O prefeito de Salvador, João Henrique, sancionou na sexta-feira (18) a lei complementar nº 054/2011, que assegura aos afrodescendentes que se inscreverem nos concursos públicos municipais a reserva de vagas em até 30%.
O decreto será publicado nos próximos dias no diário oficial do município. Segundo a Secretaria Municipal da Comunicação Social, a ação tem como intuito assegurar igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população afrodescendente, seguindo as determinações constitucionais.









Respostas de 5
Acho esse problema de cota um tremendo preconceito, negro e branco são iguais o que importa é o desempenho do concurso!!!
seria bom se fosse verdade, meu aro anonimo. você fala em preconceito, no minimo de ser branco ou negro sem identidade. pois não tem coragem de se identificar na sua critica.
Acho que é um retrocesso e um precedente perigoso nessa nova dinamica de acoes afirmativas. Acorda Brasil! vamos unificar nossa nação, ao invés de segregarmos…
Cotas para afrodescendentes são preconceituosas pois partem do princípio de que não tem competência para disputar de igual para igual como todos os outros candidatos. Pior aqui na Bahia onde são absoluta maioria e frequentam escolas e universidades sem o mínimo preconceito.
As ações afirmativas para o negro são todas interessantes e pontuais, mas não basta apenas isto, é preciso ir além, pois a dívida é por demais intensa. Geralmente quem é contra as cotas são pessoas de classe média, ao menos é o que vejo aqui no Rio.
Mas não basta apenas ações afirmativas, penso que o maior desafio para o negro é romper a barreira do preconceito que permeia todas as suas diásporas nas Américas. A cultura negra é a mais milenar de todas as culturas. Foi o Egito antigo que deu início ao pontapé inicial daquilo que viria ser hoje as Ciências e suas divisões, às quais os gregos as definiu milênios depois e mais definidas como conhecemos hoje, a partir da Revolução Francesa. Claro, sem deixar de reconhecer a contribuição dos outros povos, mas é a África, a primeira que se desponta como contribuição para a humanidade.
Com a descoberta das Américas e guerras intestinas dentro do próprio continente, provocadas pelos europeus, como fizeram aqui com os índios, na tentativa de dominar outro povo, o europeu fez o que fez com o africano, o latino e o Sudeste asiástico. Esta reminiscência do preconceito permeia imensamente a nossa sociedade. Algo que já deveria ter sido avançado consideravelmente, mas se analisarmos, as revoltas negras foram todas sufocadas com brutalidades intensas.
Não deveríamos estar discutindo cotas em pleno século XXI se não tivessem feito o que fizeram com o negro. O resultado destas políticas até hoje estão aí, marginalização intensa, ausência do negro inserido como deveria na sociedade.
A cultura negra marginalizada, mas explorada pelos grandes capitalistas durante o carnaval. Mas marginalizada por segmentos religiosos. Explorada pelo comércio e explorada pelo colonizador, ou seja, o mesmo trabalho desde quando aqui chegou a colonização e se tentou dizer que a cultura do outro não prestava para se tentar impor a do europeu.
O curioso é que, diferentemente do europeu, o negro trouxe sua cultura dentro de si mesma. Nada mais do que uma forma de não se perder. A longo caminho a ser percorrido e, mãe, pai, família, isto depende muito de você, pois se você olhar a sua volta, grande parte de crianças que se tornam marginais vêm dos negros.
Grande parte da miséria vem dos negros, para que esta realidade se transforme é preciso ter consciência destas pequenas coisas. É preciso que a criança vá para a escola, que seja incentivada à leitura. É preciso sobretudo consciência.
Outro aspecto, por ter a Bahia recebido o primeiro negro que aqui chegou e até hoje o Recõncavo ter a maior concentração, além de preservar a cultura como já é preservada, é preciso não apenas participação cultural no carnaval. É preciso ir além, é preciso participação social, política, cidadania.
Não pode ficar adotando o que acontece como opinião pública aquilo que acontece no Rio ou São Paulo, veja por exemplo, a passeata da corrupção. Qualquer movimento contra corrupção é bem vindo, mas o NE precisa ir além disto, sobretudo à Bahia, é preciso ir às ruas protestar contra o preconceito contra o nordestino, fator que muitas vezes inviabiliza a atração de investimento na região, pois são coisas criadas pelo próprio poder econômico daqui e concentrar a riqueza nesta região.
É preciso ir às ruas protestar contra o preconceito que se tem ao nordestino e, em se falando de Bahia, protestar do preconceito duplo, ou seja, nordestino e negro. Esta conscientização o nordestino precisa ter.
Não se pode ficar reproduzindo aquilo que se vê na mídia, pois o próprio político nordestino tem responsabilidade nisto. A maioria dele aceita este sistema de coisa e acolhe as lideranças políticas que vão do SE para aí sempre de quatro em quatro anos.
Por exemplo, divulgou-se com alarde a foto de uma deputada ao lado do prefeito de SP e de um deputado que quer ser prefeito de Salvador ao lado do ex-governador de Minas. Olhem para o passado e vejam o quanto o NE é prejudicado com a aquiescência das elites nordestinas nesta política.
O Saldo disto? o patrimonialismo local. Patrimonialismo não é preorrogativa nordestina, a diferença é que, no pequeno municipio tais atitudes têm reflexos imediato na vida do cidadão comum, pois vivem de transferências constitucionais e o que é desviado é visivelmente nocivo, por exemplo, se tira da educação, salário de professor atrasado, falta de merenda, falta de condução para levar os alunos da zona rural para a escola.
Portanto, o nordestino e neste caso o negro nordestino, não pode e nem deve pensar como pensam Rio e SP em tudo. Ele precisa pensar a partir de sua realidade. Salvador por ter a cultura que tem, motivo de pesquisas de universidades alhures, mas que por aqui, sobretudo no SE é insignificante, precisa está a frente nesta vanguarda.
Não basta ser apenas a capital afrodescendente das Américas. Não basta ser apenas a emanadora e mantenedora de cultura afro. É preciso transformar isto em realidade social, cidadania, cultura interativa que transforme a vida das pessoas. Tem música? Ótimo, excelente, mas é preciso ter mais.
Li outro dia no Globo, pois não vi este livro nas livrarias, que Condoleezza Rice ficou fascinada com a cultura baiana, mas como professora e negra, sobretudo vindo de um país muito mais racista do que o Brasil, teve uma percepção incrível: viu que por aqui o racismo é mascarado e que dentro do próprio povo negro a sociedade brasileira distribuiu uns para a cozinha, para atividades braçais e para atividades mais próximas.
É preciso, portanto, que cada geração supere obstáculo, como fez desde que aqui chegou, mas não pode passar inerte a educação.