Notinhas.

Senador comparou gulodice política com hegemonia étnica-racial.
Em entrevista à rádio 95 FM de Jequié, nessa quarta-feira (23), o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) fez uma das declarações mais infelizes da política baiana recente.
Ao criticar a tentativa do PT de ocupar as três principais vagas na chapa das eleições majoritárias, em 2026, Coronel comparou o projeto político do PT ao “nazismo”, mencionando a ideia eugenista de “raça pura” usada por Adolf Hitler.
A analogia é historicamente incorreta e moralmente desastrosa.
O projeto nazista tinha como base a supremacia da chamada “raça ariana” e levou ao genocídio milhões de judeus, ciganos, negros, pessoas com deficiência e outros grupos.
Já o projeto político do PT na Bahia, por mais personalista ou hegemonista que se mostre, nada tem de étnico-racial.
A fala do senador ignora esse fato elementar. É ainda mais absurda quando se leva em conta que o senador Jaques Wagner, um dos nomes centrais do PT baiano, se reconhece como judeu, e que o governador Jerônimo Rodrigues se declara indígena.
É preciso frisar: discordâncias políticas são parte do jogo democrático, mas não devem ser expressas por meio de comparações grotescas com regimes totalitários que promoveram o extermínio em massa.
A crítica pode e deve ser feita, inclusive à possível tentativa do PT de concentrar o controle da chapa majoritária de 2026, o que soa como um gesto de gula política. Mas classificá-la como projeto de “raça pura” é mais do que erro — é desinformação perigosa.
A fala de Coronel foi reproduzida no site de o Correio. O jornalismo não pode servir apenas de eco para esse tipo de discurso. É necessário o contraditório, o contexto e, sobretudo, o compromisso com a verdade histórica.









