Entrevista com Monique Chiari, a moça que ficou nua na ponte: “eu só quero liberdade”

Monique Chiari. Fotos cedidas ao BG via Whatsapp.

No dia 01 de setembro deste ano, imagens de uma moça nua na Ponte Jorge Amado repercutiram bastante nas redes socias.

A nova ponte tem sido tratada como novo cartão postal de Ilhéus. Inegavelmente, o elo recém-construído mexeu com a autoestima da cidade e recuperou um pouco do orgulho, ainda abalado a partir da convicção (questionável) de atraso econômico local.

O vídeo que mostra a moça nua, de salto alto e de costas incorporou uma boa dose de erotismo à imagem da tão esperada segunda ponte. O lugar comum do progresso se misturou à sensualidade de uma mulher bela e corajosa, cuja motivação despertou a curiosidade do BG.

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“Na pandemia, ou eu executo ou paro para apresentar o que vou fazer”, explica a secretária de saúde de Itabuna

Lívia Mendes, secretária de saúde de Itabuna. Foto: Whatsaap.

A secretária de saúde de Itabuna, a médica Lívia Mendes, conversou com o BG sobre os primeiros 50 dias de sua gestão.

Apesar do pouco tempo e do período caótico devido à pandemia da Covid-19, na última quinta-feira (18), o desempenho de Lívia foi duramente criticado pelo vereador e líder do governo na câmara, Manoel Porfírio (PT). Parte da opinião pública considerou os questionamentos do parlamentar apressados e fora da cordialidade habitual (veja as declarações de Porfírio).

Lívia Mendes mora em Itabuna há 12 anos onde atua como médica cirurgiã e vive sua primeira experiência na gestão pública. Disse que os primeiros dias à frente da pasta foram dedicados à organização dos processos internos, das compras, do almoxarifado e ao planejamento das reformas dos postos de saúde. Irregularidades na folha de pagamento foram corrigidas, a exemplo de benefícios não justificados para alguns servidores. Além das questões internas, a atenção também foi direcionada ao fluxo de atendimentos nos hospitais e à imunização contra a Covid-19.

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Blog do Gusmão entrevista o ex-prefeito Jabes Ribeiro hoje às 17h30

Jabes Ribeiro.

Logo mais às 17h30, o BG vai entrevistar o ex-prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro.

A conversa será transmitida ao vivo pela fanpage do BG (Facebook) e no próprio site.

Os temas serão: as eleições municipais de Ilhéus; o desempenho dos candidatos a prefeito e a situação administrativa da cidade.

Poema da Resistência” discute daqui a pouco o desenvolvimento e o mercado de trabalho de Ilhéus

Sérgio Lima e Emílio Gusmão.

O repórter e editor do BG, Emílio Gusmão, vai entrevistar daqui a pouco, a partir das 19h, o economista e professor da UESC, Sérgio Lima. A live será transmitida pelo canal do blog no Youtube e na fanpage do Facebook.

Sérgio Lima coordena o Boletim de Conjuntura Econômica e Social, publicação realizada pela UESC a cada três meses.

Os temas da conversa serão: o exemplo histórico do “New Deal”, que aconteceu a partir de 1933, nos EUA. Atolado numa crise profunda, o governo norte-americano decidiu investir pesadamente no reaquecimento da economia por meio dos setores produtivos e da distribuição de renda;  o mercado de trabalho no sul da Bahia e a 4ª revolução industrial; e alguns poemas.

Quem não puder assistir ao vivo, terá o episódio à disposição no BG, no canal do Youtube e na fanpage.

Em entrevista, ex-secretário de saúde de Itabuna critica Fábio Vilas-Boas e elogia Fernando Gomes

Uildison Nascimento. (Foto: Na Chapa Quente)

Do Ilhéus Comércio:

No dia 10 de junho, uma quarta-feira, Uildson Nascimento descobriu por meio da imprensa que o prefeito Fernando Gomes decidiu retirá-lo do comando da Secretaria Municipal de Saúde em plena pandemia de Covid-19.

A notícia se confirmou. Dois depois, estava encerrada sua passagem de quase nove meses pelo governo de Itabuna. Fernando o substituiu por Juvenal Maynart.

