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PM assassinado em Castelo Novo morreu na mesma data do pai, que também era militar; mãe está sob efeito de medicamentos

 

Adir tinha um canal no Youtube em que cantava e contava “causos”.

Exclusivo. BG entrevistou Marcos de Oliveira, irmão do soldado Adir.

Na manhã dessa quinta-feira (05), o BG entrou em contato, via telefone, com Marcos de Oliveira, irmão mais velho e padrinho do soldado da Polícia Militar, Adir de Oliveira (40 anos), morto a tiros no último domingo (01), no distrito de Castelo Novo, em Ilhéus.

Mesmo abalado e triste, Marcos gentilmente reuniu forças para falar do irmão, considerado por ele também como um “filho”. A diferença de idade entre os dois era de 10 anos. O soldado foi tirado da companhia de mais cinco irmãos (quatro homens e uma mulher).

Marcos conta que a notícia da morte de Adir chegou por meio de um telefonema do sobrinho, que acompanhava Adir naquela noite. “Meu tio, me acode, me acode!”, clamava o rapaz do outro lado da linha.

Diante do desespero causado pela tragédia, a preocupação incial foi com a mãe, de 70 anos,  que é técnica de enfermagem do município e sofre de depressão. “Ligamos para uma tia, que é enfermeira, para medicar a minha mãe antes de dar a notícia”, relatou.

A mãe de Adir continua à base de medicamentos, mas até mesmo para a surpresa de Marcos e outros familiares, conseguiu resolver algumas questões burocráticas e acompanhar o sepultamento do filho, na tarde da última segunda-feira (02). “No outro dia ela tava malzona, a gente pensou que ela não ia aguentar”, contou.

O pai de Adir, que também era militar, faleceu há 15 anos, na mesma data de sua morte, o dia 1 de agosto, que ficará duplamente marcado na família.

Adir de Oliveira.

O soldado da PM não tinha filho biológico, mas considerava o seu enteado como um, e dava toda a assistência ao garoto. Sua esposa é diretora de uma escola em Vitória da Conquista, local onde ela estava na noite de domingo. A cada folga no serviço, Adir viajava para ficar ao lado da companheira. Este, inclusive, era o seu plano para o dia seguinte, cancelado pelos criminosos.

Antes de ser um PM, Adir também seguiu os passos da mãe. Atuou como enfermeiro do município de Ilhéus. Ele se afastou temporariamente da função após optar pela carreira militar, mas tentava voltar a exercê-la.

Ele também era formado em educação física, estudante do curso de Direito na UESC, DJ em alguns momentos e “contador de causos” no Youtube, onde mantinha um canal chamado “Patorroko Fontes”, de conteúdo humorístico. “Contava umas piadas ruins, que só”, brinca de forma saudosa e emocionada o irmão mais velho.

Adir foi candidato a vereador de Ilhéus em 2020, pelo partido Republicanos.

O crime

Marcos conta que Adir estava em Castelo Novo acompanhado de amigos e de um sobrinho entusiasta de vaquejada. “Nesse dia ia ter um torneio [de futebol] e depois uma vaquejada”, explica. “Ai foi ficando tarde, os amigos foram embora e ficou ele e o meu sobrinho (…) ele ficou na casa de um amigo, que na época da eleição ajudou muito ele e o chamou pra comer uma caça”, detalha.

Segundo Marcos, baseado nos relatos que ouviu, o crime ocorreu quando Adir saiu da casa do amigo em busca de cerveja. Nesse momento, um grupo de criminosos rivais da facção do tráfico de drogas que domina em Castelo Novo teria conseguido tomar a sua arma pelas costas e feito os disparos.

Segundo informações do major Wesley Siqueira, comandante da 68ª CIPM, onde Adir era lotado, os criminosos identificaram que se tratava de um soldado e agiram de maneira “covarde”.

Dor

De acordo com o irmão mais velho, o sentimento é de um “vazio muito imenso no coração”. “A dor é grande. A dor é forte”, completa. Marcos afirmou que a família aguarda justiça com a conclusão das investigações.

O caso segue em apuração pelo Núcleo de Homicídios da 7ª COORPIN, em Ilhéus.

Abaixo, disponibilizamos vídeos do canal de Adir no Youtube.

 

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