Por Mohammad Jamal.
Vão “veno”. Há no horizonte político brasileiro, não mais a miragem do abstrato utópico que sempre norteou e iludiu as aspirações da massa nesses últimos trinta anos. Com quase certeza da concretude sonhada, já simulamos próximo o vislumbre previsível do descortinar de situações onde a tão ansiada nêmesis se corporificará impávida e dolorosa sobre realidade sobre nossos representantes políticos, os lordes da Corte de São Saruê onde fazemos figurações humilhantes como bobos da corte. A justa administração de uma retaliação manifestada por um agente apropriado, personificada, nesse caso, por um sujeito horroroso: o eleitor revoltado.
O Gabinete do Dr. Caligari. Dr. Caligari chega com seu assessor, Cesare, a um pequeno vilarejo, Holstenwall, mas poderia ser Ilhéus; numa região quente e úmida, tipo Sul da Bahia; e logo vai à administração palaciana pedir autorização para apresentar o seu show de palavras eufêmicas na feira da cidade, com seu partner, Cesare, o qual assegura estar dormindo a 25 anos. O Show não passa de um tedioso e ambíguo jogo de palavras com as quais submete a complacente assistência à mais ridícula demonstração de humilde subserviência; algo massivo-coletivo entre afásico e autismo idiótico hipnoticamente induzidos. E Quando perguntado sobre o tipo de apresentação que faria ele afirma “Sonambulismo” … Sonambulismo Político.
Dados viciados, cartas marcadas, consultórios, consistórios fechados… O jogo patológico é um transtorno que possui grande impacto na sociedade, responsável por prejuízo social, financeiro e emocional para os indivíduos. Tal transtorno pode ser definido como o comportamento recorrente de apostar em jogos de azar, apesar das consequências negativas, onde a vítima perde o controle do tempo e dinheiro gastos; dos desperdícios, da boa-fé. Legal e compulsoriamente somos forçados a praticar o jogo do “voto cidadão”; expomo-nos tal e qual o dependente químico a essa mazela.
A Ilha das Fantasias. A compulsão por jogos é semelhante a outros vícios, como alcoolismo, tabagismo e outras drogas em geral. “Estimula as mesmas áreas cerebrais e o comportamento é bem semelhante, de ter um consumo compulsivo impulsivo, que, na verdade, a única coisa que tem de diferente é que não há o consumo de uma substância, mas tem um comportamento que se repete várias vezes na prática de uma atividade”. Enxergou o voto obrigatório aqui? Viu sua miríade de sonhos utópicos, implantes alienistas que fazem seu bom senso e razão se curvarem hipnóticos ante a verve sequiosa, quase irresistível, pela eloquência dos prestidigitadores do onírico, nossos políticos? Pois é, a probabilidade de redundar em realidade concreta é a mesma da sua tentativa de acertar na Mega Sena fazendo apenas um jogo, melhor dizendo, uma aposta! Sua chance é uma em cinquenta milhões. Tal e qual seu voto.
Já estou quase lá! A virada do jogo e o fumo refugado. Há angustias, incertezas, inseguranças e ameaças virtualizadas de que as Fontes dos Prazeres que manavam leite e mel, as delícias da carne, do luxo, do ocioso far niente parlamentar estão secando à tísica esquálida dos seus nutrientes. Bulimia? Vige! Eu ganho essa eleição nem que tenha de queimar a rosca e até ceder o anel. Não serei encarcerado pelos Sarracenos e Mouros da judicatura que querem a todo custo beber nosso vinho e fazer angus e caldos com nossas carcaças pra satisfazer a sanha revanchista dos invejosos do proletariado eleitor que torce pelas perdas das nossas imunidades e foro privilegiado.
Um contraponto real. Sem zoeiras. Num levantamento exclusivo da Revista Congresso em Foco, se mostrou que cerca de metade dos deputados e senadores da atual legislatura (2015-2018) responde a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são 238 parlamentares às voltas com a Justiça no âmbito do STF. Como se alguém em situação de intestino prévio, bolo fecal coroado a cabeçada pra fora e, sem ter onde depositá-lo condizentemente, tem a brilhante ideia de soltar o barreado oh tchê, fora da bombacha, numa meia furada que vai lançar como uma funda o produto literalmente defectivo lá no meio da invernada! Meia furada barreou todos que bailavam a vaneira, o chamamé, o bugio com as prendas no caramanchão.
Badejo e camarão VG no Chez Fasano. Nos últimos dias, o levantamento mostrou que o número de senadores com pendências no STF bateu o próprio recorde histórico; que cinco partidos concentram o maior número de investigados; que as acusações criminais contra esses parlamentares tiveram um salto de 68%; e que os crimes de corrupção são os principais entre as investigações em curso no Supremo.
Às vezes eles voltam. Aqueles que te prometeram mudos e fundos, engraçado, são os mesmos que desencaminharam para suas contas bancárias; para caixas de papelão e malas parrudas depositadas em apartamentos caixa forte; para cofrinhos caseiros, centenas de milhões em reais, dólares e euros, que seriam destinados à merenda escolar, ao remedinho para sua hipertensão e glaucoma, para pagar o hospital que te recusou por falta de leito, médico, oxigênio e te negou a cirurgia de vesícula e aquelas hemorroidas que te inferniza às noites lá nos fundos. Que receberam lucros, participações e rateios milionários oriundos da corrupção em obras superfaturadas repassadas na calada da noite por empresas identicamente criminosas contratadas pelos governos.
Não posso atendê-los hoje. Agenda cheia. Agora é nossa vez de esnobá-los, coloca-los de molho no chá de espera, negar-lhes o nosso voto e até passar-lhes uma boa chupada pelo que fizeram de “supostamente” ilícito e por terem comido, dormido e rufiado muito à custa do nosso suado dinheirinho em usufruto do ócio parlamentar onde, até se peidar, vai compulsoriamente de jatinho para o Albert Einstein fazer check-up, e nós, para a fila dos defuntos prévios nalgum hospital sucateado que ainda atenda os indigentes do SUS na periferia.
Voto inflacionado. Como o ocorrido com a gasolina, o diesel, derivados do petróleo; vamos colocar nossos votos no mercado internacional de commodities e seguir as oscilações positivas dos índices de preços internacionais. Afinal o ovo, a mistura e a pinga já estão inacessíveis ao nosso orçamento. E não adianta contingenciar capital para habilitar-se a comprar esses luxos. Do jeito que estão enfiando o fumo em nós, breve quem quiser comer carne, que morda a própria língua ou a da patroa. Exija respeito. Faça valer sua prerrogativa de eleitor.
Porta na cara. Não vote nos mesmos de sempre. Nos políticos profissionais. Não reeleja reincidentes, eles só abandonarão o modus operandi da expertise selvagem, se a Sharia for adotada em substituição ao nosso caquético e parcimonioso Código Penal e começar cedinho a amputar os falos dos corruptos e corruptores. Mas isso é só uma alusão utópica; o Brasil é laico! Ufa.
Enteados do sistema padrasto e omisso: “Todos os Estados bem governados e todos os príncipes inteligentes tiveram cuidado de não reduzir a nobreza ao desespero, nem o povo ao descontentamento.” Põe descontentamento nisso!
Mohammad Jamal é articulista do Blog do Gusmão.








