batista (Pontal) e Sapetinga, e pede a proibição “urgente”, sob pena de multa diária a ser estabelecida pelo Juízo. O MP-BA também solicita que o Município seja impedido de emitir qualquer documentação que autorize a Embasa a construir Estação Elevatória nestes locais.



4 responses to “Em Ilhéus, Ministério Público tenta impedir estação de esgoto em local que abriga festa religiosa

  1. D. Laura, conhecida entre os adeptos dos terreiros de Candomblé de Ilhéus como Sandoiá, não era Umbandista, ela pertencia a linhagem Angola-Congo. Ela foi iniciada por Malungo Mônaco, D. Percilia, no terreiro de Luando cuja fundação se deu em 1942.

  2. Só uma correção!
    Mameto Laura Sandoya, foi iniciada em um terreiro de nação Angola, pelas mãos da saudosa, Mameto Malungo Monako(mãe Percilha) e ela não era umbandista, Mãe de Umbanda ai em ilhéus, temos mãe Carmozinha com seus 104 anos de idade, uma referencia para todos nós de religiões afro-brasileira
    O termo para designar uma sacerdotiza nas religiões afro- brasilsira, para os adeptos iniciados em nação angola, é Mameto ou Nengua e para os da nação ketu, é Yalorixa.
    Estou fazendo esta resalva, pois fui muito amigo de Mãe Laura e também por que sou coordenador do MCPTI- Movimento Cultural Povos de Terreiros de ilheus-BA, Coordenador do GT da Renafro Saúde Núcleo Ilhéus e membro da coordenação do FORPOMI- Forum da Promoção da Igualdade Racial de Ilhéus.

  3. Tem que fazer sim a estação de tratamento de esgoto.
    Não é porque uma religião, seja ela qual for não quer que o poder público vai deixar de beneficiar dezenas de centenas de moradores do Pontal que irão ficar sem saneamento.
    Respeito todas as religiões, mas o bem estar coletivo vem em primeiro lugar.
    E não vejo como a construção de uma estação de coleta de esgoto vai afetar a Maranata.

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