Entrevista com Monique Chiari, a moça que ficou nua na ponte: “eu só quero liberdade”

Monique Chiari. Fotos cedidas ao BG via Whatsapp.

No dia 01 de setembro deste ano, imagens de uma moça nua na Ponte Jorge Amado repercutiram bastante nas redes socias.

A nova ponte tem sido tratada como novo cartão postal de Ilhéus. Inegavelmente, o elo recém-construído mexeu com a autoestima da cidade e recuperou um pouco do orgulho, ainda abalado a partir da convicção (questionável) de atraso econômico local.

O vídeo que mostra a moça nua, de salto alto e de costas incorporou uma boa dose de erotismo à imagem da tão esperada segunda ponte. O lugar comum do progresso se misturou à sensualidade de uma mulher bela e corajosa, cuja motivação despertou a curiosidade do BG.

Ao ver a postagem deste blog sobre o vídeo, “a moça da ponte” questionou, por meio de uma rede social, o uso da palavra “misteriosa” no título. Afirmou não ter escondido sua identidade e expressou um pouco do espírito libertário que a motiva: “o corpo é meu, quis fazer e fiz”.

Na entrevista que gentilmente concedeu ao BG, Monique Chiari pediu que não informássemos sua idade. Nós aceitamos, mas pedimos que ela nos mostrasse um documento pessoal para termos certeza de que é adulta. Fomos atendidos e ela já atingiu a maioridade.

Monique Chiari defende com entusiasmo e convicção sua liberdade individual.  Explicou ter começado a publicar fotos para vencer a timidez que a reprimia. No início era uma maneira de empoderamento feminino, mas ao perceber que muitos homens interpretavam como um “convite ao sexo”, como se o corpo dela fosse um objeto disponível, descartou o uso do termo.

Monique Chiari. Foto: Instagram/reprodução,

“Eu tinha vergonha do meu corpo e a partir das fotos minha autoestima melhorou, pois me deixam feliz. Percebi que isso também influenciou outras mulheres”.

Sobre a relação com a ponte, explica: “Quando vi pela primeira vez achei linda. Fiquei impressionada e disse, vou fazer um vídeo nela”.

Monique pensou em desistir, mas uma amiga manteve a chama da coragem acesa.  No dia da gravação (1º de setembro), por volta das 23h30, foi de carro na companhia de dois amigos. No local da gravação, um amigo permaneceu no veículo, um pouco afastado, e outra gravou Monique com um celular.

“Esperei alguns carros e dois rapazes passarem. Ficamos só nos três. O clima estava ótimo e o vídeo ficou lindo!”.

Monique trabalha como atendente numa “lan house” de Ilhéus. Sua mãe já faleceu e ela não sabe por onde anda o pai. Tem um filho de 15 anos.

“Quando minha mãe era viva, eu já fazia fotos sensuais. Eu gosto da minha sensualidade e ela me apoiou. Quando gravei o vídeo na ponte, avisei meu filho para não me defender se alguém me xingasse na frente dele. Pedi para não ficar chateado. Não tive problemas com isso. Ele reagiu bem”.

Monique disse que não deseja levantar a bandeira do feminismo. “Qualquer atitude minha fora desse movimento pode ser questionada. Eu sei que nudez não é empoderamento feminino, mas eu gosto de me ver sensual, me faz bem”.

Ainda sobre o empoderamento da mulher, um dos objetivos do feminismo, opinou que lutar contra “testes de sofá”, por salários iguais para homens e mulheres e independência financeira são causas justas. Contudo, afirmou que sua nudez remete ao empoderamento pessoal. “Fazer o que tem vontade, sem fazer mal a ninguém, é liberdade independente do que as pessoas acham”.

O vídeo gerou alguns problemas. “Pensaram que sou garota de programa e muitos homens [nas redes sociais] me fizeram propostas absurdas e me xingaram. Bloqueio logo quem me ofende. Estou mais preparada, mas no começo foi difícil”.

Ainda sobre os efeitos negativos da exposição, relatou uma abordagem inadequada numa rua: “Um homem jogou o carro perto de mim e exigiu que eu passasse o WhatsApp. Não passei”.

Perguntada sobre a possibilidade de ganhar dinheiro com as imagens, ela disse que foi aconselhada a vender conteúdo adulto, mas logo desconsiderou a ideia. “Pra mim não faz sentido vender. Eu só quero expressar da melhor forma a minha sensualidade”. Não vou ganhar dinheiro, eu só quero liberdade”.

Antes do vídeo sensual na ponte, “chiari_monique” tinha 3.000 mil seguidores no Instagram. Após o compartilhamento nas redes, já passaram de 4 mil. Até o fechamento desta reportagem, havia 696 publicações sensuais. A disponibilização de novas imagens não ocorre diariamente.

As 35 tatuagens distribuídas pelo corpo facilitam a identificação da moça nas ruas. Com riso e satisfação ela conta, “Fui identificada no ponto de ônibus. Um homem me perguntou: ‘você é a moça da ponte?”. Outra vez, uma criança falou alto: ‘olha a moça da ponte!’.

Perguntamos se o número de tatuagens atingiu o limite. Monique disse que não. “Vou fazer outras. Amo tatuagens e fotos”.



7 responses to “Entrevista com Monique Chiari, a moça que ficou nua na ponte: “eu só quero liberdade”

  1. Leitor assíduo deste canal e de outros, e enojado pela matéria que promove o alienamento de pessoas voltadas para a sociedade Ilheense. A cidadã, tira toda a roupa na rua durante a filmagem de um videoclipe de cunho duvidoso e na entrevista discorre sobre o seu empoderamento, a matéria enaltece a promoção da liberdade feminina. E fazendo uma analogia, é mais fácil culpar um prefeito do que culpar 157 639 hab. Numa cidade que falta tudo, o nosso cartão postal é associado ao turismo sexual e apologia ao crime. Agora precisamos decidir o que queremos? O que percebi foi a conduta desordeira e o crime de ato obsceno, e por tais delitos deveria ser autuada. Basta um pouquinho de boa vontade e o mínimo de isenção para descobrir a postura da impressa que com a preocupação da autoestima do cidadão ilheense e atraso econômico traz a “Bela e a Corajosa Mulher” por ter ficado sem roupa em via pública. E se fosse um homem?

  2. Admiro a nudez feminina no âmbito da beleza inspiradora que a natureza nos legou. Lady Godiva, a Mama desnuda, a Vênus de Milo, o banho das ninfas, nunca foram objeto da lascívia sexual, nunca me instigou ao sexo como objeto a ser possuído. A beleza feminina e é algo que transcende ao instintos carnais. Bela muito bela, parabéns por defender sua liberdade.

  3. Imaginem se todas as pessoas da cidade resolvessem ficarem nuas em público,ou fazerem o que bem entendessem? Não,existem leis para punir esses atos,nada contra a mulher em questão.Mais existem leis,regas sociais,e nem ela e nem ninguém devem quebra las;Quer ficar nua,fique,mais no meio adequado!

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