Técnico em contabilidade, Uildson Nascimento tem larga experiência na administração pública. Já comandou a Secretaria de Saúde de Ilhéus (2011) e a Secretaria de Planejamento de Ubaitaba (2017-2018). Também ocupou outros cargos nas prefeituras de Ilhéus e de Itabuna.

Na entrevista abaixo, ele fala da experiência de trabalhar com o prefeito Fernando Gomes e elogia o mandatário. Por outro lado, critica as escolhas do secretário de saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, na gestão da crise do novo coronavírus. Também destaca os pontos positivos do seu trabalho à frente da Secretaria de Saúde de Itabuna. Leia.

Você enfrentou muitas dificuldades no início do trabalho na secretaria?

O início foi tumultuado e complicado. Encontramos uma equipe desmotivada e uma rede desorganizada. Faltavam materiais básicos no almoxarifado, como esparadrapos e gazes. Os secretários que me antecederam não fizeram bem o dever de casa. Tomaram decisões equivocadas. Uma dessas decisões, que culminou em diversos problemas, foi fechar a pediatria do [Hospital Manuel] Novaes. Também encerraram o vínculo do SUS com o Hospital São Lucas, que era a porta de entrada para o Hospital Calixto Midlej. Outra decisão atabalhoada.

Qual foi o maior desafio no comando da Secretaria de Saúde de Itabuna?

Itabuna é sede da macrorregião sul. Pessoas de muitas cidades usam serviços que funcionam lá. Encontramos muitos problemas nas áreas de pediatria, obstetrícia e oncologia. Atenção primária estava toda desorganizada. As unidades de saúde estavam totalmente destruídas. Começamos a reformar paulatinamente. Não tínhamos recursos no início. Resolvemos o problema da falta de insumos. Hoje não faltam materiais nas unidades de saúde. O maior desafio foi reorganizar a atenção primária e avançar com os serviços de pediatria, obstetrícia e oncologia.

Você deixou o governo magoado? Pergunto por que você ficou notavelmente emocionado quando conversamos sobre a sua saída.

Eu não tenho nenhum tipo de mágoa. Saio da gestão com a cabeça erguida de quem cumpriu seu dever. Nós tínhamos uma meta: reorganizar todo o sistema de saúde. Avalio que alcançamos 70% desse objetivo maior.

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Antropóloga diz que imagem de “meninão” do prefeito Mário Alexandre estimula desobediência na quarentena

Imagem desenvolvida por Marão não ajuda na crise da Covid-19.

Na última terça-feira, 7, o prefeito Mário Alexandre lançou um vídeo nas redes sociais em que tentou, pela primeira vez, expressar sua autoridade. Apesar do tom duro e taxativo em defesa do isolamento social, muitas pessoas não levaram a sério a mensagem. O aborrecimento demonstrado com a desobediência aos decretos municipais gerou vários comentários irônicos.

Esse fato motivou o BG a entrevistar a professora e antropóloga Georgia Couto. O tema principal da conversa, gravada nesta quarta-feira, 8, foi o comportamento de grande parte da população de Ilhéus diante da autoridade do prefeito Mário Alexandre.

Assim como muitos leitores deste blog, Georgia Couto também ficou surpresa com o grande movimento nas ruas, apesar da quarentena e dos decretos do prefeito que determinam o fechamento temporário do comércio e a suspensão do transporte coletivo.

Georgia Couto. Foto do arquivo pessoal.

Demora em ouvir a OMS.

Georgia Couto considera o governo federal fluido e inquieto. Não tem sustentação para “dominar” a sociedade. “Dominar” com base no conceito de Max Weber, que passa pela legitimidade conferida pelas leis, e sobretudo, pelo voto. O governo federal está enfraquecido. O ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, monta ações e o presidente Bolsonaro desmonta.

Ao não ouvir as medidas sugeridas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o governo Bolsonaro gera inconsistência e medo na população. Ilhéus é um reflexo disso no momento em que muitas pessoas decidem ir às ruas em desobediência às determinações municipais.

