BLOG DO GUSMÃO

ZONA COSTEIRA – UM ECOSSISTEMA VALIOSO

“Tendo-se esta visão, destaco a importância da presença da ferrovia e do porto Sul na região cacaueira, sem perder de vista o desenvolvimento sustentável, para que a presente e as futuras gerações possam se utilizar dos recursos naturais”.

Por Ronaldo Lavigne.

Os ambientes marinhos e costeiros do Brasil vêm sofrendo nos últimos anos um considerável processo de degradação ambiental gerado pela crescente pressão sobre os recursos naturais marinhos e continentais e pela capacidade limitada desses ecossistemas absorverem os impactos resultantes.

Esses ambientes, em função de suas características e atributos, são utilizados para a atividade petrolífera, portuária, agricultura e agroindústria, aqüicultura, carcinicultura, extração mineral, extração vegetal, extrativismo, pecuária, pesca, reflorestamento, salinas, recreação, urbanização e zonas de conservação dos ecossistemas.

Os principais impactos ambientais sobre a zona costeira estão associados à introdução de nutrientes, alteração ou destruição de habitats, alterações na dinâmica sedimentar, exploração exarcebada de recursos pesqueiro, poluição industrial, principalmente de poluentes orgânicos persistentes e introdução de espécies exóticas. Em escala global, a eutrofização derivada da introdução de excesso de nitrogênio de origem antrópica, a contaminação resultante de esgotos domésticos e as alterações nos fluxos de sedimento representam provavelmente os maiores riscos a saúde dos ambientes marinhos.

Em Ilhéus, cidade em voga por causa da pretensa instalação de uma ferrovia e um porto através de uma empresa privada, a preocupação com o impacto ambiental é latente. Neste momento de crise financeira dos municípios brasileiros, a cidade de Ilhéus não é exceção, portanto, longe de insinuar que a instalação de um sistema portuário multimodal nesta cidade não seja importante para o desenvolvimento do município, pelo contrário, constitui-se numa interface entre sistemas produtivos de regiões distintas, compreendendo áreas de características técnicas variadas em função dos manuseados, sua origem e destino.

Importante ressaltar que os portos, normalmente, não são setores de produção, mas sim um ponto de troca de meios de transporte. É uma área onde múltiplos agentes operacionais e produtos de natureza variada repartem um mesmo espaço geográfico, com responsabilidades distintas e interligadas, por exemplo, a carga e a descarga de produtos diversos.

Os portos se localizam próximos à foz dos rios ou em baías e enseadas que recebem, através de rios e córregos, rejeitos gerados pela população que na maioria das vezes não possuem esgotos domésticos e tratamento de lixo. Descargas de indústrias, poluição por óleo e seus derivados, agrotóxicos, mineração, turismo, ocupação desordenada do solo, desmatamento, obras na costa e aterros. Tudo isso contribui para a poluição no entorno do porto, tanto em terra como nas águas.

Nota-se que o ecossistema costeiro é um assunto de grande relevância ambiental mundial, e neste momento, chamo a atenção para o litoral norte da cidade de Ilhéus, até as imediações do município de Itacaré, ambiente caracterizado por praias turísticas, pela presença da Bacia Hidrográfica do Rio Almada, de um pedaço de mata atlântica, de áreas de proteção ambiental, da Lagoa Encantada e de uma biodiversidade invejável. Por ter estas características tão peculiares e sabendo-se da importância de preservação da mesma, ocorreu no sábado, dia 27.02.2010, a apresentação do RIMA – Relatório de impacto do Meio Ambiente da Ferrovia de integração Oeste/Leste, através de audiência pública, no intuito de esclarecer a comunidade, em especial as que vivem nesse ambiente costeiro, sejam pescadores, hoteleiros, populações ribeirinhas e outros, a oportunidade de discutir, tirar suas dúvidas e de saber ao certo o que irá ocorrer com a implantação da ferrovia e do porto, pois, sendo esta a comunidade que mais depende deste ambiente para a sua sobrevivência, justo e democrática a ocorrência deste encontro.

