BLOG DO GUSMÃO

O DESAFIO QUE FEZ LOMANTO CONSTRUIR A PONTE ILHÉUS-PONTAL

Coluna “Folclore Político”.

Imagem disponível no site R2Cpress.
Imagem disponível no site R2Cpress.

Por José Henrique Abobreira

Essa história foi contada pelo próprio Lomanto Jr, durante evento realizado na Emarc Uruçuca em 1999, no transcorrer da Semana do Fazendeiro. Foram testemunhas: seu arquirrival na política de Jequié, o coronel Valdomiro Borges, pai do governador Cesar Borges, este que vos escreve (que representava o governo municipal de Ilhéus), autoridades regionais e alunos da Emarc.

Contou Lomanto que quando governador houve uma tromba d’água no extremo sul baiano que devastou diversas localidades, sendo a cidade de Belmonte a mais afetada pelas enchentes (por sua proximidade com o Rio Jequitinhonha). Disse o ex-governador que por ainda não existir a rodovia BR-101, teve que ir para o extremo sul num “jipão”, entrando por Minas Gerais e contornando até chegar a Belmonte.

Aproveitou sua passagem entre Posto da Mata e o que viria ser Teixeira de Freitas, Itamaraju e Eunápolis para nomear milhares de professorinhas, pois a região era extremamente carente. Acrescentou sorrindo (e realçando o poder de uma caneta na mão de um jovem governante de apenas 36 anos) que antes assinara convênio entre a Alemanha e a Bahia, por meio do qual recebeu mil tratores agrícolas. Distribuiu todos entre amigos e correligionários, indistintamente, só pelo prazer de afirmar o seu poder.

Ao chegar a Belmonte, constatou a devastação e os prejuízos que a cidade sofrera. Declarou estado de emergência e a liberação de ajuda governamental, verbas, medicamentos e alojamentos para o povo desabrigado.

Depois decidiu não mais voltar de jipe, e sim, no avião do governo do estado, cujo piloto fora acionado pelo secretário particular que o acompanhava. Embarcou rumo a Salvador e já sobrevoando o litoral, resolveu pedir ao piloto que avisasse ao Aeroporto de Ilhéus que a comitiva faria um pouso ali. Mandou avisar ao prefeito que providenciasse uma alimentação decente para contrabalançar o perrengue que passaram em Belmonte, de preferência no Ilhéus Hotel. (Na minha cabeça não se encaixou essa história do lanche, acho que ele queria realizar alguma articulação política junto ao prefeito ilheense, afinal naquela época o nosso cacau era a maior fonte de receita do estado da Bahia, cuja arrecadação bancava a folha de pagamento da maioria do funcionalismo do estado).

Pois bem, dito e feito. Tocara a aeronave em solo ilheense e eles saltaram e se dirigiram ao porto das lanchas, na rua da frente do Pontal, e tomaram um besouro, embarcação de frete mais rápida que as lanchas de transporte público. E aí o problema, no meio da baía o motor “deu prego” (como dizíamos naquela época), parou de funcionar.

Com o motor parado, a corrente da maré de enchente começou a empurrar a embarcação na direção da ponta de Eustáquio, hoje Satélite. Com algumas remadas, o proeiro aportou na praia.

E aí o melhor da história. O governador Lomanto e sua minicomitiva avistaram uma velha senhora que lavava e enxaguava roupas na beira de uma fonte. Lomanto perguntou em tom brincalhão: “E então minha tia, essa ponte sai ou não sai? (já existia à vista de todos uma pilastra implantada em 1961 no governo Jânio Quadros, o homem da vassoura)

A velha lavandeira, tranquilamente, lhe respondeu que ainda iria nascer o homem e governante para ter a raça de fazer semelhante obra. Os secretários secaram Lomanto com essa resposta da velha lavandeira.  O motor foi consertado, ele foi para o centro da cidade lanchar e pegou o avião de volta para a capital.