Na opinião da professora, o prefeito Mário Alexandre demorou a agir. Ilhéus é uma cidade turística com aeroporto, porto e rodovias, com fluxo de passantes intenso no verão. Por ter essas características, as ações de combate ao coronavirus na cidade deveriam ter acontecido mais cedo. O fato de o prefeito ser médico e não ter tomado as providências adequadas sugeridas pela OMS incentivou mais incertezas.

Representação “líquida”.

Segundo Geórgia Couto, Ilhéus possui um gestor com representação escorregadia, ou como disse Zygmunt Bauman, “líquida”. A percepção geral da população é de insegurança em relação a ele.

Além da luta contra o coronavírus, travamos também uma luta política, na qual ninguém compreende muito bem o que está acontecendo. Lembrando Émile Durkheim, há um estado de “anomia” (ausência de leis). No momento ocorre desrespeito às leis existentes, situação que torna a vida em sociedade desregrada e deixa a população de Ilhéus confusa.

O comportamento do prefeito de Ilhéus é caricato. Ele faz jus às expressões “boa gente” e “meio malandro”. Ao não impor a autoridade que o cargo requer, sua representação fica deslegitimada. A aparência de “meninão” confunde o povo. As pessoas questionam quem devem respeitar. Diante da representação do “moleque” que dança nos palcos das festas, e das incertezas passadas por ele, as pessoas não percebem a gravidade da pandemia e seguem lotando feiras e o comércio.

O gestor e o “menino/malandro”.

Georgia Couto afirma que falta ao prefeito a capacidade de impor a vontade do gestor aos demais, em nome do interesse público. A população percebe que as determinações feitas por ele, seguem o protocolo, mas não expressam a sua própria vontade. Desta forma, ele não consegue ter a obediência, pois a dominação legal não se consolida de forma plena. A representação do “menino/malandro” se sobrepõe à do gestor.

Em entrevista, reitora da UFSB afirma que “não há condições para continuar”

Joana Angélica Guimarães da Luz. (Foto: Divulgação/UFSB)

Por Juliana Sayuri | para o The Intercept:

Faz 29 graus em Itabuna, no sul da Bahia. Joana Angélica Guimarães da Luz, 61 anos, se dirige diariamente ao km 39 da BR 415, a Rodovia Ilhéus – Vitória da Conquista. Ali, num prédio antigo alugado na Vila de Ferradas, bairro pobre na periferia de Itabuna, fica a reitoria da Universidade Federal do Sul da Bahia, a federal que mais perdeu dinheiro com os cortes do Ministério da Educação.

Segundo a Andifes, a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, o orçamento da UFSB em 2019 caiu para menos da metade: o valor inicial de R$ 31,5 milhões foi para R$ 14,5 milhões. O primeiro efeito do corte é sentido pelo corpo: apesar do inverno quente, em que a temperatura chega a 27 graus, a ordem é deixar o ar-condicionado desligado em todas as unidades. Nos últimos dias, me disse a reitora, eles tiveram “sorte”: choveu e ao calor deu uma trégua.

Luz é a primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal. Empossada há pouco mais de um ano, ela teme não conseguir sequer concluir a construção dos campi da universidade, inaugurada em 2014. São três: Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas. Todos em obras. Todas, paradas.

Luz nasceu nos arredores de Itabuna. Filha de trabalhadores rurais, ela migrou do nordeste ao sul do país para estudar: primeiro, fez graduação em geologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, seguida pelo mestrado na Universidade Federal da Bahia e pelo doutorado na Cornell University, em Nova York. A partir de 2012, participou ativamente da construção do projeto político-pedagógico da UFSB, declaradamente pautado por ideias de intelectuais como Anísio Teixeira, Milton Santos e o temido Paulo Freire. Segundo Luz, a UFSB foi idealizada como uma universidade de inclusão: a jovem federal abriga 4,5 mil alunos de graduação e pós-graduação – cerca de 80% deles de famílias de baixa renda.

O iminente virou imediato. “Universidades estão dizendo que vão parar as atividades, e a nossa está incluída. Não é tom de ameaça, não é retaliação. É realidade: não há condições concretas para continuidade”, relata a reitora. A administração está precisando escolher quais contas e contratos pode honrar e quais inevitavelmente vai pagar com atraso. “Estamos chegando ao ponto de paralisar tudo.”

