BLOG DO GUSMÃO

SANTO OU PECADOR?

Baco, São Sebastião e a peça profana diante da Catedral.
Baco, São Sebastião e a peça profana diante da Catedral.

Segundo texto divulgado pela Secretaria Municipal de Comunicação nessa quinta-feira, 15, o Teatro Popular de Ilhéus encenou a peça “Medida por Medida” como parte da “programação do novenário em homenagem a São Sebastião”.

A afirmação é estranha, pois o espetáculo é cheio de palavras “picantes”. A palavra fornicação, por exemplo, é repetida centenas de vezes. Como a montagem foi encenada diante da Catedral de São Sebastião, o autor do texto da prefeitura pode ter se confundido ao inserir a apresentação da peça na lista de homenagens ao santo católico. Talvez o espetáculo tenha mais a ver com Baco, deus grego associado aos prazeres “da carne”.

Muito barulho por nada

A prefeitura cedeu apenas dois toldos para a produção da peça. Poderia ter poupado a imagem do santo nessa. Agora São Sebastião vai ter que dormir com “esse barulho”.

Funceb

A montagem de Medida por Medidas em Ilhéus encerrou o projeto “Shakespeare – Teatro Popular em Construção, que venceu edital financiado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) para a ocupação do Complexo Teatro Castro Alves em 2014.

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Respostas de 4

  1. Caro Gusmão, o termo ‘Fornicação” é uma metáfora das flechas enfiadas no corpo de São Sebastião. Deus me livre e guarde!

  2. Caro Gusmão, por que motivo não existem peças teatrais de ordem JORGEAMADIANAS e outros autores regionais ? Acredito que tais peças retratem melhor o “sonho” tão procurado pelos turistas ao longo destes anos, por exemplo nossos coroneis, nossos jagunços, as nossas prostitutas. Tudo isto tem mais vida do que peças de Shakespeare (nada contra) mas me parece que é coisa de FRESCO. Saudades de Pedro Matos.

  3. Me parece que o “Ilheense apaixonado” pode até ser apaixonado, mas é desinformado.

    O projeto Ilheenses amados, mantido pelo Grupo Maktub tem espetáculos em cartaz tratando do universo amadiano há mais de dez anos. Estão semanalmente em cartaz no Bataclan.

    Além disso, parece que o tal comentarista se prestou a comentar o que nem mesmo assistiu. O espetáculo apresentado na porta da Catedral se trata de uma ADAPTAÇÃO de Shakespeare – e o principal – adaptado para a linguagem e cultura nordestina.

    Penso que Ilhéus seria ainda mais desenvolvida e teria uma vida cultural ainda mais rica se nossos habitantes não apenas tecessem críticas, mas vivessem de fato as coisas bacanas que nossa cidade dispõe.

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