Por José Henrique Abobreira/Estórias do Fisco
Ainda sob o efeito do impacto causado pela morte do querido colega Antonio Carlos Bahiense, resolvi relembrar um episódio que vivemos na nossa carreira funcional. Ele era inspetor da Infaz Itabuna, onde eu estava lotado.
Bahiense foi profundo conhecedor das histórias do fisco baiano. Rodou esse estado todo exercendo funções diversas a serviço da Sefaz. Não perdia o humor peculiar. Era gozador e contador de causos engraçados ocorridos com colegas.
Já tínhamos programado, eu e o Marcão – Marco Porto Carmo, um bate-papo com o querido colega Bahiense para anotar as muitas estórias do Fisco que ele detinha na memória. Só que dessa vez eu iria transformar esses contos orais em escrita, aqui nesse espaço generoso do Blog do Gusmão, para depois publicarmos um livro sobre esses episódios engraçados. A morte fria e traiçoeira chegou antes do nosso intento.
Tínhamos uma relação de amizade respeitosa e fraterna, embora no campo da política rolasse frequentemente um curto circuito (risos), mas nada que nublasse nossa estima e admiração mútuas.
Pois bem, vamos à nossa estória em homenagem ao colega.
Estava no posto fiscal de Buerarema quando recebi a orientação do inspetor Bahiense para fazer blitze nos ramais de acesso às cidades ao longo da BR 101. Queria combater a sonegação de impostos de cargas transportadas sem notas por vias secundárias. No meio de uma tarde calorenta, na estrada empoeirada do acesso à cidade de Arataca, retivemos uma boiada que transitava sem a guia fiscal.
Quando abordei o vaqueiro, respondeu que os bois eram de um grande empresário da área rural. Lavrei o termo de apreensão e deixei a boiada apreendida na manga da fazenda Aliança (vejam os senhores as coisas do destino, isso ocorreu em 91 e 4 anos depois eu voltaria a essa mesma fazenda, dessa vez já como vereador, na solenidade de imissão de posse do Assentamento Terra Vista, o primeiro assentamento do Movimento dos Sem Terra legalizado na região cacaueira).
No dia seguinte dirigi-me ao escritório da empresa em Itabuna e me colocaram em contato com o diretor que se encontrava no Rio de Janeiro. Ao relatar na ligação o ocorrido, aquele senhor reclamou que eu estava interrompendo o final de tarde dele em Copacabana (na certa um happy hour no COPA), que não pagaria o imposto devido e que tomaria providências.
Macaco escaldado nas lides fiscais, sabia o que significavam aquelas providências: tentativa de interferência política nas esferas superiores para anular a ação e desmoralizar nossos esforços.
Me dirigi à repartição. Lavrei o auto de infração fundamentando a ação de apreensão fiscal e solicitei ao inspetor que intimasse o faltoso por AR, pois a empresa se recusara a assinar o documento.
Eu só não contava com a noção de que o homi era proprietário de um jornal de circulação na região cacaueira. Dias depois Bahiense me chamou ao gabinete e, sorrindo, indagou:
– Rapaz, que zorra é essa?
Me entregou um jornal com um editorial furibundo desancando o fisco. O texto chamou a atitude do fiscal Abobreira de arbitrária e violenta. Declarou que a Bahia estava de volta aos tempos do arrocho fiscal da ditadura e coisas que tais.
Sem querer, o editorial teve o efeito contrário aos olhos da sociedade e da administração como um todo: passou o recibo de que éramos cumpridores fiéis do desiderato funcional.
José Henrique Abobreira é auditor da receita e colunista do Blog do Gusmão. Foi vice-prefeito e vereador de Ilhéus.










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Tive o imenso prazer de conhecer essa fantástica pessoa há mais ou menos dez anos, foi uma amizade intensa e pude conviver com ele inúmeros e eternos momentos de muitas alegrias, e mesmo quando foi acometido de uma doença, um período em que eu acompanhei desde o início até o seu desencarne, jamais a tristeza esteve presente, em momento algum a sua fé em Deus e em seu ” padrinho ” Santo Antônio, ao qual ele fazia sua sagrada romaria todos os anos à Jequié, sua terra natal e que tinha Santo Antônio como padroeiro, foram abaladas, e lhe deram muitas forças durante essa fase.
Tenho muito orgulho de tê-lo conhecido e aprendido com ele muitas lições de vida, principalmente no quesito ” CARÁTER “. Homem de grande honestidade, retidão, bondade e respeito ao próximo. Jamais esquecerei nossos inúmeros finais de semana e até mesmo qualquer dia da semana, quando ele inventava um motivo qualquer para comemorar e tomarmos nossa cervejinha gelada e bater um bom papo, sempre regado à alguns causos acontecidos ao longo de sua vida profissional e privada, quando, na maioria das vezes, ele narrava contos e fatos que marcaram sua vida, geralmente engraçados. Jamais esquecerei o seu ‘ TAMBÉM ACHO ‘, quando concordava com algo que dizíamos. Em sua última visita a Ilhéus, pois estava morando mais em Jequié e próximo aos seus familiares, a fez de surpresa, e nós, eu e um morador do mesmo condomínio no qual ele manteve até o final de sua vida, um apartamento locado só para visitas como esta, indagamos qual o motivo da mesma, e ele como sempre sorrindo, disse que viera só para trazer uma garrafa de vinho para nos presentear, batemos muitos papos e ele foi embora no outro dia. Viera se despedir de nós, ainda que nem ele, nem nós, sabíamos que era nosso último encontro e só nos falaríamos por telefone. Espero um dia ter coragem de abrir a garrafa desse vinho e apreciar seu sabor, pois era uma qualidade peculiar de BAHIENSE, sempre lembrar-se das datas festivas, principalmente aniversários de pessoas por ele queridas e presenteá-las sempre, mais sempre com presentes de grande qualidade.
Não pude chorar sua partida, pois jamais lembrarei dele com tristeza, e sei que durante sua passagem entre todos nós um exemplo nos foi passado, que a ida é breve e por isso devíamos vivê-la intensamente, tal qual ele viveu. QUE O MUNDO ESPIRITUAL RECEBA-O COM A MESMA BONDADE À QUAL ELE DISPENSOU A TODOS NÓS. Espero reencontrá-lo um dia meu amigo, pois você foi uma dessas pessoas que só tinha coisas boas a nos ensinar. Fique com Deus BAHIENSE.
Parabéns Abobreira pela iniciativa. Bahiense era um homem de inúmeras qualidades, tenho ele como uma referência de caráter. Amigo atencioso, prestativo e sincero. Creio que o comentário do Sr. Romilson, robustece a homenagem feita por esse homem, que também é um exemplo de retidão de caráter e lealdade, nosso colega e amigo JOSÉ HENRIQUE SANTOS ABOBREIRA.