Em entrevista ao Intercept, Luz fala sobre essas escolhas e a expectativa de liberação de recursos extras em setembro. Se não entrar mais dinheiro no caixa, a situação será “o caos”.

Intercept – Hoje, 15 de agosto, como está a UFSB?

Joana Angélica Guimarães da Luz – Hoje temos uma despesa de R$ 1,2 milhão por mês, mas recebemos R$ 860 mil. Estamos literalmente precisando escolher quais contas a gente paga e quais a gente atrasa, quais contratos a gente honra e quais não. O campus fica em uma cidade muito quente, mas definimos desligar o ar-condicionado para economizar energia elétrica. Os projetos de pesquisa estão em stand-by. Também temos diversas obras paradas, pois não temos recursos para pagar a empreiteira. A ordem direta é agora é suspender as obras, pois não há como arcar com os custos – mas ainda estamos discutindo com o MEC. Até lá, estamos nesse jogo de atrasar aqui, reduzir ali e ir levando para fechar o mês.

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“A Globo e a força-tarefa da Lava Jato são parceiras”, afirma jornalista que publicou conversas de Moro com Dallagnol

Da Agência Pública.

Glenn Greenwald. Foto: Danilo Verpa/Folhapress.

Em entrevista à Pública, jornalista coautor das reportagens do The Intercept Brasil diz que “a grande mídia não estava reportando sobre a Lava Jato, ela estava trabalhando para a Lava Jato” e que a “arrogância de Sergio Moro causou seu comportamento antiético”.

“Se você não quer esses riscos, você não deve fazer jornalismo”, afirma Glenn Greenwald sobre a série do The Intercept Brasil que revelou no último domingo trocas de mensagens nada republicanas entre o então juiz federal Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato.

As revelações, frutos de documentos enviados por uma fonte anônima, podem ter influenciado os rumos das últimas eleições no país e seu conteúdo dinamitou uma série de reações em todas as esferas de poder e da opinião pública.

Na entrevista à Pública, Greenwald fala sobre as reações dos envolvidos e trata da cobertura da imprensa sobre a Lava Jato antes e depois das reportagens do The Intercept Brasil. “Quando a grande mídia transforma Moro e a Força Tarefa em deuses ou super heróis, se torna inevitável o que aconteceu. Os jornalistas pararam de investigar e questionar a Lava Jato e simplesmente ficaram aplaudindo, apoiando e ajudando”, avalia.

Segundo ele, há exceções como a Folha de S. Paulo e jornalistas independentes. E pondera: “preciso falar que depois de publicar o que publicamos, acho que com uma exceção, que é a Globo, a grande mídia está reportando o material de forma mais ou menos justa, com a gravidade que merece”.

Durante o processo de recebimento do material da fonte anônima e da própria produção das reportagens quais foram os momentos mais complicados na tomada de decisão jornalística? Como foi esse processo para vocês?

Para mim foi muito parecido com a reportagem que fizemos com o caso Snowden. Quando você recebe um arquivo gigante, é muito difícil, num primeiro momento, entender o que você tem e o contexto dos documentos que estão nesse arquivo. Segundo, quais os principais documentos que você vai usar, porque, obviamente, estamos lendo conversas privadas entre pessoas, e tem a questão do direito à privacidade mas, por outro lado, essas pessoas estão usando o poder público, então também precisam de transparência — exatamente o que eles fizeram quando interceptaram e divulgaram as conversas privadas do Lula.

Como você avalia a repercussão a partir da própria imprensa brasileira? Hoje, por exemplo, você disse que “a estratégia da Globo é a mesma que os governos usam contra aqueles que revelam seus crimes” e que “a Globo é sócia, agente e aliada de Moro e Lava Jato”.

É incrível porque, para mim, o tempo todo, a grande mídia não estava reportando sobre a Lava Jato, ela estava trabalhando para a Lava Jato. Com uma exceção que é a Folha de S. Paulo. A Folha, para mim, manteve uma distância, uma independência, estava criticando, questionando… Mas a Globo, Estadão, Veja, o tempo todo estavam simplesmente recebendo vazamentos, publicando o que a Força Tarefa queria que eles publicassem. Mas, na realidade, preciso falar que depois de publicar o que publicamos, acho que com uma exceção, que é a Globo, a grande mídia está reportando o material de forma mais ou menos justa, com a gravidade que merece.

