BLOG DO GUSMÃO

A LADAÍNHA CONTINUA

Por Marcos Pennha.

Mais um blá blá blá inútil a respeito do complexo porto sul, durante a consulta pública da avaliação ambiental estratégica (aae), na sexta-feira, dia 6 de agosto último, no auditório da Justiça Federal de Ilhéus. Os diversos representantes da sociedade, já conscientes de que tudo é mera falácia, não compareceram. Nenhum representante de Câmara de Dirigentes Lojistas, Associação Comercial, Sicomercio, Rotary, Lions, Maçonaria, … Os profissionais dos veículo de comunicação escrito e falado, também, não se fizeram presentes. O Jornal da Globo apenas registrou o evento com pequena nota.

Os prefeitos Newton Lima (Ilhéus) e José Nilton Azevedo (Itabuna) e o secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Splenger, deram seus recadinhos, rapidamente, e caíram fora. Eles já sabem o final da história.

O professor Emílio Lèbre La Rovere, do Laboratório Interdisciplinar do Meio Ambiente (LIMA), COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez sua explanação, demonstrando isenção. O estudo mostra a ausência de plano de área para combate em caso de derramamento de óleo, conforme tem ocorrido ultimamente inclusive no Brasil; e a baixa capacidade de absorção de mão-de-obra.

O presidenta da Associação Ação Ilhéus, Maria do Socorro Mendonça, chama à atenção da projeção de como a região sul da Bahia estará daqui a 15 anos. Coincidentemente, o tempo estimado para a exploração do ferro oriundo de Caetité\ BA. É preciso que o futuro de toda gente sulbaiana seja tratado com a seriedade exigida. Não dá pra tratar com pouco caso, de acordo com a aparente ação do governo. O professor Antônio Eduardo Citron, da Associação Centro de Ação Integrada (ACEAI) declara que, segundos dados oficiais, existem 20 mil crianças fora da sala de aula, em Ilhéus, que tem a população de pouco mais de 220 mil habitantes. Isso significa que as escolas existentes não atendem a demanda atual. Estão depredadas, mal aparelhadas, com deficit de professores, que, normalmente, recebem salários indignos. Segundo a projeção da AAE, no perído de 15 anos, serão gerados aproximadamente 40 mil empregos. Considerando, por baixo, a média de dois filhos por trabalhador, são 80 mil pessoas a mais. Ou seja, o que os insensatos vêem com redenção da economia sulbaiana figura, claramente, como multiplicador de problemas.

O secretário executivo do Grupo Ambientalista da Bahia (GAMBÁ), Renato Cunha, ressalta que não há nenhuma garantia de que os projetos sociais, de responsabilidade dos governos, saiam do papel. Ele lembra que, há 10 anos atrás, nas audiências para a exploração da mina de Caetité, falava-se nisso tudo. O resultado é que, hoje, a mina funciona, contudo a maioria do povo continua desempregada, vivendo em condições de miséria, carente de escolas e doente. A única garantia é a de implantação do empreendimento. Só os empreendedores e seus parceiros políticos e empresariais logram bom êxito com a empreitada.

Ilhéus não pode cair nesse engodo. No dia da consulta, foram formados quatro grupos para que se apresentassem sugestões para incrementar o projeto. Devido ao tempo exíguo – menos de duas horas – ficou acordado que podem ser mandadas sugestões até o dia 20 de agosto próximo, através do e-mail [email protected] .

Num país essencialmente democrático, as políticas públicas são implementadas, independentes de expectativas de implantação de empreendimentos. O dinheiro pago pelo cidadão é para ser retornardo ao pagador em forma de serviços essenciais. O povo não deve ser colocado na condição de refém, como se o governo dissesse “ou é do jeito que eu quero, ou não terá teu dinheiro de volta”.

No caso do porto sul, o governo apresenta, somente, uma alternativa de “geração de emprego e renda”, que, pelos estudos do Lima, há um grande risco de não atender, a contento, aos anseios da população, além de deixar danos ambientais irreversíveis, impossibilitando a exploração de alternativas realmente viáveis. Não há como compensar tudo isso.

