Por Mohammad Jamal
Não sei o que está acontecendo conosco, meus amigos. Aliás, esse estado peculiar, misto de melancolia e decepção, não é treita pra recebermos afagos e reconforto, não; quase todo povo está assim, com cara de quem comeu, não gostou e ainda por cima está em profusa diarreia existencial, claro. Há um depressivo ar de derrotismo pintado com as cores da irreversibilidade estampado no rosto de cada cidadão de Ilhéus. Estamos todos apriápicos (*), literalmente broxados refratários a todos os falsos estimulantes made in Paraguai que nos lançam ao cocho a partir das janelas intercomunicantes do Palácio e da Casa do Polvo (eu escrevi “polvo” mesmo) a realeza e a burguesia político legislativa de Ilhéus.
Contaminem-nos com o estado de espírito de vocês, que estão por cima, por favor! Nós também queremos entrar nesse clima, mas parece-nos exclusivo à elite política e rudemente excludente ao povão.
Estamos fartos de só levar fumo grosso. Sentimo-nos como aquela moça do interior que cédula, confiou nas promessas daquele caixeiro viajante que mora na capital e vendia política falaciosa. Veemente em sua voz de arauto, ele a convidou para ver uma coisa linda e pequena que escondia atrás de uma caixa de urna eletrônica! Não era pequena nem linda. Assim que ela viu de perto que aquilo que supunha era, na verdade, feia, grande e grossa, deu-se mal. Ele deixou suas marcas; fez-lhe o mau à sua pudicícia e virgindade. E logo, escorregadio como enguia, escafede-se estrada afora quando convocado a assumir o “estrago” que praticou.
Estaria todo o nosso povo coletivamente acometido pela síndrome de Penélope? Arre égua! Há, com certeza, alguma similaridade com os dramas vividos pela casta e fidelíssima Penélope a açular-nos a mísera existencialidade proletária. Enquanto lança-se ao mar cercado dos seus guerreiros para supostamente combater monstros e deuses míticos; conquistando reinos e terras, Ulisses deixa vulnerável a pobre Penélope à mercê dos tarados assediadores da corte, que a pretendiam na cama e no trono! E ela, resistiva no resguardo da sua ameaçada e instável castidade; com tatos faunos e efebos lúbricos “armados” à sua volta; compromete-se retórica em político eufemismo, ceder aos arroubos dos seus assediadores tão logo consiga terminar de tricotar do pulôver para Ulisses, o qual “destricota” – o neologismo é nosso – pontualmente à noite, para adiar o que já se insinuava como inescapável e inadiável à inevitabilidade. É assim que Ilhéus está sobrevivendo à iminência de ser tragada pelo sumidouro que a drena a exaustão dos seus últimos recursos.
“As palavras nos permitiram elevar-nos acima dos animais, mas também é pelas palavras que não raro descemos ao nível de seres demoníacos.” (Aldous Huxley).Não dá para assistir em silêncio absoluto esse festim bacante em que se conluiam unanimemente executivo e legislativo ilheense em detrimento de toda uma população. Um singular processo político democrático que se desenrola via maioria e unilateralidade, de tal forma que se faz próximo do totalitarismo monárquico dos séculos XVII e XVII. Poderes ilimitados para sobejeção e predomínio da vontade exclusiva do monarca.
Esse preâmbulo carregado de linguística simbólica e intenso figurativismo coloquial se faz necessário para que não abordemos a dura realidade dos fatos políticos ante a já inflamada opinião pública, com a crueza e cores fortes que enodoa a realidade de uma cidade inteira, a nossa enferma Ilhéus. Aproveitamos para fazer calar preventivamente o eufemismo latente dos bajuladores de plantão perfilados situacionalmente ao lado mais conveniente, para que não nos obsequiem com ilações parafraseadas do tipo banal, como “se hay gobieerno, soi contra”! Não estamos contra ninguém, estamos apenas perfilados entre iguais, os milhares de coletivizados. Somos povo em exercício pleno pela reconquista dos nossos Direitos Constitucionais. Nada mais.
Tudo começou com um discurso de campanha eivado de argumentos vazios, literalmente desgastados; sem projetos de governo; sem nenhum planejamento estratégico para assumir uma prefeitura que sabia falida ao extremo. O prefeito levantou-se zonzo do estado de dormência onde se encontrava há oito anos sem mandato. O Seu “despertar” da latência esporulada em que se encapsulou no resguardo do porão do ostracismo político, foi surpreendente! Daí para lançar-se candidato a prefeito/salvador de uma Ilhéus ora carcomida e malfadada por dois mandatos deletérios sucessivos: Valderico/Newton e Newton/Newton (PSB/PT) foi mole; alem da depressão reativa do eleitorado, uma conjunção de fatores contribuíram favoravelmente.
Ora convenhamos: sem projeto e sem cancha para agregar valores de fora ao seu atual péssimo governo; o futuro prefeito de Ilhéus, quando em campanha, brandiu e gritou, mesmo que subliminarmente, veladas afinidades eletivas; conhecimento; intimidade política e acesso irrestrito ao gabinete principal do Palácio de Ondina e as Secretarias de Estado, de onde acenava-nos com perspectivas de que manariam leite gordo; os recursos salvadores para a Ilhéus caótica e falida, com o aval do amigo e correligionário político, o Governador Wagner. Ploft! Foi mau!