Por exemplo, o editorial de hoje do Estadão — que era um dos maiores fãs do Moro — falando que ele deve renunciar e Deltan ser afastado. Isso mostra a gravidade das revelações.

A única exceção é a Globo mas essa é uma exceção enorme por causa do poder do Jornal Nacional que está quase tratando a história somente como um crime — e o único crime que interessa é o da nossa fonte, que eles acham que ela cometeu. Eles não têm quase nenhum interesse nas gravações e no comportamento do Moro, do Deltan. Eles estão falando sobre o comportamento da fonte e, na realidade, eles não sabem nada. Mas é interessante por que isso é comportamento de governo.

Como assim?

Quando você denuncia ações de corruptos ou trata de problemas sobre o governo, ele sempre tenta distrair falando somente sobre quem revelou essa corrupção, quem divulgou esses crimes para criminalizar pessoas, jornalistas ou fontes que revelaram o material. Essa estratégia, não dos jornalistas, é o que a Globo está usando. Porque a Globo e a força-tarefa da Lava Jato são parceiras. E os documentos mostram isso, né? Não é só eu que estou falando isso por causa da Globo. Os documentos mostram como Moro e Deltan estão trabalhando juntos com a Globo e nós vamos reportar, então eu sei disso já e a reportagem está mostrando. Mas o resto da grande mídia está tratando a história com a gravidade que merece. É impossível para todo mundo que está lendo esse material defender o que Moro fez. Impossível!

Se eu entendi, Glenn, você está me dizendo que os documentos que vocês ainda estão trabalhando vão apontar uma relação mais próxima da Globo nesse processo com Dallagnol e Moro, é isso?

Eu não posso falar muito sobre os documentos que ainda não publicamos porque isso não é responsável. Precisa passar pelo processo editorial mas, sim, posso falar que exatamente como disse hoje, a Globo foi para a Força Tarefa da Lava Jato aliada, amiga, parceira, sócia. Assim como a Força Tarefa da Lava Jato foi o mesmo para a Globo.

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Marão pode ser preso, admite procurador-geral

Mario Alexandre, Jefferson Domingues e o muro do presídio do Ariston Cardoso.O procurador geral de Ilhéus, Jefferson Domingues, admitiu a possibilidade de o prefeito Mário Alexandre ser preso, por descumprir a decisão da desembargadora Silvia Zarif, que determinou a reintegração dos servidores municipais afastados em janeiro deste ano.

A declaração, no mínimo curiosa, foi dita em entrevista à Ilhéus FM, na manhã desta quarta-feira, 02.

“Nós vivemos num cenário político judicial, de um ativismo judicial tão forte, que não posso descartar [a possibilidade]”, disse Jefferson Domingues.

De acordo com o procurador, a reintegração não pode prejudicar os custos permanentes do município com a coleta de lixo, serviços de saúde e educação.

Disposto a peitar juridicamente a decisão do TJ-BA, Domingues afirmou que decisão da desembargadora é brotada apenas do sentimento e não da razão jurídica. Na visão do procurador, a magistrada veio e disse: “Olha, município, até que eu mude de idéia reinclua aí na sua fatura a despesa que gira em torno de dois milhões. Depois, se eu mudar de ideia, posso pensar na sua situação”, disse com ironia.

Infelizmente, Jefferson Domingues não foi perguntado sobre a mudança de postura, uma vez que a procuradoria, quando saiu a decisão de 1ª instância, ingressou com recursos em defesa dos servidores.

Ouça a entrevista do procurador à Ilhéus FM.

Leda Nagle entrevista Carlos Bolsonaro

 

A experiente jornalista Leda Nagle conseguiu entrevistar o vereador Carlos Bolsonaro, o filho mais influente do presidente da República.

No vídeo, o famoso “02”, que já “demitiu” ministro, explica a sua repugnância a maior parte da imprensa e narra os momentos dramáticos após a facada que quase tirou a vida do pai, no dia 06 de setembro de 2018, em Juiz de Fora.

