BLOG DO GUSMÃO

PF PRENDEU IRMÃ DE BABAU QUE CARREGAVA FILHO DE DOIS MESES

A prisão da índia Glicéria Tupinambá repercutiu em vários sites e blogs do sul do país. Na última quarta-feira (02), Glicéria participou de uma reunião com o presidente Lula, ocasião em que expôs as violências sofridas por seu povo. Ao desembarcar em Ilhéus no dia 03 (feriado de Corpus Christi), ela e seu filho (que aparece na foto no colo do Presidente) foram presos pela polícia federal, que cumpriu uma determinação do juiz Antonio Hygino, da comarca de Buerarema. O magistrado se notabiliza por opiniões preconceituosas à causa dos Tupinambá. Foto: Secretaria de Imprensa / Ricardo Stuckert / PR.

Leia a nota do conselho indigenista missionário.

POLÍCIA FEDERAL PRENDE MÃE E BEBÊ TUPINAMBÁ

A Polícia Federal prendeu na tarde de hoje, feriado de Corpus Christi, a índia Glicéria Tupinambá e seu filho de apenas (02) dois meses. Glicéria é liderança de seu povo e membro da Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI. Vinculada ao Ministério da Justiça, a CNPI tem entre seus integrantes representantes de 12 ministérios, 20 lideranças indígenas e dois representantes de entidades indigenistas. Na tarde de ontem, 2 de junho, Glicéria participou da reunião da CNPI com o Presidente Lula, oportunidade em que denunciou as perseguições de que as lideranças Tupinambá têm sido vítimas por parte da Polícia Federal no Sul da Bahia.

No dia seguinte, quando tentava retornar para sua aldeia, Glicéria – tendo ao colo o seu bebê de dois meses – foi detida ao descer do avião, ainda na pista de pouso do aeroporto de Ilhéus (BA), e diante dos demais passageiros, por três agentes da Polícia Federal, numa intenção clara de constrangê-la. O episódio foi testemunhado por Luis Titiah, liderança Pataxó Hã-hã-hãe, também membro da CNPI, que a acompanhava.

Após ser interrogada durante toda a tarde na sede Polícia Federal em Ilhéus, sempre com o bebê ao colo, Glicéria recebeu voz de prisão da delega Denise ao deixar as dependências do órgão. Segundo informações ainda não confirmadas, a prisão foi decretada pelo juiz Antonio Hygino, da Comarca de Buerarema (BA), sob a alegação de Glicéria ter participado no seqüestro de um veículo da META (empresa que presta serviço de energia na região). Esse juiz em entrevista concedida ao repórter Fábio Roberto para um jornal da região, se referiu aos Tupinambá como “pessoas que se dizem índios”. Mãe e filho serão transferidos para um presídio na cidade de Jequié, distante cerca de 200km de sua aldeia.

Desde que a FUNAI iniciou o processo de demarcação da Terra indígena Tupinambá as fazendas invasoras da terra indígena passaram a contratar pistoleiros, fazendeiros dos municípios de Ilhéus e Buerarema iniciaram campanhas difamatórias nas rádios e jornais locais, incitando a população regional contra os índios, o que resultou numa série de conflitos envolvendo pistoleiros, fazendeiros e indígenas. Como conseqüência da disputa pela posse da terra os Tupinambá respondem a uma série de inquéritos e processos criminais patrocinados pela Polícia Federal, numa estratégia clara de criminalização de sua luta legítima em defesa de seu território tradicional. Em decorrência dessa ofensiva de criminalização já estão presos os indígenas Rosivaldo (conhecido como cacique Babau) e Givaldo, irmãos de Glicéria que passa a ser terceira presa política Tupinambá.

A animosidade nutrida pela Polícia Federal em relação aos Tupinambá já se tornou crônica. No dia 23 de outubro de 2008, numa ação extremamente agressiva, a PF atacou a comunidade indígena da Serra do Padeiro, deixando 14 Tupinambá feridos à bala de borracha, destruiu casas e veículos da comunidade, a escola indígena e seus equipamentos, e ainda deteriorou a merenda escolar. Dois Tupinambá foram presos na ocasião. Em junho de 2009, após outra ação de agentes da PF juntamente com fazendeiros – numa ação de reintegração de posse -, sinais de tortura em cinco Tupinambá ficaram comprovados por exames de corpo de delito realizados no Instituto Médico Legal do Distrito Federal. O inquérito, levado a cabo pelo mesmo delegado que coordenou a ação dos agentes, concluiu entretanto pela inocorrência de tortura. Nenhum dos agentes foi afastado durante ou após as investigações. No dia 10 de março de 2010, numa ação irregular, a Polícia Federal invadiu a residência do cacique Babau em horário noturno (duas horas da madrugada), destruindo móveis e utilizando extrema força física para imobilizar o Cacique, que acreditava estar diante de pistoleiros, pois os agentes estavam camuflados, com os rostos pintados de preto, não se identificaram e não apresentaram mandado de prisão, além de proferir ameaças e xingamentos.

O Conselho Indigenista Missionário, preocupado com a integridade física e psicológica de Glicéria e seu filho, vem a público manifestar mais uma vez o seu repúdio ao tratamento dispensado por órgãos policiais e judiciais ao Povo Tupinambá. Reafirma seu compromisso em continuar apoiando a luta justa do povo pela demarcação de seu território tradicional e conclama a sociedade nacional e internacional a se manifestar em defesa da causa Tupinambá e pela imediata libertação de seus líderes.

Brasília, 3 de junho de 2010.

