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Exclusivo. “Deus me deu uma segunda chance”, desabafa mulher que quase morreu eletrocutada dentro do carro no Pontal

Empresária conta como foram os momentos de pânico. Fotos: a primeira é ilustrativa e a segunda de Alain Marcelo.

O BG entrevistou a mulher que quase perdeu a vida em Ilhéus devido ao péssimo estado da rede de energia elétrica da Coelba.

Na última sexta-feira (25), a empresária Kellen Borges (41 anos) teve seu automóvel Gol atingido por um cabo de alta tensão. O acidente aconteceu por volta das 16h, quando ela manobrava o veículo no estacionamento da antiga pizzaria Fun House, na Rua Laudelino Resende (antiga 13 de maio), no Pontal.

Kellen, empresária do ramo de Pet Shop, mora bem próxima ao local do acidente. Ela viveu uma hora (aproximadamente) de pânico dentro do carro, com medo de receber no corpo uma carga fatal de energia elétrica.

Quando estacionava, de repente ela começou a ouvir estalos bem fortes e viu que faíscas caíam no para-brisa. Logo em seguida, o cabo de alta tensão atingiu o veículo.

Kellen disse que a alta voltagem arrastou o carro para o meio da pista de asfalto. Em cima do teto, o cabo grudado continuou a fazer barulho e a soltar faíscas típicas de um grande curto circuito.

Kellen Borges (a vítima) é proprietária do Pet Shop “Cão com Sabão” que fica na Conquista. Foto copiada do Whatsapp.

Sem saber como agir e sentindo a morte a lhe rondar, ela pensou em sair do carro com medo de uma explosão. Ao baixar os vidros, ela viu um homem lhe gritando repetidamente: “Pelo amor de Deus, não desça, não desça. Fique aí dentro”. Após ouvir o pedido, ela desligou o carro e o celular.

Segundo Kellen, o autor da orientação se chama Glaucio. Ele estava acompanhado da esposa, (Aline) que também pediu calma e orientou que ela não tocasse nas partes metálicas do carro. Antes de o cabo arriar, o casal estava próximo, dentro de outro veículo. Eles presenciaram a pane na rede de energia elétrica da Coelba.

Kellen disse que Aline e Glaucio foram seus anjos da guarda. O casal, que não reside em Ilhéus, explicou que ela estava protegida pelos pneus, que naquele momento funcionavam como isolantes, ou seja, evitavam a propagação da carga elétrica.

O casal também evitou que a empresária agisse a partir das recomendações de outras testemunhas. “As pessoas estavam apavoradas. Algumas disseram que eu deveria sair, mas eles me convenceram a ficar”.

Depois de um tempo, cujos minutos a vítima não consegue precisar, um carro pequeno da Coelba chegou e isolou a área já com o trânsito parado.

Os funcionários da Coelba mantiveram a orientação de permanência no interior do automóvel. Segundo Kellen, só após a chegada de um caminhão da empresa, a rede de energia foi desligada e ela pode sair.

Ao deixar o carro, ela foi atendida por uma equipe do SAMU que mediu sua pressão arterial e conseguiu acalmá-la.

 

Filha única e pai com Mal de Parkinson.

 

Kellen é filha única do casal Margarete (63 anos) e José Borges (68). Seus pais estão separados há muitos anos, mas moram próximos. Ela dá atenção aos dois, principalmente ao pai que necessita de mais cuidados por sofrer com o Mal de Parkinson.

“Nos primeiros dias [após o acidente], minha mãe me olhava e chorava. Já meu pai teve uma reação tranquila, difícil de explicar, mas não dormiu bem. Nas duas primeiras noites eu também não consegui dormir”.

Kellen disse que passou a enxergar a vida de maneira bem diferente, sem se preocupar com coisas insignificantes. “O importante é viver bem e em paz”.

Pretende buscar seus direitos na justiça e vai exigir da Coelba o conserto do carro que está marcado com queimaduras. Porém ela ressalta. “Essas avarias não importam. Estou muito agradecida por estar viva. Deus me deu uma segunda chance”.

 

A versão da Coelba.

 

Em nota enviada ao BG no último domingo (27), a Coelba afirmou que o sistema de proteção da distribuidora atuou logo após o rompimento, “desenergizando” o cabo antes dele atingir o veículo.

“Para garantir a segurança dos profissionais durante a recomposição da fiação, a distribuidora desligou um trecho da região. As causas estão sendo investigadas”, informa o texto da Coelba.

 

Versão da Coelba não é verdadeira, segundo a vítima.

 

Kellen afirma que após o cabo atingir seu automóvel, o curto circuito continuou. As marcas pretas na pintura, de queimaduras, provam isso.

“Já que o cabo não passava mais energia, por qual motivo os primeiros funcionários da Coelba que chegaram na rua me orientaram a ficar no carro? Um funcionário da Coelba me disse que se uma pessoa tivesse andando por ali, morreria na hora”.

Depois do acidente, quando Kellen já havia deixado a ambulância do SAMU, um casal de idosos a procurou. Os dois se identificaram como moradores de uma casa que fica embaixo do ponto em que o cabo rompeu.

Disseram que têm o hábito de colocar cadeiras no passeio para sentar e olhar o movimento no final das tardes. O casal também sentiu a morte rondando. Segundo uma cabelereira, no mesmo dia, por volta das 14h, houve queda de energia.

Funcionários da Coelba disseram a Kellen que o supervisor da empesa entraria em contato. A vítima ainda não recebeu a ligação.

Faixa da Associação de Moradores do Hernani Sá, colocada em novembro de 2021, contra as quedas de energia. Foto: BG.

 

CPI da Coelba pode ser instalada na ALBA.

 

A Coelba é motivo de insatisfação em vários municípios da Bahia. A empresa é acusada de fazer investimentos baixos e de não renovar suas redes de distribuição.

Os juizados de defesa do consumidor, pela Bahia afora, estão repletos de ações movidas por clientes prejudicados pela Coelba. A maioria dos processos se refere a aparelhos danificados.

Em julho de 2021, Marcos Gomes (49 anos) morreu eletrocutado no Alto da Conquista (veja aqui). Um galho de árvore derrubou um fio de alta tensão, que atingiu o pedestre desavisado. A Coelba tem a responsabilidade de podar as árvores. Em agosto do mesmo ano, um transformador explodiu e causou um incêndio em dois carros, na zona sul de Ilhéus (relembre).

Quedas de energia acontecem quase todos os dias em Ilhéus. A Associação de Moradores do Hernani Sá já fez campanha em protesto.

Enquanto isso, deputados estaduais tentam instalar a CPI da Coelba. Parlamentares contrários tentam abafá-la e o legislativo baiano não tem a tradição de promover grandes investigações.

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Uma resposta

  1. Lamentável que a distribuidora sustente uma versão que a vítima e as testemunhas contestam com evidências. As redes aéreas de alta tensão são construídas em cabos nús (sem isolamento) e causam centenas de vítimas todos os anos. Apesar de constar no site da ANEEL (http://bit.ly/2AK49RL), ela não toma providências para evitar novos “acidentes”.

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