Por Caio Pinheiro Oliveira
Aos Professores
Não adianta nos omitirmos nesse momento em que conquistas históricas da classe trabalhadora são ceifadas por frações da classe política comprometidas com o agigantamento dos ganhos patronais. Ter nojo dos políticos e da política, mas, optar por se omitir enquanto cidadão e cidadã não irá resolver nossos problemas enquanto categoria.
O Brasil é uma República Presidencialista, situação que nos faz reféns da classe política no que tange à resolução de nossos problemas dentro de uma normalidade institucional. Por isso, afora todas as críticas deferidas aos nossos sindicatos (aparelhamento partidário, omissão, peleguismo, centralismo, etc), nesse momento, nossas indagações devem ir além. A pressão da classe trabalhadora unida é o único caminho possível para reversão desse quadro de retrocessos no qual estamos diabolicamente mergulhados.
Não precisa ser um PhD em ciência política para reconhecer o ideologismo por trás desse processo de precarização das relações trabalhistas, ratificado diuturnamente pela grande imprensa. Os algozes da classe trabalhadora agem com muita organização e disciplina. Cada passo é meticulosamente pensado e apresentado como um pacote de bondades (PEC 55, Reforma da Previdência, Reforma do Ensino Médio, Reforma Trabalhista e outras maldades). O papel dos grandes veículos de comunicação na eliminação dos direitos da classe trabalhadora é algo irrefutável e condenável, a não ser que entre nós exista aquele (a) que esteja feliz com a possibilidade de ter que trabalhar até morrer, situação que legitimaria os argumentos do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM), ou de algum economista midiático (Global) em favor dos 65 anos como idade mínima para se aposentar.
Não desejo com essa reflexão minimizar ou amplificar a responsabilidade de partido X ou Y, mesmo porque isso seria uma promiscuidade ideológica. Entretanto, evitar partidarizar o debate não implica negligenciar a responsabilidade dos partidos nos erros cometidos pelos seus quadros, ou mesmo, minimizar o trabalho sistemático de algumas agremiações partidárias na obra de destruição dos direitos da classe trabalhadora.
Por acompanhar o fluxo desse lamaçal que virou a política brasileira, devo alertar que nossos algozes estão localizados dentro do espectro das forças político-partidárias que não são criticadas pela imprensa hegemônica, por isso, incrivelmente, ficam imunes das críticas dos espectadores da imprensa golpista, os quais, por uma espécie de comodismo informativo, se tornam papagaios acríticos de verdades artificiais tomadas como verdades absolutas.
Acredito muito na organização da sociedade como elemento central do processo de fortalecimento do Estado de Bem-Estar Social, porém, devo advertir que essa organização necessita de cidadãos e cidadãs corajosos. Atitudes de acovardamento movidas por conveniências de qualquer natureza prestam um desserviço à luta democrática. Precisamos participar dos foros de luta. É confortável eleger culpados para mascarar nossos medos e insuficiências reflexivas. Hitler, Mussolini, Franco e Stálin nos mostraram o quão fácil é dominar as massas acostumadas a terceirizar suas responsabilidades.
Por conta de tais conjecturas, eu, cidadão-professor, não abrirei mão de minhas convicções em função de qualquer conveniência. Moralismo seletivo e denuncismo difuso são atitudes qualitativamente fascistas, por isso, incompatíveis com um projeto de sociedade que se quer livre. Conclamo que façamos apologia ao pensamento equilibrado que considera a veracidade das reflexões contra-hegemônicas como fundamentais na elucidação da realidade dos fatos.
Assim, encerro ratificando o amor e respeito que tenho por todos os meus colegas de luta (professores), sem os quais não conseguiria seguir sonhando. Com efeito, devo advertir que nenhum direito trabalhista foi conquistado ou preservado sem luta! Não é digno gozar dos espólios sem ter ido lutar! Enxerguemos mais longe! Não nos contentemos com esmolas! Abonos e gratificações não devem ser a única referência da luta docente. Assim, repito: é vergonhoso esperar as benesses de uma luta da qual por conveniência ou comodismo se negou participar. Por isso, eu, professor, formador de opinião, conclamo: fiquemos unidos no próximo dia 15 na greve geral que marca a radicalização de nossa luta contra nossa liquidação enquanto cidadãos!
Caio Pinheiro Oliveira é graduado em História, especializado em História Regional e História do Brasil e mestrando em História, Práticas Sociais e Representações.









