O desgaste e descarte do professor em tempos de barbárie pandêmica

Não quero expor as contradições da educação brasileira, mas pretendo refletir acerca do qual os professores – elemento fundamental para o êxito de qualquer sistema educacional – têm sito reiteradamente violentados. Na educação privada ou pública, docente que demoraram de se adaptar ao uso das ferramentas tecnológicas que tornam possível o ensino à distância está sendo sumariamente demitidos.

Por Caio Pinheiro.

Caminhamos para o segundo ano do estado pandêmico. Mortes, deteriorização do sistema econômico, precarização das condições sociais e retrocesso na garantia de direitos fundamentais, definem o quadro pintado pela Covid-19. De norte a sul e de leste a oeste as queixas e lamúrias são comuns. Contudo, a decisão de como enfrentar esse estado de coisas traz à tona o fato de alguns países terem optado pela barbárie e outros por aprofundarem seus fundamentos civilizatórios.

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PIB e emprego no Brasil no 1º trimestre de 2021: número de desalentados cresceu

O número de desalentados no Brasil chegou a 6 milhões de trabalhadores no 1º trimestre de 2021, parte significativa está no total de desempregados que, neste 1º trimestre, chegou a 14,8 milhões de brasileiros.

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Pergunta-se: pode-se comemorar o aumento de 1,2% do PIB no 1º trimestre de 2021?

Claro que sim. Mas com uma ressalva. A melhora no PIB, especificamente neste trimestre, não é, necessariamente, sinal de que o conjunto macroeconômico vai bem.

A finalidade deste texto é analisar comparativamente o comportamento do PIB e do emprego no Brasil no 1º trimestre de 2021 com o 4º trimestre de 2020. Sendo o emprego um dos principais indicadores do padrão de bem-estar social, cabe investigar como este evoluiu em relação ao PIB.

O crescimento no PIB de 1,2% no 1º trimestre de 2021 foi alardeado pelo governo como bom andamento da economia.

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Dormindo com o inimigo – Nós e a Covid-19

Não precisamos namorar todo mundo loucamente, praticando todo o tipo de intimidade. Se pode viver bem reduzindo parceiros sexuais ou afetivos ao mínimo, para o bem de todos os envolvidos na relação.

Por Júlio Gomes.

Passados cerca de um ano e meio de presença diária e ininterrupta da Covid em nossas vidas e mais de 460.000 mortes no Brasil – 475 delas ocorridas em Ilhéus até o dia 02/06/2021 – era de se esperar que tivéssemos aprendido algumas lições, inclusive como lidar com estes fatos de forma menos gravosa, evitando problemas e situações de maior risco. Mas parece que, para grande número de pessoas, isto não ocorreu.

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Cai mais um bastião no Alto do Beco do Fuxico

Em boteco não se fala em preço e sim em valor, em que o custo-benefício não se mede pelo número de prestações ou centavos de diferença, mas sim pelo serviço prestado, a intimidade do personal-boteco, dos tira-gostos e temperatura ideal da cerveja. Existem os mais exigentes, aqueles que não dispensam sentar à mesa e já ser atendido com a cachacinha de sempre, mesmo sem ter pedido.

 

Por Walmir Rosário.

É da minha natureza ficar indignado! Não sei se por defeito de fabricação ou simples estilo de viver, quem sabe de tanto presenciar fatos e ações que não são do meu feitio e, deveras, provoca minha indignação. Todo esse desgosto por uma simples postagem no Whatsapp feita pelo amigo Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), dando ciência que a Confraria do Alto Beco do Fuxico teria chegado ao fim.

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O caso Thaís Carvalho: a luta antirracista para além das #

Prestes a se graduar em Enfermagem pela Faculdade de Ilhéus – instituição localizada em Ilhéus-Ba -, a estudante se voluntariou para participar da campanha de imunização contra a Covid-19 promovida pela Secretaria de Saúde do município. Decisão altruísta, digna de referências elogiosas, mas que quase foi interrompida pela chaga do racismo.

Por Caio Ribeiro e Mirian Santos.

Está na ordem do dia medir a importância de um acontecimento pelo seu nível de repercussão nas redes sociais. Para a comunidade do ciberespaço, se repercutiu no ambiente virtual, é importante. Contudo, essa repercussão em muitos casos não implica que dado acontecimento será capaz de alterar posturas e promover a reavaliação de valores, que de tão arraigados já foram naturalizados, necessitando para serem desnaturalizá-los de ações que possam ir além do seu noticiamento bombástico.

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A sombria arte negacionista: como chegamos a 425 mil mortos?