Em Salvador, mandou chamar o diretor do Derba à época, Franz Gedeon, e lhe determinou que coligisse todas as informações e projeto técnico da futura ponte Ilhéus-Pontal existentes no órgão, pois ele iria articular os recursos necessários à construção daquela obra, já prometida aos ilheenses desde o império. A piada da velhinha mexera com o seu íntimo, com seu ego de administrador governamental.

A maior frustração foi quando a ponte já construída. Às vésperas de ser inaugurada com a presença do Presidente General Castelo Branco, ele determinou a uma equipe de precursores que localizasse a velhinha e dissessem que o governador da Bahia a convidava para o ato solene, mas debalde, ela não mais foi encontrada. No dia da festa ele sentiu esse travo de amargor, por não poder dizer a ela que A BAHIA TEM GOVERNANTE MACHO SIM!

José Henrique Abobreira é auditor da receita estadual e articulista do Blog do Gusmão.

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Respostas de 15

  1. Assisti a sua inauguração.Era muito criança e saí de Ibirataia, no fundo de uma Rural, com meus tios, para o evento. Com o Presidente da República.
    Que festa!

  2. Caro Abrobeira,
    Em um comício em Barro Preto, antes de ser governador Lomanto já havia prometido terminar a Ponte.

  3. Uma historia interessante. Pois agora eu digo: será contabilizado na conta do homem responsável pela construção da nova ponte todas as tragédias que ocorrerem no trânsito daqui para frente por não ter sido construída em tempo hábil. E quem vai cobrar é o destino.

  4. Hoje perguntamos? após construções de vários prédios na zona sul, aumento da população e os constantes transtornos no trânsito motivados por APENAS uma ponte para acesso à zona sul, qual será o ARGUMENTO para motivar os governantes? se todas as pessoas prejudicadas pelos constantes engarrafamentos, paralisações buscassem reparação do poder público, T A L V E Z… motivasse outras vias de acesso. Via Teotônio Vilela, outra ponte, via besouro, por exemplo…. Na cabeça de cada pessoa há uma ideia de acesso, só não na cabeça dos governantes.

  5. Para a implantação e construção desta Ponte foi “cortada” uma significativa faixa de terra a beira mar, que fazia parte do Sítio de Dona Lili, minha avó,pelo que sei, sem qualquer idenização por parte do governo.
    Este “assalto” em sua querida e bucólic propriedade, gerou um tremendo desgosto para a família e especialmente para ela própria, culminando com seu falecimento, após um longo período de profunda tristeza e depressão.

  6. Sinto-me representada por essa velha senhora LAVADEIRA a pergunta ainda ecoa até hoje!!!!!É difícil imaginar que, mesmo com os avanços tecnológicos e o orçamento cada vez mais apertado do brasileiro, ainda haja gente que sustente sua família lavando “roupa de ganho”, mas esta realidade está presente na vida de milhares de mulheres no Brasil.Dá uma história de LITERATURA DE CORDEL,com a experiência cultural que emanar desta literatura e toda sua riqueza expressiva,podemos assim conhecer, valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o nosso imaginário , presente na produção do cordel. Além disso, é bem interessante discutir com as escolas como a literatura de cordel, até por sobrevivência incorpora inovações da nossa historia cultural o que a torna mais rica e diversificada.A vida está cheia de DESAFIOS que, se aproveitados de forma criativa, transformam-se em oportunidades.

  7. Tmb ouvir dizer que engenheiro e ex deputado Gutemberg Amazonas tmb trabalhou muito na construção dessa ponte,e acompanhou toda a obra até ser finalizada,certificando de que seus projetos foram concluídos.

  8. Parte dessa história estar errada,no sentido de que a senhora a dar a resposta ao governador não era nenhuma lavadeira e sim uma mulher distinta que estava na lancha a levar sua filha ao médico, o nome dela era( pois já faleceu) é Elina Xavier.

  9. Gente …gracas a DEUS. Agora o sonho foi realizado. Nem vou chamar de sonho e sim Ansiedade da população que viviam desesperadas sem saber o que fazer e por fim ESTÁVAMOS COM RESILIÊNCIA. pois não tinha outra saída. Mas um dia aconteceu e está ai..A nova Ponte…

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