Contando com a presença de grupos ambientais, de membros da sociedade formadores de opiniões, empresários, e a comunidade afetada diretamente com a construção do porto Sul e da ferrovia Oeste/Leste, chegou-se a conclusão de que os impactos ambientais positivos, quais sejam: a geração de empregos para a mão-de-obra local não especializada, com expectativa de gerar cerca de 9.850 empregos diretos, de nível médio e fundamental e cerca de 29.500 indiretos; redução do número de acidentes nas rodovias; economia nas emissões de gases do efeito estufa e a dinamização econômica, todos estes superiores em relação aos negativos.

A verdade é que esta região necessita da presença deste mega projeto, atraindo várias empresas para Ilhéus e consequentemente gerando milhares de empregos diretos e indiretos, diminuindo a miséria que se instalou na periferia da cidade com a chegada da vassoura de bruxa na lavoura cacaueira. Segundo o Relatório de Impacto de Meio Ambiente, o investimento da Ferrovia gira em torno de 6 (seis) bilhões de reais, com extensão de 1.500 Km, fora os investimentos da construção do porto.

Portanto, cabem aos agentes sociais e a coletividade Ilheense utilizarem dos instrumentos legais, fazendo com que o empreendedor cumpra também as exigências estabelecidas em Lei. Amparado no Princípio da Democratização ambiental, a população assegura o direito de informação, através da Lei nº 10.650/03, que dispõe sobre o acesso público aos dados e informações ambientais existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, instituído pela Lei nº 6.938/81, que tutela o direito a qualquer indivíduo, independentemente da comprovação de interesse específico, de ter acesso as informações mediante requerimento escrito, ficando os órgãos e entidades da administração pública na obrigatoriedade de permitir o acesso público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental e além disso fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda.

Tais informações se consubstanciam na qualidade do meio ambiente, nas políticas, nos planos e programas potencialmente causadores de impacto ambiental. Tem-se também acesso aos resultados de monitoramento e auditorias realizadas nos sistemas de controle de poluição e de atividades potencialmente poluidoras, bem como de planos e ações de recuperação de áreas degradadas entre outros.

Ocorrendo a participação de toda a comunidade interessada na preservação do meio ambiente, quando estes buscam informações pertinentes a este projeto, alertará o órgão responsável, IBAMA, para que proceda o seu papel de análise do processo de licença ambiental deste projeto, tendo o mesmo, a grande responsabilidade de se fazer cumprir o que a legislação ambiental brasileira estabelece.

Para que ocorra a sustentabilidade deste projeto, faz-se necessário a aplicabilidade dos princípios da prevenção, da prudência, da publicidade e da participação, para que possamos usufruir dos benefícios que o projeto trará, respeitando-se, porém, as características naturais do meio ambiente.

Mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil, o de interferir na paisagem natural sem prejudicar o meio ambiente, fica registrado o alerta para que a comunidade, os agentes sociais e o Ministério público exerçam o papel de fiscais do meio ambiente, conforme expressa a Constituição Federal de 1988, em seu art. 225: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”.

Tendo-se esta visão, destaco a importância da presença da ferrovia e do porto Sul na região cacaueira, sem perder de vista o desenvolvimento sustentável, para que a presente e as futuras gerações possam se utilizar dos recursos naturais.

Geógrafo. Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente. Acadêmico de Direito da FTC – IX Semestre.

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Respostas de 10

  1. Ontem mesmo no jornal do meio dia, foi abordado que Ilhéus esta sendo destruida pelo fogo e pela extração ilegal de madeira retirada da Mata Atlântica.13,56% de terras foram destruidas este ano.Onde estavam os neoambientalistas para coibir mais estes crimes contra a mãe natureza.Para isso eles não estão!São muito bem pagos para defender os grandes latifúndios e grandes hoteis, instalados na região.E Viva a destruição!Somos contra o porto!Com o resto nada temos com isso é com a fiscalização do IBAMA, Delegacia do Meio Ambiente!

  2. O livro Máfia Verde 2 – Ambientalismo, Novo Colonialismo (Lorenzo Carrasco – Editora Capax Dei) deve ser leitura obrigatória de todo cidadão brasileiro pleno.

