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Letto Nicolau deixou a UFBA para formar jovens instrumentistas no Nelson Costa, revela o músico Délio Santiago

Letto Nicolau faleceu aos 60 anos. Foto do arquivo familiar.

O compositor e regente Letto Nicolau, falecido na noite de ontem (quarta, 11) após um infarto, deixou saudade entre os amigos que fez em Ilhéus.

Na manhã desta quinta-feira (12), o BG conversou com o bioquímico e músico Délio Santiago, amigo e parceiro musical de Letto.

Abalado com a perda, Délio conta que a amizade com Sebastião Nicolau (nome de batismo de Letto) surgiu na música, pouco tempo depois da chegada dele em Ilhéus nos anos 80.

Os dois dividiram o palco do Projeto Pixinguinha, realizado pela Funarte, que reunia artistas tanto locais como de projeção nacional.

Considerado por Délio um homem simples, Nicolau veio de São Paulo ainda jovem, acompanhando os pais, e criou raízes no, até então, recente bairro Nelson Costa, na zona sul da cidade.

A carreira profissional dele não iniciou na música, revela o amigo. Em São Paulo, Letto trabalhou na indústria, e em Ilhéus, reparava eletroeletrônicos. “Era muito bom em consertar televisões”, conta Délio.

Délio Santiago. Foto: BG.

Após o Pixinguinha, a dupla voltou a se encontrar musicalmente no Projeto Seis & Meia, iniciativa marcante lançada no final dos anos 80. Em parte desse período, Letto foi presidente da Fundação Cultural de Ilhéus e integrou uma espécie de “conselho” do novo projeto, junto com Délio e outros artistas da cidade.

Escola de música da UFBA e a criação da Filarmônica Capitania dos Ilhéos.

Entre as atividades desempenhadas em Ilhéus, Letto teve a proeza de dedicar parte do seu tempo ao curso de Composição e Regência, na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Contudo, quando estava próximo da conclusão, optou por se dedicar ao trabalho na Filarmônica Capitania dos Ilhéos (com “o”), instalada no Nelson Costa.

Délio conta que o projeto da Filarmônica surgiu durante os estudos de Letto em Salvador, por meio de uma parceria com um “doutor” (professor).

“Eles montaram um projeto chamado Casa das Filarmônicas, obtendo o patrocínio de uma fábrica de instrumentos musicais brasileira chamada Weril (…) com isso, o professor dele conseguiu um kit instrumental para a filamôrnica, que é formada por pelo menos 20 pessoas”.

Segundo Délio, o amigo Letto era bom educador e tinha facilidade para ensinar. “O mais indicado para quem estava começando”, garante. Mas o trabalho como educador ia além das notas musicais. O regente se orgulhava de proporcionar transformação social na vida dos jovens que integravam a Filarmônica.

“Ele era aquele que acompanhava, não deixava andar por caminhos errados, aquele professor que era pai também, sabe?”

Apicultor.

Após adquirir uma propriedade rural, Letto se dedicava ultimamente à criação de abelhas e à produção de mel. Com a marca Flor de Mel participou de feiras e exposições na região.

Leto e a dedicação à apicultura. Foto do arquivo familiar.

Legado artístico.

“Letto deixou um legado muito grande como músico, como pai de família e entre os amigos”, disse Délio. “As pessoas morrem, faz parte da vida. Mas quando perdemos um artista, perdemos também o conhecimento que ele tem. Seguramente está levando muito conhecimento para a sepultura. É muito ruim quando morre um mestre. Não tem substituto”, finalizou o amigo.

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