Dormindo com o inimigo – Nós e a Covid-19

Não precisamos namorar todo mundo loucamente, praticando todo o tipo de intimidade. Se pode viver bem reduzindo parceiros sexuais ou afetivos ao mínimo, para o bem de todos os envolvidos na relação.

Por Júlio Gomes.

Passados cerca de um ano e meio de presença diária e ininterrupta da Covid em nossas vidas e mais de 460.000 mortes no Brasil – 475 delas ocorridas em Ilhéus até o dia 02/06/2021 – era de se esperar que tivéssemos aprendido algumas lições, inclusive como lidar com estes fatos de forma menos gravosa, evitando problemas e situações de maior risco. Mas parece que, para grande número de pessoas, isto não ocorreu.

Ainda há aqueles que teimam em viver como se tudo estivesse normal, como se a doença e a morte não estivessem presentes em nosso cotidiano: andam sem máscara, fazem grandes festas ou as fazem a cada final de semana, ignoram questões como distanciamento e higiene das mãos, usam “tratamento preventivo” e medicamentos sem eficácia comprovada e sempre que podem atacam as vacinas disponíveis, como se elas pudessem ser piores do que a doença.

Penso que o conjunto de atitudes acima citadas ajude a compreender porque o Brasil, mesmo tendo apenas 3% da população mundial, acumule hoje 12% de todas as mortes por Covid registradas no mundo.

Porém, quero aqui focar em propostas e alternativas viáveis, mais do que em problemas.

Em primeiro lugar já deveríamos, de fato, ter aprendido a conviver – sim, conviver – com a Covid, incorporando aos nossos procedimentos as condutas e cautelas capazes de preservar nossas vidas. Seguem alguns exemplos:

– Não precisamos dar grandes festas, seja lá do que for. No caso de um aniversário, por exemplo, basta reunir, no máximo, o círculo de parentes mais próximo, bem íntimos. Isso pode não satisfazer o desejo de ostentação, mas é afetivamente eficaz;

– Não precisamos ficar trancados em casa. Podemos pegar o núcleo familiar – e não a família inteira, com genros, noras e agregados de todo o tipo – e ir para uma praia distante ou uma beira de rio, para uma roça ou algo similar, e passar um ótimo dia ao ar livre, com as pessoas que amamos;

– Não precisamos namorar todo mundo loucamente, praticando todo o tipo de intimidade. Se pode viver bem reduzindo parceiros sexuais ou afetivos ao mínimo, para o bem de todos os envolvidos na relação;

– Não é necessário deixar de beber, para quem gosta. Mesmo nos períodos mais restritivos, a proibição foi somente de venda e consumo de bebida em mercados e bares, e não do consumo pessoal de álcool. Se isso te faz feliz, compre sua bebida, leve para casa e beba o quanto quiser;

– Podemos, sim, fazer esportes. Apenas aqueles coletivos e que causam aglomerações com assistência pública estão proibidos. É possível correr, caminhar, andar de bicicleta e até mesmo frequentar academias, dentro das normas e com as cautelas previstas.

– Não precisamos entrar em lojas, padarias e mercados entupidos de gente. Se há muitas pessoas, procure outro ou retorne em outro momento. Na vida, urgências são exceções, e não a regra geral. Há inúmeros outros exemplos do mesmo gênero, mas paro por aqui.

O que não podemos é agir como se a Covid não existisse, como se não estivesse matando pessoas tão próximas de nós. Vamos aprender a conviver com as limitações e a inteligência necessárias, para evitar dores, retrocessos e para continuarmos vivos.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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