Por Wilson Gomes
Não sei quantos estavam prestando atenção nisso, mas, para mim, o fato político mais importante de 2016 é o deslocamento do centro do poder político brasileiro para o Congresso Nacional. Dois atores são muito importantes para este movimento, que vem de 2015 pelo menos: Dilma Rousseff e Eduardo Cunha. Dilma, por ser uma presidente politicamente muito fraca e uma líder inconsistente, e até pelas suas hesitações morais. Cunha, ao contrário, aliou enorme capacidade de liderança política à mais descarada canalhice. Dilma e Cunha, cada um a seu modo, trabalharam para drenar o poder político da presidência, transferindo-o inteirinho para a Câmara e o Senado, nas mãos da famigerada 55ª Legislatura.
O Judiciário, que poderia pôr algum freio ao acontecido com Dilma Rousseff, preferiu ficar regulando rito e fiscalizando a cerimônia, como se da Constituição a única implicada no impeachment fosse a correção litúrgica. Na briga de trânsito, o STF resolveu que o melhor que podia fazer era controlar o tráfego. De vez em quando, um ou outro juiz ou a própria corte põe a cabecinha pra fora, basicamente para dizer que “está lá” e que o Legislativo nem pense que vai fazer com Judiciário o que fez com o Executivo federal. Não ruge para dar contenção, mas para não ser excessivamente contido. De vez em quando nem ruge, mia.