Algo anda muito mal seu Zé! Parece que vivemos o avesso da civilidade. Falar de justiça social, distribuição de renda, democracia, liberdade de imprensa e coisas do tipo, equivale para alguns defender uma política de extermínio.

Por Caio Ribeiro.

Vivemos tempos onde a lucidez virou características rara. Às vezes, mesmo que tente redirecionar o pensamento, é impossível não concluir que a irracionalidade virou padrão. Como nos mitos, a ficção pretende ser realidade. Daí os que ousam questionar as mentiras tomadas por verdades, hoje são acusados de crime de lesa-pátria. Agora, caso defenda a vacinação, questione a incompetência do governo federal na compra das vacinas, valorize a ciência e combata o negacionismo, lamento informar, mas sua vida pode estar em perigo.

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Da ciência ao porão de navios

O que há anos promovem contra a Ceplac é um crime de lesa-pátria. Não matam apenas a instituição, mas a economia e a dignidade das populações das regiões cacaueiras, que já sofrem com a falta de uma política para esse importante segmento.

Por Walmir Rosário.

O título desta crônica nos remete ao hediondo período da escravidão, em que pessoas eram condenadas ao degredo simplesmente por discordar do ponto de vista dos governantes daquela época. O Brasil e outros países vivenciaram esse crime contra a humanidade desde sua formação, mas como o costume do cachimbo deixa a boca torta, esse ato repulsivo continua entre nós até hoje. Mudou-se apenas a metodologia.

Caso mais recente entre nós grapiúnas foi o que aconteceu na Ceplac com a repulsiva decisão do diretor-geral da Ceplac, Waldeck Pinto de Araújo Junior, ao exonerar o cientista Raul Valle do cargo de diretor do Centro de Pesquisas do Cacau da Comissão Executiva Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Ainda por cima comunicou a decisão via telefone, atitude estranha aos princípios da administração pública. Um simples ato de provocação. (mais…)

Uma ferrovia e porto para que, na Bahia do século XXI?

O desperdício, marca deste projeto logístico, é emblemático para uma era da humanidade no qual todas as evidências recomendam a cautela e o uso criterioso dos recursos cada vez mais escassos do planeta.

Por Rui Barbosa da Rocha, publicado na Folha de São Paulo no dia 08/04/2021.

Com a população indo para 8 bilhões de pessoas e a demanda por recursos crescendo anualmente, não é de se estranhar que projetos de infraestrutura sejam vistos como fundamentais no fluxo de bens primários, notadamente no Brasil, África e Ásia. Em 2008, o Governo da Bahia anunciou um complexo logístico inspirado nas oportunidades das commodities minerais e agrícolas – o Complexo Porto Sul. Para gerar riquezas e reduzir o custo Brasil, a solução foi conceber algo, que, pasmem, poderá destruir o que está no caminho e ignorar o que já existia de infraestrutura e planejamento existentes. O desperdício é um produto de exportação?

Quando o Porto Sul foi apresentado à sociedade com muita propaganda, a partir de 2009, a promessa era de gerar 30 mil empregos e alavancar o desenvolvimento do Sul da Bahia, do semiárido e do cerrado brasileiro. De Figueirópolis, em Tocantins, a Ilhéus, na Costa do Cacau, uma ferrovia de integração Oeste Leste associada a um porto off shore e a uma mina em Caetité dariam o fôlego bilionário para o desenvolvimento baiano e brasileiro. O desenho pareceu convincente e lógico. (mais…)

Psicólogo afirma não ter visto surto psicótico no soldado Wesley e cita a possibilidade de síndrome de Burnout

Imagem extraída de vídeo.

Em artigo publicado no Instagram e enviado também ao BG, o psicólogo Gustavo Pestana discorda de que o soldado Wesley Góes, morto no último domingo (28) no Farol da Barra, estava sob surto psicótico.

A análise de Pestana não diz respeito ao acirramento político que divide o país. Leia. (mais…)

A comemoração do golpe de 1964 e as mortes por Covid

Definitivamente, a loucura chegou ao poder, e parece não ter mais limites.

Por Julio Gomes.

Com os militares ocupando cada vez mais cargos na estrutura governamental brasileira e encontrando-se na presidência e na vice-presidência da república, respectivamente, um capitão e um general do Exército, ganha importância ainda maior o que ocorre nos meios militares, por sua influência direta sobre a sociedade brasileira como um todo. (mais…)

Zito Baú deixa um exemplo de vida

No time de Zito Baú, aos jogadores não bastavam saber defender, construir, atacar e fazer gols. Eles tinham que saber driblar as adversidades da vida, aprender a construir uma vida sólida.

