Por Alfredo Sirkis/publicado no Facebook do autor
A “executiva” da Rede Sustentabilidade, segundo parece, esboçou uma posição majoritária pela “neutralidade” no segundo turno o que pareceria se expressar por um voto nulo ou branco. Não é uma posição consolidada na medida em que caberia consulta ao “diretório” do novo partido em desejo de formação. Não acredito que haja um posicionamento diferente a não ser que Marina se empenhe a fundo. Por outro lado não vejo necessidade alguma de Marina permanecer vinculada a esse processo. Se os peixinhos na rede consideram tudo “farinha do mesmo saco” o mais sensato seria “liberar” as pessoas a optarem individualmente, inclusive Marina. Como a tendência do PSB é fazer justamente isso –ainda que a posição pro Aécio seja majoritária no partido real embora não necessariamente no cartorial—ficaria mais fácil para ela. Afinal é uma individualidade com 21 milhões de votos! Cabe-lhe uma decisão “autoral”.
Torço para que Marina adote uma posição de apoio crítico a Aécio mas não me condiciono a ela nem ao processo da Rede. Vou apoia-lo independente do que decidam. A situação é diferente daquela do segundo turno de 2010. Naquela ocasião defendi a posição de não se posicionar (e votei em branco) depois que tivemos uma resposta insatisfatória (sobretudo do pessoal do Serra) aos pontos programáticos que apresentamos. Ao contrário do que diz na Veja meu amigo Eduardo Jorge, que corajosa e solitariamente defendeu apoio ao Serra, não foi uma decisão “soviética”, a ampla maioria do PV de então concordou com ela.
O que mudou entre o segundão de 2010 e o de 2014? Foram os quatro anos de presidência de Dilma! Hoje, francamente, não condiciono meu apoio a pontos programáticos –embora os tenha e queira discutir com Aécio—mas à necessidade candente, urgente, de uma alternância democrática de governo no Brasil. Mais quatro anos de Dilma não serão bons para nossa república com a possibilidade de graves tensões institucionais e dificuldades econômicas agravadas (as haverá de toda maneira). A privatização política do aparelho de estado e das estatais chegou a um ponto crítico e mais quatro anos do mesmo traria riscos de uma deterioração perigosa da nossa democracia por um viés protochavista provavelmente com um fortalecimento da extrema-direita no final da linha. Pouca gente já percebeu mais em breve isso vai se explicitar: o PT andou soprando nas brasas da direita extrema e as labaredas apareceram. Ao contrário da Europa a extrema-direita no Brasil não se explicita partidariamente mas, igual, está crescendo e numa proporção bem maior que a extrema esquerda com a qual mantem uma relação de emulação mútua sadomasoquista.
Vou votar no Aécio em primeiro lugar em nome da alternância, para por fim ao situacionismo PT-grotões. Com isso estou ajudando o lado decente do PT que precisa daquilo que os franceses chamam de une cure d’oppostion: uma cura de oposição. O PT tem uma história respeitável mas nesse momento precisa urgentemente ser salvo dele próprio e não virar o PRI-T. Por outro lado acredito –sem ter certeza– que poderemos ter um debate rico com Aécio e influenciar sobre questões programáticas com uma agenda institucional, ambiental, de sustentabilidade e climática que avance para além de Dilma que estagnou aquilo que se tinha conquistado anteriormente.
A luz dessa minha decisão fica ainda mais claro porque não tive condições de me candidatar à reeleição a partir da decisão equivocada do PSB de apoiar Lindberg para governador e se coligar na eleição para deputado federal com o PT e o PC do B. Provavelmente eu me reelegeria mas considerei e considero eticamente inaceitável me beneficiar de um cociente aportado pelos eleitores da Dilma. Iria usar do voto deles para me reeleger. Como ficaria agora para apoiar Aécio no segundo turno? Posso discordar dos eleitores do PT mas respeito-os e não admito utilizar seu voto num sentido diferente de sua intenção de voto. Há quem me considere “otário”, por causa isso. Não sei fazer política, dizem. Paciência, se não apreendi até hoje não pretendo mudar. De fato essa política aí, não sei fazer…
Também me sinto totalmente descomprometido em relação à política partidária. Penso que a Rede Sustentabilidade deveria ser rede mesmo, movimento, não partido. A legislação a vigorar a partir de 2015 será madrasta para pequenos partidos e, sobretudo, para novos pequenos. Penso que o PV deveria ser recuperado e Eduardo Jorge pode jogar um papel fundamental nisso, me disponho a ajudar no que puder e onde couber. O PSB precisa se modernizar e não deixar cair o grande legado de Eduardo Campos –além da boa gestão em Pernambuco– que foi ter apontado nessa direção. E o PSDB precisa urgentemente se assumir num espaço moderno de centro esquerda e não da forma conservadora que a quase totalidade de sua bancada parlamentar se comportou em algumas ocasiões como na da votação do Código Florestal. Das minhas seis recomendações de voto para deputados 4 se elegeram, os 3 federais (Otavio Leite, Glauber Braga e Alessandro Molon) e um estadual, o Minc. Meus dois estaduais prioritários, André Esteves e Aspásia Camargo, não se elegeram. No caso dela por um criminoso boicote do próprio PV-RJ possuído por uma pulsão autodestrutiva. (Bem sucedida…)
Ao me colocar dentro de um leque plural de influências já vejo aqui os inevitáveis posts me acusando de “murismo”. Estou de fato nadando contra a maré assertiva e maniqueísta que se instalou favorecendo os extremos, as posturas tribais, “identitárias” e sectárias. Paciência… meus 44 anos de vida política com as mais diversas experiências me levam a buscar um diálogo e uma busca de influência ampla e plural que não se prende lá muito a siglas nem chavões ideológicos. Nesse sentido me identifico com Marina quando ela busca “os melhores”. Vejo um momento grave e importante para o Brasil. Uma demanda histórica resume-se numa palavra: alternância.
Alfredo Sirkis é deputado federal (PSB-RJ).










Uma resposta
muito interessante esta posição do deputado, a democracia quando funciona é boa para o povo, precisamos mudar, e daqui a 4 anos iremos às urnas de novo e se for preciso mudaremos de novo.