Por Diego Brito
Desde o findar das eleições de 2014 nosso país navega em águas turbulentas. Tanto no que tange a política, como a economia, o termo crise rapidamente se espalhou pelos noticiários. A crise mundial que atingiu o capitalismo em diversas esferas, passou de uma “marolinha”, como disse o ex-presidente Lula, para um tsunami, que aliado a pouca oferta do governo em vigor de mecanismos para a reversão do atual quadro, a não ser cortes e ajustes, somando-se a escândalos de corrupção, levaram velhos saudosistas de outrora a reivindicarem desde o impeachment da Presidente Dilma a sua deposição via intervenção das forças armadas.
Neste contexto, atos dos mais diversos perfis e intenções acontecem com frequência, maquiado por uma falsa polarização, defensores do governo petista e da tradicional oposição de direita se revezam, lembrando as eleições em cidades do interior, onde em dias alternados, candidatos distintos vão às ruas em suas passeatas, carreatas e eventos afins, e depois vem o embate entre os simpatizantes para saber quem levou mais gente às ruas. Historicamente as ruas foram palco de lutas que trouxeram mudanças e avanços concretos para a classe trabalhadora de nosso país, sua importância é tamanha que hoje vivenciamos os setores que defendem as pautas mais retrógradas da nossa sociedade, se utilizar das mesmas para propagandear seus ideais.
Com o entendimento que tanto o atual governo, liderado pelo Partido dos Trabalhadores, e a oposição de direita, capitaneada pelo PSDB, embora digladiem entre si, suas essências representam o mesmo modelo que historicamente governou este país, apenas passando o bastão de gestor a gestor, mas sem a esperada ruptura com a velha política que tanto ansiamos. Tendo como pauta do dia a greve geral contra os ajustes de Dilma e de Levy, o setor que compõe a oposição de esquerda ao governo tenta aglutinar os anseios populares em pautas de esquerda e provocar as reais mudanças necessárias aos trabalhadores e trabalhadoras. Todo tipo de ataque vem sendo dirigido a este setor, o governo os acusa de fazer o jogo da direita, e a oposição de direita os acusa de ser linha auxiliar do PT, afinal nada mais digno àqueles que pseudo polarizam os rumos do nosso país, do que defender o continuísmo dessa política.
É inadmissível defender o retorno da ditadura em quaisquer circunstâncias, já que a luta pela democracia foi forjada com o sangue de inúmeros militantes que deram sua vida em defesa de nosso país. Solicitar o impedimento da presidente, sobretudo, com porta vozes que em nada se diferem das práticas que aparentam repudiar, parece mais choro de derrotado nas eleições, e como o diz o ditado, “lugar de chorar é no pé do Cristo”. Assim sendo, a revolta, e até vezes agressividade, colocada em prática pelos simpatizantes da candidatura derrotada no segundo turno das últimas eleições, mas parece mimo daqueles que nunca aceitaram que um operário assumisse a presidência desse país, independente das políticas que este viesse a colocar em prática, afinal para estes, as aparências ainda contam, e muito. Não podemos negar que cada vez mais pessoas que não possuem origem abastada ou são parte da elite brasileira tem também participado das manifestações deste setor, afinal, na crise, os setores que mais se fortalecem são os extremos, sejam de esquerda ou de direita, o centro e/ou aqueles que tentam conciliar o inconciliável estão fadados ao ostracismo político, além disso tem se tornado tarefa difícil até mesmo para os melhores oradores defender as políticas de ajuste do Governo Dilma.
É justamente com esse discurso, de que o golpe está próximo, de que os inconformados com a decisão do povo querem mudar a eleição, de que a culpa é da crise, que o Governo Federal tenta se apoiar para se manter de pé e tentar levar seus simpatizantes às ruas. Eis que chegamos à questão principal do texto, a quem interessa essa retórica sobre a crise e o impeachment? A falsa polarização supracitada, nada mais é do que uma relação de mutualismo, onde ambos necessitam um do outro para se manterem vivos. O governo Dilma se reelegeu sob égide do medo da volta dos tempos de FHC, tempos esses que nunca foram esquecidos pelo próprio governo, que governou junto às mesmas figuras de tempos atrás. Agora o PSDB cresce com a crítica ferrenha e o sangramento do governo, que faz nada mais do que aplicar as políticas que o Aécio aplicaria, afinal ambos estão a mercê da austeridade que beneficia bancos e retira direitos dos trabalhadores. O que é importante refletir, é que embora haja a publicidade do governo da iminente ameaça de um golpe da direita feroz e recalcada, não há como desvincular esse mesmo governo dessa mesma direita, visto nas figuras de Kátia Abreu e companhia limitada, e mais recentemente nos conchavos com o PMDB e a possível indicação de aliados do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para ocupar ministérios, na mais nova reforma ministerial de todos os tempos da última semana, parafraseando os Titãs, afinal “não importa contradição, o que importa é televisão.”
É inegável que vivenciamos um período de crises, o questionamento a ser levantado é quem vem pagando a conta desta crise. Enquanto os bancos brasileiros lucram cada dia mais, direitos trabalhistas, verbas de setores essenciais para a população, entre outros retrocessos vêm sendo aplicados com veemência contra os trabalhadores, os estudantes, e aqueles que mais sofrem com as opressões impostas pelo sistema em vigor. É necessário construir uma saída da crise à esquerda que priorize os direitos da maioria frente uma minoria que sempre cantou vantagem. Aprovar o imposto sobre grandes fortunas, que já é previsto na Constituição Federal, auditar a dívida pública e extinguir a política do superávit primário, entre outras medidas que venham a tornar o nosso país mais igualitário e justo. Disputar as ruas, disputar a consciência dos trabalhadores, construir alternativas à falsa polarização que vivemos, acumular forças para transformar nossa sociedade é o papel de cada um e cada uma que segue na luta e não se abate facilmente. Já diria Gonzaguinha, “eu acredito é na rapaziada / Que segue em frente e segura o rojão / Eu ponho fé é na fé da moçada / Que não foge da fera e enfrenta o leão”. E vamos à luta!
Diego Brito é estudante de engenharia de produção (UESC) e secretário de juventude do PSOL em Itabuna. Integra o Coletivo Juntos.










Respostas de 2
Golpistas derrotados dando golpe. isso nao vai acabar bem
Boa analise teórica.