A atitude do governo denota imposição. O que se ver é o povo sendo enganado, acintosamente. As pessoas humildes são usadas como bonecos de ventríloquo. No dia da referida consulta pública, uma moça, parece-me que do distrito ilheense de Ponta da Tulha (onde a empresa cazaquistaneza pretende construir o terminal de uso privado – tup – para escoar o ferro de Caetité para a China), deu um chilique, questionando se não é democracia 10 mil pessoas manifestando que quer o porto. Ela falou assim, referindo-se a passeata promovida por cabos eleitorais do governador Jaques Wagner (PT). Eu até escrevi o artigo “O Complexo do político” (Confira aqui: https://blogdogusmao.com.br/2010/06/16/o-complexo-do-politico/#more-16021 ) Evento em que cidadãos e cidadãs de bem foram usados na formação de plateia para o palanque de candidatos a cargos eletivos\ 2010. O vice-presidente da Bahia Mineração (Bamin), Clóvis Torres, através de e-mail, concordou com a minha opinião. Ainda que fosse, de verdade, 10 mil pessoas, esse número representa bem menos de 10 % da atual população de Ilhéus. A referida passeata reuniu aproximadamente mil pessoas. Número ínfimo, longe de ser considerado como opinião democrática. Explicar isso, ou apresentar dados relevantes, para a citada moça, que afirmou que estava “de TPM”, é inútil. A TPM a qual ela referia-se não deve ser de tensão pré-menstrual. É provável que seja de “tô porto mesmo”.

Contatos com o autor: [email protected]

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Respostas de 7

  1. “Segundo a projeção da AAE, no perído de 15 anos, serão gerados aproximadamente 40 mil empregos”

    Dados do Sr. Marcos Penha; estou vendendo o peixe pelo preço que comprei.

    Data vênia: observem que isso não quer dizer que a região gerará apenas 40 mil empregos. Quer dizer que a cidade de Ilhéus gerará 40 mil empregos POR CONTA DO COMPLEXO!

    Ou seja, 40 mil empregos A MAIS!. Que NÃO SURGIRIAM SE NÃO FOSSE O COMPLEXO INTERMODAL.

    Metade dos que serão necessários para os 80 mil novos habitantes, ainda segundo o Sr. Marcos. Porque os dados do IBGE dizem que a população de Ilhéus está, na verdade, diminuindo.

    Esta é uma grande diferença. E o argumento nem é meu, nem de nenhum defensor do Complexo Intermodal. É do próprio Marcos Penha.

    Mas há coisas no texto que realmente precisam ser trazidas ao debate. Porque precisamos romper o maniqueísmo de ser contra, e aí não pode apoiar nada, ou ser a favor, e então se esquivar de criticar.

    Valeu!

    Degas.

  2. Enquanto houver palhaços que só querem aparecer jamais acontecerá nada de novo em Ilhéus. Ô povo idiota, vaidoso e avestruz que só olha para o própio umbigo!Aja saco para viver aqui, saindo nas ruas e olhando para estes inergúmenos pequenos burgueses.

  3. O que o cara da UFRJ disse não foi que não existe um programa de gerenciamento de risco para vazamento de óleo, mas sim que isso é uma condicionante para o projeto da Bamin poder acontecer… E essa discussão toda sobre se o número de empregos é grande o bastanet, vamos falar sério… As coisas não vêm de uma vez só, não é só essa empresa que vai contribuir para aquecer a economia da região, virão outras coisas com o Complexo Porto Sul, vamos deixar de ser apocalípticos!!!! Não vai ser o fim do mundo!

  4. Esse Marcos sempre dá umas “derrapadas”. Mas dessa vez ele se superou. Deu munição ao inimigo!

    Porto Sul já!

  5. Esse assunto deverá ser debatido durante muitos anos, não é tao simples, não apenas mudar a cor de uma casa ou trocar de carro ou de uma roupa para ir a uma festa. Não é tão simples.
    Estamos falando de goeverno, estamos falando de políticos sem compromisso com o povo.
    Se tomar por base as promessas feitas pelo nosso governador, pelo nosso prefeito, pelo nosso presidente da camara de vereadores, e por todos os políticos na ultima eleição vamos observar que nada do que foi prometido foi realisado.

    Ora, se os serviços publicos não atendem aos que já moram aqui, somados aos que podem vir menos a capacidade dos politicos de cumprirem suas promessas, estamos fritos.

    gel

  6. Degas , meu querido, se temos 80.000 habitantes a mais e 40.000 empregos quer dizer teremos mais 40.000 desmpregados.Seria isso, ou estou enganada?

    gel

  7. Alô Gel.

    As contas são do Marcos Penha, certo?

    Segundo ele, teremos 80 mil pessoas querendo emprego.

    E também segundo ele, o Complexo Intermodal gerará 40 mil empregos.

    Ou seja, o Complexo Intermodal atenderá sozinho à metade da demanda de empregos da cidade.

    Em outras palavras, sem o Complexo Intermodal teremos 40 mil empregos a menos.

    Repito: dados do Sr. Marcos Penha.

    Porque o IBGE diz que a população de Ilhéus está diminuindo.

    Valeu!

    Degas.

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