Esse mesmo “correligionário” o mandou chorar em outra freguesia! E impassível, ainda o redarguiu em entrelinhas que: “Nenhum prefeito eleito é obrigado a tomar posse do cargo”, fechando a bolsa à vista de todos. No mais, tendo limitado a mínimos, os óbolos do Estado; coube-nos um inútil elefante branco, ou seria baleia branca, denominado pomposamente de Terminal Pesqueiro de Ilhéus, aguardando para acomodar tilápias, bagrinhos e piaus, quando nem “A.O.” pesca mais por aqui! Fala sério! E o Departamento de Polícia Técnica, uma longa minissérie tipo Twin Peaks, que se arrastou por anos, até a sua conclusão no centro da cidade, para dissecações e autópsias dos nossos defuntos involuntários. E tudo esses shows alegóricos inaugurais, tendo o prefeito ao palanque e à vista de todos, como feliz padrinho de tão magnificentes obras públicas! É perceptível a pouca simpatia política do Governador para com Ilhéus.
Com o cronômetro já próximo dos cinco meses da posse e, sem que a população tenha se dado conta de que Newton e baia já se foram, a não ser pela piora miserável do quadro geral da saúde pública; da urbana e da suburbana de Ilhéus; só assim nos apercebemos da presença do novo prefeito; dos seus dois supersecretários e um séquito de nomeados oportunos em doce “Far Niente”.
Quem, como eu, acreditou num renascimento político que envolvia novos paradigmas; novas ideias e conceitos administrativos; novas e desafiadoras metas a serem atingidas na sua própria carreira política via um governo com transparência e realizações; que retirasse Ilhéus do caos para a uma normalidade urbana e social estável e aceitável, seguido de mínimas obras e realizações de cunho prioritárias; de desenvolvimento econômico e social par e passo; reinserção de Ilhéus no contexto e ranking que já ocupou antes dos Governos Valderico/Newton e Newton/Newton, agora piorados.
Crédulos, nós que nos iludimos com as fantasias utopistas dos políticos profissionais; somos agora os mais prejudicados e arrependidos, pois, de certa forma, sentimos o peso agudo da culpabilidade por havermos errado repetidamente quando optamos por alguém que alem da política como prioridade, descarta com silenciosa indiferença o clamor do povo e os compromissos assumidos por Ilhéus. E ainda por cima, conluia com maioria na Câmara de Vereadores, que fazem vistas condescendentes com relação a atos e fatos governamentais que mereceriam, no mínimo, serem acompanhados e fiscalizados por esse legislativo que se caracteriza omisso, preguiçoso e escatológico.
Agora é tarde. É difícil, porem inevitável, assumirmos que reincidimos; que obramos feio e errado novamente trouxemos de volta os mesmos para as mesmas coisas: Pra nada! Será que ainda teremos chance de um novo recomeço com o que aí está instalado? Não sou cético, mas confesso-me assolado por dúvidas racionais.
Não adianta blefar agora. Nesse jogo político desigual só resta ao povo pagar para ver.









Respostas de 2
Esse artigo não está batendo com o que eu lí sobre Jabes, escrito pelo mesmo autor. Será que ele estava esperando ser lembrado com algum cargo e como não foi resolveu atacar?
Atento e ilustre Ivanilto Albagillini de Rabelo.
Esse tipo de comentário cioso e chinfrim, vazio de razões e pertinências; carregado de cooptada e sofrida paixão; alem de mal redigido, está mais para o ambiente e modelo redacional do Facebook.
Quanto à análise pseudopolítica deste texto sobre o evidente e prematuro desencanto e decepção coletiva (sic). Asseguro-lhe que junto comigo, de boa fé, também estava uma pequena parcela da população, os mesmos que juntos, votaram em eleger o prefeito na lista tríplice! Errar é humano. Quanto à sua infeliz “observação”. Está claro que não haveria “cabides” suficientes para agregar todos os eleitores que o sufragaram, premiando-os, segundo seus escritos, com as benesses de cargos públicos. O povo ansiava por uma boa gestão pública, e só!
Reasseguro-lhe que alem de independência e mediana acuidade intelectual para proferir minhas opiniões pessoais como articulista, expondo-as com razoável juízo crítico e respeito público aos leitores deste blog. Reintero que sou aposentado com suficiência! Allàh, Supremo, Misericordioso, me provê ainda de boa saúde física e psicológica, além dos privilégios do convívio familiar harmônico e amoroso e, de excelentes fiéis amigos de sempre.
Olhe à sua volta; reflita sobre as evidências indisfarçáveis estampadas aos semblantes e sentimentos da maioria da população ilheense, insatisfeita com o desempenho político – Câmara de Vereadores e Governo – predominando estagnação sobre Ilhéus. Não há como encobrir o brilho de Ra com uma simples peneira. Há uma noite muito escura e tempestuosamente chuvosa erodindo Ilhéus! Você não se apercebe disso, meu caro “amigo”?
Se em algum dia dos próximos quatro anos de mandato ocorrer que se faça, de fato, algo de bom para Ilhéus e seu povo, tenha a certeza que verás de mim, as justas e merecidas colocações elogiosas ao auspicioso feito.