Por Leonardo Attuch.
Como todas as guerras, a do Rio de Janeiro é também econômica. Durante décadas, os governantes conduziram uma política de boa vizinhança com os criminosos. O passo seguinte foi a transformação das autoridades em sócios informais do crime. As explosões de violência eram pontuais. Em geral, estavam mais ligadas a guerras internas de traficantes pelo domínio de bocas de fumo do que a confrontos com policiais. Uma disputa territorial, com foco na conquista de mercados.
Com o passar dos anos, esse negócio foi se sofisticando. Passou a utilizar armas poderosas e a movimentar cifras bilionárias, que vão além do comércio local de drogas. O Rio se transformou num entreposto do tráfico internacional, comandado a partir das favelas. Nesse modelo perverso, a maior vítima era a população trabalhadora dos morros. Gente alvejada pelo fogo cruzado e morta “em combate” nas subidas das tropas de elite. Enquanto os consumidores continuavam enrolando em paz seus baseados, os policiais corruptos faziam seu pé-de-meia protegendo bandidos e liberando usuários endinheirados. Capitães Nascimento reais, se existem, colocavam a vida em risco a troco de nada.
De alguns anos para cá, tentou-se inverter essa lógica com as Unidades Policiais Pacificadoras (UPPs). E a gente honesta das favelas, antes à mercê da “proteção” criminosa, passou a enxergar uma referência do poder público. O que se viu na semana passada, segundo as autoridades, seria uma resposta dos traficantes à presença do Estado. E as UPPs foram a principal bandeira para a segurança de Dilma Rousseff na campanha. Dilma também não se cansou de alfinetar uma proposta do ex-presidente FHC: a de se debater a descriminalização das drogas leves, como já fazem economistas e líderes de países afetados pela guerra do tráfico.
A questão é que as duas políticas, UPPs e descriminalização, não são antagônicas. Mais de 80% das pessoas que utilizam substâncias proibidas no mundo são usuárias de entorpecentes leves, como a maconha. O crack, que avança nas periferias, só prospera porque é a mais barata das drogas. Seu comércio é até antieconômico para o traficante, pois mata o “cliente” em um ano. Controlado, fiscalizado e tributado pelo Estado, o comércio de drogas leves se tornaria menos rentável. Além do mais, liberaria recursos para políticas mais efetivas de combate à violência, como o controle da entrada de armas nas fronteiras. E o mais importante é que colocaria fim à hipocrisia da sociedade brasileira: os que hoje aplaudem a polícia nos morros são os mesmos que, no fim do dia, dão seus “tecos” por aí. E, partindo dos pressupostos de que a repressão à oferta não reduz o consumo e de que a sociedade não aceitaria a polícia agindo com a mesma força na zona sul, é hora de discutir a sério a legalização.










Respostas de 3
É claro que a legalização com o controle do Estado é a melhor opção. Os desinformados ou de má-fé, estes que lucram com a criminalização, objetam que as ruas ficariam tomadas de drogados, numa orgia constante etc.Nada mais falso. Assim como o álcool que é vendido livremento e que as pessoas fazem uso, e nem por isso vivem bêbadas o tempo todo, qualquer outro usuário tem uma vida social e sabe que tem que trabalhar pra ganhar seu sustento inclusive o do vício.
A mais perniciosa das drogas, o álcool, é responsável por um flagelo muito maior do que o causado pelo crack. É só deixar de lado a hipocrisia e a desinformação para se perceber que sob a luz da razão o controle do Estado surtiria muito mais efeito que a repressão, uma vez que esta já mostrou no mundo todo que não funciona.
O admirável mundo novo e o “SOMA” da humanidade,que sempre usou substâncias entorpecentes em suas variadas formas, prescritas em consultórios,rituais religiosos,servidos nos palácios,nas reuniões de estadistas,divulgados nas propagandas, e algumas delas,sendo discriminadas por motivos políticos,intervencionistas,culturais e principalmente econômicos.É liberado encher a cara da birita preferida,tomar prozac quando quizer na hora que quizer.É proibido fumar maconha,mas dá pra tomar uma KAISER antes?
Olá!
Tenho um blogue que fala de minha vida como ex-viciado em diversos tipos de droga! Lá eu narro acontecimentos reais do tempo de usuário.
Que tal dar uma olhada lá?
http://verdadesobreasdrogas.blogspot.com