Carlos Bolsonaro, o “pit bull”, hoje é o numero 1 do submundo da internet e contribuiu bastante para a eleição do pai.

Vale a pena ver a entrevista.

Uso incorreto da água é desafio para a universalização do saneamento, afirma gerente da Embasa

Felipe Madureira, gerente regional da Embasa. Foto: Ascom.

Dia 22 de março é o Dia Mundial da Água, mas há pouco o que comemorar. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), embora tenha havido avanço em direção às metas definidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, quase 2,5 bilhões de pessoas ainda não têm acesso aos serviços de saneamento básico e 750 milhões não possuem uma fonte de água melhorada. O Brasil, um dos países mais privilegiados em oferta de água doce do planeta, amarga o acesso desigual à água potável e rede de esgoto e convive, diariamente, com a cultura do desperdício. Sobre essas e outras questões, ouvimos* o gerente regional da Embasa, Felipe Madureira. O gestor é responsável pelas operações da concessionária em Ilhéus e em outros 26 municípios do sul do estado. 

Felipe, 2016 foi um ano desafiador para o município de Ilhéus, porque, mesmo cercado por fontes de água, parte da cidade passou por meses de racionamento. O que a Embasa fez para evitar que uma nova crise hídrica aconteça?

Felipe – Diversas intervenções de caráter emergencial que foram feitas para mitigar os efeitos da estiagem, que atingiu Ilhéus e quase todos os outros municípios da região, deixaram um legado positivo para a oferta e a qualidade do serviço de abastecimento de água da cidade. Exemplificamos com a implantação de novas estações elevatórias de água tratada e a substituição de tubulações, abaixo da ponte Lomanto Júnior. Isso aumentou em 11% o percentual de contribuição do Rio Santana frente ao abastecimento geral de Ilhéus. A gente ressalta que a Embasa não é dona dos recursos hídricos de Ilhéus e que eles possuem múltiplos usos (navegação, agricultura, etc.). Nós obtemos uma outorga de utilização, que para o serviço de abastecimento de água é válida apenas para a represa do Iguape e a barragem do Santana. Essa permissão é dada pelos órgãos ambientais. Para o futuro, estudamos aumentar ainda mais a contribuição do rio Santana por meio da implantação de uma nova adutora e trazer água do Rio de Contas. A Embasa vai se antecipar ao aumento da demanda provocado pela implantação do Porto Sul. Mas qualquer solução em relação a uma nova fonte de abastecimento depende do consentimento dos órgãos ambientais. E com ou sem estiagem, desenvolvemos ações de educação ambiental o ano inteiro, especialmente agora em alusão ao Dia da Água.

Represa do Rio Iguape. Foto: José Nazal.

A Embasa já noticiou, em diversas ocasiões, ações para combater as fraudes na utilização da água tratada. Por que essas fraudes, na visão da empresa, dificultam a universalização do serviço?

Felipe – Porque os desvios comerciais contribuem para a cultura do desperdício e aumentam o nosso custo operacional, que poderia ser revertido na expansão dos serviços. Precisamos, para atender satisfatoriamente aos nossos consumidores regulares, captar e tratar mais água do que o necessário, e deixamos de arrecadar de quem usa de forma irregular e indiscriminadamente. Há doze anos Ilhéus é referência na Bahia na implantação de um programa de combate às perdas de água, o “Com+Água”, que aplicou R$ 2,6 milhões em ações operacionais de combate a vazamentos e quebramentos de rede; recuperação de clientes em situação irregular e ações de cidadania e educação ambiental. A participação da comunidade, nesse projeto, é fundamental para o sucesso do programa. Em 2019, estaremos de volta ao Teotônio Vilela e também no Alto do Amparo e Legião. 

Como a Embasa pretende se aproximar da comunidade nas comemorações pelo Dia Mundial da Água?