Por Walmir Rosário.

A ninguém é dado ao direito de desconhecer as mudanças em nossas vidas, por mais que possamos rejeitá-las, pois, na esmagadora maioria das vezes, elas não depende ou ocorrem da nossa finita vontade. As que não nos dizem respeito, apenas acompanhamos pela leitura dos meios de comunicação; outras, as que nos atingem, sejam no plano físico ou espiritual, nos regozijamos ou choramos. É da vida.

E é justamente quando essa mudança extingue a vida que não nos conformamos, embora tenhamos plena consciência de que nada poderemos fazer para mudar o evento morte, restando, no entanto, consolar a família e os amigos com orações. E foi justamente o que fizemos nesta quarta-feira (31), na celebração da Santa Missa de 7º Dia em homenagem à alma do amigo José de Oliveira Santana, na Igreja de N. S. da Conceição, em Itabuna. (mais…)

Será que teria mesmo de ser desse jeito?

Talvez a vontade de Deus – que ninguém conhece – seja a de que, em contato com a Covid, venhamos a modificar nossos valores, nossas atitudes e nossas vidas para melhor.

Por Julio Gomes.

Tenho visto muitas pessoas dizerem, acerca das pessoas que temos perdido vitimadas pela Covid-19, que se elas se foram isso foi a vontade de Deus, e que nada poderia mudar isso. Mas cabe aqui uma pergunta: quem conhece qual é a vontade de Deus?

Pode ser que o Altíssimo tenha colocado em seus desígnios que uma pessoa venha a morrer de uma determinada forma? Sim, pode.

Pode ser também que seja da vontade do Senhor que passemos por determinada dificuldade ou prova e que, a partir da forma como venhamos a lidar com isto, o resultado final dependa de nossas atitudes? Também pode! (mais…)

O Haroldo Lima que eu conheci: da estadualização da FESPI à criação da UESC

E quando tudo isso passar haveremos de fazer uma grande homenagem a este homem público imprescindível.

Por Élvio Magalhães.

Para José Junseira e Adnaelson Amparo, “emarquianos uesquianos”.

Numa madrugada de inverno de 1986, a pequena célula “emarquiana” do PCdoB iria fazer sua primeira ação eleitoral: colar nos alojamentos masculinos a propaganda de Haroldo Lima para deputado federal. Balde, soda cáustica, farinha de trigo, vassoura. Ainda guardo no rosto respingo da cola e a cicatriz da ferida e no coração os tempos idos de descoberta e rebeldia.

Na EMARC-UR me fiz comunista, entre leituras amadianas e artigos de Haroldo, àquele deputado, líder do PCdoB, que emergia da clandestinidade, como fêix, após vinte anos de arbítrio de uma ditadura militar feroz e implacável, que espancou, torturou, assassinou, prendeu e baniu. (mais…)

Fé e ação positiva

Ter fé não pode significar largar nas mãos de Deus aquilo que cabe a nós fazer.

Por Julio Gomes.

Pessoa sempre muito alegre, extrovertido, que conheci ainda em minha juventude, há cerca de 30 anos atrás, ele seguiu um caminho que se parece com o de muitas pessoas: arrumou um emprego, casou-se, teve filhos (não necessariamente nesta ordem), os criou e, após vivenciar as boas e más experiências que a vida coloca diante de todos nós, tornou-se cristão, já na idade mais madura, após cruzar a fronteira dos cinquenta anos.

Aposentou-se e, seguindo o ritmo das mudanças que a biologia provoca em nosso organismo, aquietou-se quanto às aventuras amorosas, voltando-se para o casamento e, talvez um pouco tardiamente, para os filhos, que sempre proveu materialmente, mas a quem sempre achamos que deveríamos ter dado mais atenção, mais presença, mais amor.

Foi nesse ínterim de sua vida que a pandemia chegou no Brasil, preocupante para uns, uma gripezinha para outros. (mais…)

Covid-19: o que é necessário fazer, mesmo que não agrade

Não é o que gostaríamos, mas é, neste momento, simplesmente imprescindível.

Por Julio Gomes.

Nesta semana do mês de março, no espaço de apenas 24 horas, ocorreram três mortes por Covid-19 que, pelo simbolismo que carregam, nos remetem a reflexões mais amplas sobre o que está acontecendo no Brasil atual.

Antes de entrar no tema principal deste texto, faço um esclarecimento necessário: lamento profunda e sinceramente os três falecimentos que comentarei, que ocorreram em famílias de pessoas que não conheço pessoalmente, mas que poderiam ter acontecido em minha própria família, e também por isso tratarei desta questão com o máximo respeito. (mais…)