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

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Respostas de 7

  1. Gusmao.

    Apenas curiosidade, qual a sua opinião a respeito sobre as invasões dos na Serra do Padeiro, nas fazendas, o sumiço do carro da META, e as destruições?

    Obrigado
    Notarius

  2. Impressionante como só vejo no blog publicações a respeitos da defesa dos SUPOSTOS índios. Colocando-os como coitados.
    É lamentável, que um blogueiro como você, que se diz defensor dos interesses e progresso da região defenda um bando de arruaceiros que só querem se dar bem em cima de quem trabalha.
    Na certa você deve ser de acordo com a bárbarie que esse bando promoveu em Buerarema.

    Lamentável, Gusmão… LAMENTÁVEL!

  3. AS PESSOAS GOSTAM MUITO DE DAR SUAS OPINIÕES
    MAS BASEADAS EM QUE ?
    SERÁ QUE ALGUÉM SE DIGNA A FAZER UMA PESQUISA SÉRIA E PROFUNDA
    ANTES DE DEFENDER ESSES POVO, CUJA ALGUNS DOS CACIQUES EU TENHO VERGONHA DE DIZER Q SÃO MEUS PARENTES
    SOU DESCENDENTE SIM, MAS A CULTURA NÃO É UMA ROUPA Q VC TROCA AO BEL PRAZER, POR ISSO NAO SOU NEM JAMAIS SEREI INDIO COMO ELES NÃO SÃO!
    A VERDADE VAI APARECER , PORQUE DEUS É JUSTO!
    OS TUPINAMBAS NUNCA HABITARAM A REGIÃO CACAUEIRA, NUNCA!
    E JA ESTÃO EXTINTOS DESDE DE O SÉC XVII
    JESUS CRISTO TA PERDENDO PRA ELES, PQ ELES CONSEGUIRAM RESSUCITAR UMA TRIBO INTEIRA, COPIANDO TOSCAMENTE ALGUNS COSTUMES! TEM MUITO DINHEIRO POR TRÁS DISSO E GENTE PODEROSA SUSTENTANDO ESSE TEATRO, MAS AS CORTINAS VÃO CAIR…
    VIVA A VERDADE E A JUSTIÇA!

  4. Senhor Justiça!

    Não vejo esta atidute de Emílio Gusmão , defender os indíos tupinambás, ele apenas esta publicando o que a midía, blog e sites, jornais, Tvs, já publicaram.Tenho terras em litígios com os indíos tupinambás e sempre que necessitamos de postar alguma matéria no blog de Emílio Gusmão, ele nunca nos recusou a fazer as publicação de nosso interesses.Qual o interesse de Gusmão em proteger os indíos, ele não é proprietário de terras,não esta em litígio com os indíos,quem tem terras nos muncipios, de Ilhéus, Una e Buerarema, é que tem interesse de proteger suas propriedades, as minhas defendo com garras, enquanto estiver recursos no tribunal, recorro a justiça.
    Adilson Marques

  5. Gusmao,

    seria interessante que vc fizesse uma visita as propriedades invadidas e visse com os proprios olhos a barbarie que esses ditos “indios” fizeram aos produtores.
    A maioria desses individuos sao cachaceiros e arruaceiros, e viram nesta suposta demarcacao a oportunidade de ganho facil, invadindo propriedades produtivas.

    Fiquei sabendo de um agente da PF, que houve um dia que a PF foi ao local e teve que sair para nao haver confronto,atiraram nos agentes sem piedade.
    Quando localizaram o caminhao da Meta, empreiteira responsavel pela construcao da ” Luz para Todos”, tentaram impedir atirando.
    Diga-se de passagem que sao 500 familias cadastradas a mais de dois anos aguardando a ligacao e esses ditos indios querem que seja feita a ligacao nas areas invadidas e mesmo sabendo que existe um cronograma por sorteio( ninguem tem acesso) aonde é prioridade as de menor custo e maior numero de beneficiarios.

    Agora me diga, isso é gente de bem??

    Se nao houver justica neste caso, um dia eles acharao que tem direito ao seu quarto ou sua casa, afinal tem poucas pessoas habitando a casa.

    Para Reflexao:

    “Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.

    No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.

    No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.

    No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar…”

    Martin Niemöller, 1933

  6. Estava com 500 boi nelores, ja em tempo de ser vendidos para abate em Ilhéus.Com todos os problemas que Babau vinha nos prejudicando, tive que transferir a boiada para GO.Agora com Babau e sua gente na cadeia estou investindo novamente na pecuária.Minha terras só entrego depois que esgotar ós últimos recuros judicial.Enquanto tiver recursos na justiça, em minha propriedade índios não entram.Para que os indíos querem terras!Vão produzir mesmo o que nelas!Dê a eles as terras da Serra do Conduru,que esta servindo para plantação de maconha,se os indíos quizerem trabalhar aquelas terras estão de bom tamanho.Melhor que isso só ganhando na loteria.Quando ao companheiro Emílio Gusmão, ele nos tem dado espaço para publicar nossas matérias, como também tem sido imparcial na publicação de matéria de interesses dos indíos tupinambás.
    Gustavo Moura

    Gustavo Moura

  7. Defendo tambem o Sr. Gusmão. Ele só fez publicar o retrato da demagogia deste presidente politiqueiro que come na mesma gamela desta falsa india que só tem feito arruaça para aparecer.Porisso meu cara Gusmão publique as notícias sérias que o povo precisa tomar conhecimento, já que seu blog é muito lido.

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