Felipe – Estão previstas ações socioeducativas em diversas frentes. Alunos do Colégio da Polícia Militar farão visita à estação de tratamento do Distrito Industrial, faremos uma blitz educativa na loja de atendimento, no Centro, levaremos teatro a grupos escolares do Teotônio Vilela e faremos palestras em várias instituições de ensino. Esse ano, a Embasa convida a todos a entrar no clima do uso responsável, sempre de forma lúdica e interativa. A empresa é a responsável pelo abastecimento, mas todos nós, com nossas atitudes, somos responsáveis pela disponibilidade de água para esta e para futuras gerações.

* Material produzido pela assessoria de comunicação da Embasa.

Com ampla formação agrícola, Josias Gomes afirma estar preparado para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário.

Josias Gomes. Foto: Google.

O Blog do Gusmão entrevistou na última segunda-feira, 18, o deputado federal (licenciado) Josias Gomes (PT), definido pelo governador da Bahia, Rui Costa, como o novo secretário de desenvolvimento agrário.

Na ocasião, Josias falou sobre o novo desafio no governo baiano.

BG – Quais são os seus planos para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário?

Essa secretaria foi criada pelo governador Rui Costa, na primeira gestão dele [2015-2018], com o propósito específico de trabalhar pela agricultura familiar por ser um segmento muito importante da nossa economia.  A iniciativa deu certo. Rui escolheu um secretário com vivência [Jerônimo Rodriguez, um agrônomo] que montou uma equipe importantíssima para os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, e para os agricultores de um modo geral. O trabalho foi iniciado com muita solidez.

O que eu tenho que fazer é muito pouco, pois a largada foi muito boa. Deverei dar continuidade no atendimento aos trabalhadores rurais, e fazer ajustes muito pequenos para continuar o trabalho.

BG – Como recebeu essa nova missão definida pelo governador Rui Costa?

Primeiro, agradeço ao governador por confiar em mim, mais uma vez, para fazer parte da equipe. Segundo, encaro como mais uma das responsabilidades e desafios que me foram colocados. Tenho clareza que buscarei atender as expectativas do governador, com o apoio dos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária e agricultura familiar, e por todos esses segmentos que têm lá na Secretaria de Desenvolvimento Agrário o seu espaço privilegiado de inserção com o governo.

BG – Josias Gomes se considera preparado tecnicamente para o cargo?

Eu tenho uma particularidade, Gusmão. Eu sou mestre agrícola, com diploma e formado no Ginásio Agrícola de Escada (PE), em 1973. Depois me formei em técnico agrícola no Colégio de Belo Jardim (PE), em 1976, e fiz agronomia na Universidade Federal da Paraíba, a segunda escola com esse curso de nível superior no Nordeste.

Se tem alguém que está no mundo da agricultura desde muito cedo, sou eu, pois sou filho de cortador de cana lá de Pernambuco.

BG – O que o novo secretário pode anunciar para os agricultores e assentamentos do sul da Bahia?

Eu não sou estranho a esses segmentos, pois sempre partilhei da agenda deles com o ex-secretário Jerônimo Rodriguez, por ter sido secretário de relações institucionais. Nós somos velhos conhecidos. Mesmo antes de estar no governo, sempre estive ao lado deles. Não tenho um recado específico, pois esse pessoal me conhece, e tem ciência das ações da secretaria.

ENTREVISTA: PROMOTORES FALAM SOBRE OPERAÇÃO QUE INVESTIGA FRAUDES NA CÂMARA DE ILHÉUS

Foto: Robertinho Scarpita.

Os repórteres Emilio Gusmão e Marinho Santos (Rádio Bahiana de Ilhéus) entrevistaram os promotores Frank Ferrari e Alicia Passeggi, do MP/BA, na tarde desta sexta-feira, 31, na UESC.

O assunto da entrevista foi a Operação Prelúdio que investiga um esquema de fraudes em licitações e contratos da Câmara de Vereadores de Ilhéus no biênio 2105-2016, sob a presidência de Tarcisio Paixão.

Principais destaques:

Provas de fraudes são robustas;

Operações Citrus e Prelúdio têm relação;

Possibilidade de prisão dos envolvidos;

MP investiga porque a Câmara de Ilhéus não realiza concursos públicos;

Vereadores que ficam com os salários dos assessores;

Por que a operação Citrus não atingiu hierarquias mais avançadas?

Ouça a entrevista.