BLOG DO GUSMÃO

SELO DO INMETRO VAI COIBIR FALSIFICAÇÃO DE CATALISADOR

De Stella Fontes para o Valor Econômico.

A partir de abril do ano que vem, todos os catalisadores automotivos comercializados no país, sejam nacionais ou importados, terão de estampar o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), uma medida que tem por objetivo banir do mercado os produtos falsificados. Peça fundamental do sistema de exaustão dos veículos para a redução de poluentes, os conversores catalíticos são alvo de falsificação no chamado mercado de reposição, sobretudo por conta da baixa familiaridade da clientela com a peça. Com o selo do Inmetro visível para o consumidor, espera-se coibir o uso de componentes que não sejam genuínos.

“Não há um estudo aprofundado mas, em um programa realizado em 2007 (e exibido no Fantástico, da rede Globo), testamos 11 marcas e verificamos que 5 eram falsificadas”, conta a pesquisadora da divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do Inmetro, Cristiane Sampaio.

Os conversores catalíticos são produzidos por cinco empresas no Brasil e o ponto nevrálgico do sistema, uma pequena peça de cerâmica embebida em metais preciosos, conta com apenas três fornecedores em todo o mundo, dois dos quais com operações no país. Para a Umicore, uma das multinacionais que está presente no mercado brasileiro, a regra do Inmetro para as peças vendidas na reposição – desde abril, o selo já é obrigatório para os importados – deve impulsionar os negócios. “Além do mercado natural de reposição, há forte potencial de negócios entre os carros que não têm catalisador”, afirma o gerente de desenvolvimento de negócios da Umicore na América do Sul, Carlos Eduardo Moreira.

Segundo fonte da indústria de autopeças, a conquista do selo do Inmetro é positiva, porém a iniciativa já deveria ter saído do papel, coibindo o avanço do mercado ilegal na esteira do aumento das importações asiáticas. Em alguns casos, até palha de aço é utilizada no produto falsificado, em lugar dos caros metais nobres, paládio, platina e ródio, cujas cotações na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) superam em algumas vezes a do ouro, e que estão presentes nas peças originais.

O uso desses metais, explica Moreira, é imprescindível para a conversão de três poluentes, monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxido de nitrogênio, em gases inofensivos, na proporção prevista na resolução 282, de 2001, do Conama. “Sem esses metais, o conversor não exerce sua função e os gases poluentes são lançados na atmosfera”, reitera.

De acordo com Cristiane, do Inmetro, a adoção da obrigatoriedade do selo considerou os prazos necessários para adaptação de laboratórios aos ensaios previstos na norma NBR-6601, relativos à avaliação de conversores catalíticos, bem como o próprio prazo de realização dos testes. No caso dos componentes vendidos na reposição, a vida útil é de 40 mil quilômetros – nas peças usadas pelas montadoras, chega a 80 mil quilômetros. “Os testes são bastante caros e o ensaio é longo”, afirma a pesquisadora, acrescentando que o país conta, atualmente, com dois laboratórios aptos a realizar os ensaios.

A Umicore produz no Brasil em torno de 2 milhões de conversores catalíticos ao ano, o que confere à empresa participação de 40% no mercado nacional, estimado em 5 milhões de peças. Somente a reposição – que compreende a substituição de componentes que já superaram a vida útil -, a estimativa é a de giro de 600 mil unidades anuais. Esse volume não considera os veículos sem catalisador, que representariam até 25% da frota paulista, segundo levantamento da Cetesb realizado em 2006. “Com a inspeção veicular, esses carros terão de usar um conversor.”

Além da Umicore, outras duas companhias estão presentes na fabricação mundial do núcleo dos catalisadores, Basf e JohnsonMatthe. O reduzido número de fornecedores é atribuído à complexidade do sistema de produção e ao custo elevado. No Brasil, o produto da Umicore está presente nas marcas Mastra, OG, Scapex e Tuper. “O mercado de reposição é uma pequena parte do negócio, mas ainda assim importante”, afirma Moreira. Atualmente, mais de 95% da produção da companhia é destinada às montadoras.

WhatsApp
Facebook
Twitter
Email
Print

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Newsletter
Siga-nos
Mais lidas
setembro 2010
S T Q Q S S D
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930