Por Mohammad Jamal
A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor…
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha…
Flor da Idade, do Chico.
Foi lendo esta semana o texto abaixo da manchete no Blog Agravo: “Ilhéus: Jabes pede empenho de cargos comissionados para a eleição de Rui Costa”, que me veio à mente esses versos do Chico Buarque, acima. Tal como diria alguém que mantém às suas expensas um imenso contingente de serviçais volíveis à sua vontade e decisão; como o fato. O “emprego em cargo comissionado”, mesmo sendo temporário e susceptível aos diversos fatores de ordem política e humoral dos empregadores, ainda assim, é uma fonte de renda bem importante numa cidade onde milhares carecem emprego formal, mas não o encontram. E quando por milagre alguém encontra um “empreguinho”, a lei da oferta e da procura interfere insidiosamente em desvalor do salário a ser auferido; porque há excessiva oferta de mão de obra e exagerada demanda por emprego. Na maioria das vezes é só um pingado Salário Mínimo mesmo, e olhe lá!
Mas não pretendo expor aqui e agora com limitações, o meu estranhamento sobre o pouco que entendo das susceptibilidades alienantes dos “empregos de favor”, que incidem inescapáveis sobre os favorecidos empregados nomeados, não. Isso é lugar comum. Quem não sabe que a submissão dos ocupantes de “cargos comissionados; de confiança”, sofre a metamorfose que implicitamente os converte em claque; plateia, bobos da corte e expiatório à mercê da volúpia de poder dos astros-chefes desse mafuá político-empregador? Porque chamar de circo ofende a arte centenária do teatro e da pantomima circense. Fala sério Vai!
A minha curiosidade é aguçada pelo entendimento do que alguns ensaístas chamam de die Gründe “das razões”. As “razões” que impelem as ações de neoadventícios ou pleiteantes à recondução aos abastados cargos no sistema político do Estado brasileiro. Claro, estou-me atendo ao anacronismo; à obtusidade e até à inutilidade gritante que envolve a grande maioria nessas tais “ações”, implementadas a partir das cabecinhas de alguns chefes de mafuás políticos ao nível dos currais do coletivizado municipal, restringidos à alternativa da dupla escolha no – é nesse ou aquele? Os ocupantes dos Cargos de Confiança são os primeiros a serem mobilizados. O pau come pra cima deles.
A minha limitada vocabularização faz-me recorrer ao apoio de alguns expoentes clássicos na literatura; na música e no repente, para ilustrar aquilo que tento colocar em letrinhas para aqueles poucos que se dão ao trabalho de ler-me nas incongruências publicadas aqui. Senão vejamos: Onde estão os “marqueteiros” desse pleito? Supostos alquimistas que se presumem capazes de manipular o arsênico; o tetrahidrocanabiol, a opinião pública, colocando esta última a favor daqueles que lhes remunerem a peso de ouro? Falta dinheiro? Que nada. Nunca na história político-circense das campanhas eleitorais ouviu-se falar em tamanha fartura do vil metal. O mal estar; o desconforto e, certa indignação no âmbito do imaginário coletivo do eleitorado e sua baixíssima motivação para com o votar possivelmente estejam incutindo inseguranças, temores e alguma precaução financeiro-pecuniária com relação aos “investimentos” maciços aplicados às campanhas políticas. Há um imensurável descrédito finalmente demonstrado pelo eleitor chocado por tantos escândalos envolvendo a política no Brasil.
Talvez por razões econômicas, os candidatos a quem nos foi dado o sublime privilégio de escolher, independente de fichas-sujas ou recém-lavadas, estejam apelando ao baixo custo das “razões” parentais, dentre outras de ordem afetiva; de relações semiestáveis, etc. para “avalizarem” com o endosso necessário às suas condutas no futuro exercício do mandato pretendido. Porquanto as suas “heranças” pregressas onde constariam as ações dos mandatos anteriores não serão suficientes para sustentar o murídeo calunga no mandato ulterior. E a antologia; o “extrato” da conta administrativa e/ou legislativa; o trabalho a bem do povo? O parafraseado fantasioso faz o candidato parecer um curcúlio num paiol de milho não fumigado! “_ Se Nega for dona da base e meu apoiador for Dido; minha eleição está garantida!”
Mas voltemos aos nossos amigos instalados em “cargos de Confiança”. Alijados dos seus sentimentos; da autoestima; do amor próprio, porque sob o fardo das necessidades de subsistência submetem-se cativos a essas “chupadas de tutano”, hirtos de pavor ante o risco de perder essa boquinha caso não atinjam as metas pretendidas pelo patrão, na captação de votos no corpo-a-corpo; porta a porta; parentes; aderentes e amigos. Porque ideologia é coisa obsoleta, figura de retórica linguística a que se converteram as bandeiras libertárias desde Demócrito; Emmanuel Kant; Bakunin…
Dá dó! Receba com cordialidade e ajude o Servidor Público de cargo de confiança. Conceda-lhe o voto prometido! Ele tem família, filhos na escola, sogra doente em casa e aquele cunhado dependente químico… Há exagerada pressão exercida sobre eles a ponto de alguns desenvolverem crises da síndrome do pânico e até falarem em suicídio; um sofrimento atroz que a todos penaliza! Afinal, nada vai mudar na conduta ou no status político democrático brasileiro, onde clientelismo predominante é reconhecidamente o elemento impulsor do promíscuo axioma – é dando que se recebe! O pau está comendo solto lá no palácio em cima dos Cargos de Confiança! Dê; dê seu voto, mas prefira o receber à contrapartida na forma da graça de Deus, viu!
“Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha…”.









Uma resposta
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