PIB e emprego no Brasil no 1º trimestre de 2021: número de desalentados cresceu

O número de desalentados no Brasil chegou a 6 milhões de trabalhadores no 1º trimestre de 2021, parte significativa está no total de desempregados que, neste 1º trimestre, chegou a 14,8 milhões de brasileiros.

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Pergunta-se: pode-se comemorar o aumento de 1,2% do PIB no 1º trimestre de 2021?

Claro que sim. Mas com uma ressalva. A melhora no PIB, especificamente neste trimestre, não é, necessariamente, sinal de que o conjunto macroeconômico vai bem.

A finalidade deste texto é analisar comparativamente o comportamento do PIB e do emprego no Brasil no 1º trimestre de 2021 com o 4º trimestre de 2020. Sendo o emprego um dos principais indicadores do padrão de bem-estar social, cabe investigar como este evoluiu em relação ao PIB.

O crescimento no PIB de 1,2% no 1º trimestre de 2021 foi alardeado pelo governo como bom andamento da economia.

Mas a questão mais importante é: o crescimento do PIB foi acompanhado do crescimento do emprego?[1] Se sim, em quais setores e sob qual modalidade do emprego?

Este crescimento de 1,2% foi comparativo ao 4º trimestre de 2020. Porém, no acumulado do ano de 2020, o PIB amargou uma queda de -4,1%. Nos últimos quatro trimestres – do 1º trimestre de 2021 ao 2º trimestre de 2020 – o PIB acumulou uma queda de 3,8%.

No conjunto da economia (setores público e privado), para a comparação com o mesmo período do PIB acima – 1º trimestre de 2021 com o 4º trimestre de 2020 – houve aumento do desemprego em -0,7%. Deste, o desemprego no setor privado foi de -1,5%; ainda no setor privado, os empregos com carteira assinada recuaram -1,1%, enquanto os empregos sem carteira assinada recuaram -3,0% (IBGE).

Enquanto a força de trabalho disponível cresceu, no mesmo período, +0,32%, a força de trabalho ocupada recuou -0,7. Por sua vez, a população desalentada na força de trabalho com 14 ou mais anos de idade, disponível para trabalhar, cresceu no período 0,1%, enquanto os desalentados fora da força de trabalho, ou seja, aqueles trabalhadores aptos para o trabalho mas que estão fora da força de trabalho, cresceu 0,2%. O número de desalentados no Brasil chegou a 6 milhões de trabalhadores no 1º trimestre de 2021, parte significativa está no total de desempregados que, neste 1º trimestre, chegou a 14,8 milhões de brasileiros.

Portanto, o aumento do PIB não foi acompanhado pelo aumento do emprego, muito menos com carteira assinada. Por outro lado, o aumento do desemprego vem a trazer em seu rastro, uma legião de brasileiros que desistiram de procurar emprego pelos mais variados motivos: idade, qualificação, problemas de saúde etc. Esses são os desalentados. Os dados do último trimestre e do ano de 2020 vêm a sinalizar o agravamento da precarização do trabalho no Brasil. As promessas de emprego da reforma trabalhista e da previdência – independente da pandemia – não tem se efetivado até então.

[1] Partimos do pressuposto que o crescimento do emprego implica automaticamente no aumento da renda em termos absolutos.

Sérgio Ricardo Ribeiro Lima é professor titular do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz.



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