  3. Concordo plenamente, temos que ter desenvolvimento, precisamos de empregos.
    O problema é exatamente esse, a fiscalização.Problemas atribuidos aos ambientalistas que são de resposabilidas dos orgaos fiscalizadores.
    O IBAMA A SEC. DO MEIO AMBIENTE O IMA E TODOS OS ORGÃOS RESPONSAVEIS SE QUER TEM INTERESSE EM AVERIGUAR COMO UMA CRESCENTE INVASÃO NO SAO DOMINGOS (lado esquerdo no sentido ilhéus itacaré-Ultima casa ). o cara está ampliando sua área mangue, cada dia ele cerca mais ou menos 50 metros e planta e depois vende) fui pessoalmente e denunciei aos orgão competentes e nenhum fez abissolutamente nada.
    Vamos imgainar; se uma denuncia dessas nao teve efeito, imagine um problema em um emprendimento desse, só vai aparecer quando o povo estiver morrendo.
    CaAETITÉ É A PROVA DISSO. a INB NAO ESTÁ NEM AI PARA A AGUA CONTAMINDA COM URANIO QUE O POVO ESTÁ BEBENDO.

    fISCALIZAÇÃO DE QUEM AMIGOS? TODOS ESTÃO GANHANDO DINhEIRO NESSA HISTORIA…MENOS O POVO.
    aLGUNS NA PROPAGANDA QUE FAZEM, OUTROS NAS PEDRAS QUE VAO SAIR DE SUA FAZENDA, OUTROS , E OUTROS CADA QUAL COM SEU INTERESSE.
    pedro

  4. Lendo o texto acima nao poderia tambem de dizer que discordo de alguns pontos.
    A audiencia publica da ferrovia foi uma encenação, não uma AUDIÊNCIA.
    oS responáveis fizeram campanha de um produto, nao esplicaram nada, nem as minimas informações, nao falou em impactos nenhum, apenas da beleza do projeto.
    nO máximo colocou a distancia da zona de impacto direto e de impacto indireto.
    Sinto até vergonha de ver um cidadão capacitado , gaguejar e olhar um para o outro e nao poder responder nada.
    eles não sabiam e nao sabem de nada.
    é pura balela essa audiencia.

    Solicito a imprensa que divulgue os dois lados…isso é ser profissional e honesto com o seu povo
    pedro

  5. Pedro, este blog é democrático, gosta da discussão proveitosa, do debate.
    Recentemente publicamos um texto do blog conselho de cidadania, que contesta os métodos da Bamin.
    Pedro, vc sabe que não somos “tortos” neste tema.
    Seria bom Pedro que vc assumisse com honestidade o seu verdadeiro nome.
    Vamos lá Pedro!

  6. Amigo editor, tenho muito respeito pelo seu trabalho e sei que as vezes posso até exagerar nos meus comentários. Acredito que esse seja a forma mais democrática de se conversar. Espaço destinado a ouvir a opnião dos leitores(repeito seu trabalho por esse motivo, caso que nao é de alguns do ramo)
    Pergunto: quem é Castro Becker? Quem é Justiça já?quem é cadê os ambientalistas?
    Porque não sou Pedro?
    Não podemos tapar o sol com a peneira, todos sabem que esse tipo de fiscalização nao existe e nao vai existir.
    O amigo acima (becker)pode até ter razão, se for mulher qual é o problema.Amigo, quando vc acordar as mulheres estarão dominando o planeta e talvez com a sensibilidade, a força de trabalho, a inteligencia delas projetos como esse nao estaria se quer proposto para a nossa região.
    Viva as MULHERES. dia 08 dia das mulheres.
    O que importa não é quem eu sou, eu sou um zé ninguem que pensa em dias melhores, que pensa de forma racional.

  7. Você quis dizer o que com essa insinuação, sr. Editor?

    Que o Pedro faz parte do grupo da camiseta preta com espinha de peixe nas costas?

    Que o Pedro, mesmo fazendo parte do grupo, não vestiu a camiseta no dia da audiência pública?

    Que o Pedro não é Pedro, apenas se esconde sob a alcunha “Pedro”?

    Queremos ouvir agora a outra parte: FALA PEDRO!

  8. Não precisa mudar as minhas letras.
    Disse amigo editor(falei amigo) apenas isso. disse amigo.
    Estava, ou não estava, de preto ou de branco….talvez
    Mais o meu nome é pedro…apenas pedro.

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