BLOG DO GUSMÃO

SÓ DÓI QUANDO RESPIRO

Por Mohammad Jamal

Saúde: Um direito de todos em mãos inábeis.

Não sei as quantas anda a sua passividade, a sua tolerância; a sua resignação. Quanto às minhas, irresignadas, andam inflamatórias, insurgentes e explosivas.

Jamais fui daqueles que se indispõem consigo mesmo, às catarses mais cruentas costumo encarar com fleumática racionalidade e muita coerência. Sempre me empenhei com afinco à libertação dos ressentimentos e evisceração das minhas verdades e opiniões. Acredito que ninguém será capaz de compreender o quanto sou grato por isso, a esse equilíbrio persignado e cultivado ao longo da minha vida!

Esse encarar não é tão simples assim; na verdade é um ininterrupto enfrentamento que, às vezes, beira a exaustão. Nós temos que tê-lo vivido por toda a nossa vida na plenitude da sua força bem como de toda a sua fraqueza para saber domá-lo à racionalidade. A doença é o teste maior, pois transcende muitas vezes a razão pura.

Se existe algo nessa situação que merece ser destacado com gratidão; é o fato de, na doença e na fraqueza que ela nos impõe, é jamais perdermos de vista o instinto da cura, ou seja, de estarmos permanentemente com esse instinto armado de defesa e reação. Pois se o contrario se fizer, nós não conseguiremos mais nos livrarmos de nada; não superaremos nem os mínimos obstáculos; não seremos capazes de darmos conta ou evitarmos nada mais. Fragilizados, tudo nos machuca; somos presas da depressão que nos fragiliza como os mais delicados cristais, se nos deixarmos cair anulados por doentia autocomiseração que nos coisifica insignificantemente por mais inumanos que tencionemos ser ante tudo. Daí o nosso jardim existencial passa ao cultivo intensivo das sementes dos fatalismos resignados que os ventos alísios das existencialidades espalham mundo afora.

É preciso estar desperto e atento às nossas reações de cunho fisiológico emocional e, dar vazão com sensatez irreprimida e com intensa espontaneidade, as eviscerações dos sentimentos de aversão e repúdio encadeados de cima para baixo e de fora para dentro em direção ao nosso racional que, coerentemente, reage em evidente repulsão.

Vejam um fato atualmente comum que afeta a todos nesta cidade: ainda semana passada enfrentei um gravíssimo problema de saúde com um dos meus mais caros familiares. Fato esse que angustiou e levou a apreensão a toda nossa família. De repente, do nada, percebe-se um pequeno nódulo no seio. Com disfarçada apreensão, corremos em busca de socorro e assistência medico hospitalar no Sistema Público de saúde. Que vergonhosa frustração foi nos darmos conta que não existe Sistema de Saúde para a nossa população! Sem dinheiro no bolso, estamos ao abandono e desassistência do que seria um direito constitucional do cidadão!

Hospitais não atendiam e, seque tinham médico de plantão para os pacientes do SUS. As negativas de consultas médicas na rede ambulatorial pública nos fizeram conscientes de que estávamos sozinhos e entregues à nossa própria sorte. A nossa sorte financeira, aquela que nos permitiu enfrentar uma situação emergencial com os recursos que felizmente dispomos para casos assim, foi o que nos salvou do pior.

Consulta médica: R$250,00; Ultrassonografia: R$150,00; Mamografia: R$150,00; Pequena cirurgia: médico cirurgião R$400,00; anestesista R$300,00; taxa de sala cirúrgica (hospital) R$500,00 e, medicamentos em leito R$100,00; patologia R$70,00; medicamentos receitados; etc.!

Devo confessar de público que foi um custo irrisório ante a importância do diagnóstico e do atendimento rápido e efetivo, que reputo de primeiro mundo que recebemos. Tivemos atendimento excelente por parte dos médicos em consultório e cirurgia no Hospital São Jose onde, desde a recepção na portaria, enfermagem e outros profissionais a que tivemos acesso, bem como as instalações e acomodações oferecidos foram extremamente impecáveis na excelência dos serviços.

Felizmente; com a misericórdia de Allàh, tudo passou e a paz e tranquilidade voltaram ao seio da nossa amada família. Diante de tudo isso porque passamos, fica-nos uma imensa gratidão aos médicos, enfermeiros, atendentes de consultório e demais funcionários do excelente Hospital São Jose. Porem fica uma imensa angústia permanentemente instalada na consciência humanitária de todos nós: E aqueles que não dispõem dos recursos suficientes para custear tais despesas médicas? Desassistidos do SUS vão esperar a morte em suas próprias casas ou será mais coerente e emocionalmente reativo exercer à estandardização e execrabilidade dos gestores das verbas para saúde pública, vindo optar por morrer estatelado às escadarias do Palácio Paranaguá à vista de todos? É uma opção a ser pensada. Quem sabe venha um funeral grátis a expensas do município?  Com direito a charanga bandeiras e faixas com profusas loas àquele que disse conhecer Ilhéus, seus problemas e soluções e, que nos prometeu o Nirvana? 

Estamos aguardando enquanto lemos de Dante Alighieri, a Divina Comédia; porque Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski nós já lemos e estamos vivenciando.

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