Por Wilson Gomes
Vou dizer de outro modo, na esperança de ser melhor compreendido: amigos, entendam, não vai haver reabilitação moral do PT para a o opinião popular. Não importam os fatos, as imagens públicas predominantes do PT, de Dilma e de Lula estão irremediavelmente comprometidas. Não há redenção política possível, mesmo que (o que não é o caso) a revelação dos Esquemas das Empreiteiras provassem que todos os que conspiraram contra Dilma e todos os detratores de Lula constituem a mais desprezível escumalha política nacional. Para a percepção pública dominante, que pode não ser sofisticada mas tem lá a sua lógica, o PT é o objeto simbólico que condensa e representa “tudo o que de errado há na política”.
E não adianta insistir que os antipetistas do sistema político são uma escória abjeta, atestada e certificada pela exibição dos porões da Odebrecht. Acreditem, quanto mais se remexer no lodo político, mostrando toda sorte de animais que vivem dele, mais cresce a rejeição ao PT, por mais paradoxal que isso lhes possa parecer. Para vocês, o PT, Dilma e Lula foram VÍTIMAS do conluio de sistema político degradado. Para a percepção pública, hoje, o PT, Dilma e Lula SÃO o sistema político brasileiro em sua natureza mais degradada. Queriam que as pessoas odeiem Serra, Aécio e Eduardo Cunha? Pois bem, as pessoas estão desprezando de coração Serra, Aécio e Eduardo Cunha, mas isso não diminuiu, antes, aumentou, o ódio ao PT. Lamento ser eu a lhes dizer que puxar Serra, Aécio e Cunha para baixo não está erguendo o PT. Nem vai. O telejornal diz que Serra recebeu milhões de uma empreiteira, mas as pessoas gritam “fora PT”.
O que se viu nestas duas semanas, foi uma luta de afogados. O PT, na forma como nós o conhecemos, acabou. Ponto. Se quiser ter alguma chance política consistente, precisará ser refundado. Mas quem vai fazer isso? As figuras eminentes do partidos estão congeladas na fase da negação dos fatos e os militantes e simpatizantes entregam-se ao jogo, em que não há possibilidade alguma de ganhos, de mostrar “como eles são mais corruptos do que nós”, “como a Odebrecht comprou o impeachment”, “como Dilma foi vítima de um golpe dado por corruptos”. Sim, e daí? Entendo que para fins internos e compensações emocionais, esta pequena revanche moral cumpra algum papel. Mas não altera um milímetro sequer o estável, talvez crescente, desprezo coletivo pelo PT como metonímia da degradação da política brasileira. Se eu fosse petista, começaria a buscar outros caminhos. Mas como não sei de nada, fico aqui só tomando notas.
Wilson Gomes é professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde coordena pesquisas sobre comunicação e política. Texto publicado originalmente no Facebook.








