BLOG DO GUSMÃO

WELINGTON MENEZES: PSICOSE, NEUROSE OU PERVERSÃO

Por Gustavo Pestana

Publiquei aqui no blog um artigo sobre o que seria uma psicopatia, conhecida como perversão pela psicanálise, pois nos meios de comunicação foi explorada a possibilidade de Wellington Menezes, assassino dos estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo (Rio de Janeiro), está dentro dessa estrutura clinica.

Eu tenho analisado este caso sobre uma ótica psicológica, e mediante a psicologia social, psicanálise e psicopatologia cheguei as seguintes conclusões.

Primeira.  Ele possivelmente não seria um neurótico. A neurose é a estrutura clinica mais predominante no mundo. Sabe aquela pessoa que fica na dúvida entre comprar uma coxinha e um quibe, entre uma cor  para a casa nova (neurose obsessiva), ou é dramática, tudo faz “escândalo”(neurose histérica ), ou tem inúmeros medos (neurose fóbica). O que acontece com nós neuróticos é o que “Outro”(termo de psicanálise que se refere à sociedade e nossos mestres, mentores), nos impede de agir na sociedade, pois negociamos com as leis. Para a psicanálise esse impedimento ocorre devido ao Supereu.

Um exemplo, não é correto roubar, mas muitas pessoas aumentam o preço além dos limites em inúmeros setores do comercio pra ganhar mais sobre o comprador; É crime matar, mas algumas pessoas maltratam, agridem até onde é “permissível”. Toda ação de um neurótico esta baseando no olhar de outras pessoas sobre ele, quando você usa uma roupa rasgada, ou suja, ou um tênis velho você vai a um casamento, ou festa, ou até mesmo ao centro de uma cidade? Por que não? Porque você pensa como as outras pessoas irão te olhar e o que elas pensarão de você.

Segunda. Ele não seria possivelmente um psicopata. A psicopatia é conhecida também como perversão, onde nenhuma lei o proíbe de agir da forma que bem pensar, pelo contrario ele invade toda e qualquer lei, pois tem prazer em burlar as leis, é frio e etc, como compartilhei no artigo anterior sobre essa estrutura. Um psicopata normalmente tem um histórico de perversão, dizemos “Mal por natureza” a luz do senso comum.

Terceira. Ele seria possivelmente psicótico. A psicose é o rompimento com a realidade. As mais conhecidas pela população brasileira são a esquizofrenia e o autismo. Creio que você conheça um esquizofrênico. O discurso dele é ilógico, não segue nenhuma regra, um exemplo de fala de um esquizofrênico é “Queria muito comer laranja, pois a minha mãe disse que preciso ser presidente!”. Não há lógica nesse discurso, quem ouvi diz: “Esse cara é doido!”

Porem, Wellington Menezes, estaria dentro do tipo esquizofrenia paranoide. Este sub-tipo é uma classificação da psiquiatria e se encontra no CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). É o tipo que responde melhor a medicação e mais comum, logo tem um prognóstico melhor. O paciente pode pensar que o mundo inteiro está o perseguido, pensando mal ou conspirando contra ele, querem matá-lo e etc. Denominamos estes sinais de delírios de perseguição.  Na psicanálise essa classificação de uma estrutura paranóica, sendo um sub-tipo de psicose.

Pode também o paciente ter também delírios de grandeza: “Sou maior vendedor de petróleo de Ilhéus!” Sendo que ele apenas trabalha num posto de gasolina ou nem trabalha.  Quando há idéias religiosas, estes pacientes se compreendem como salvadores da terra, da humanidade.  Podendo ver pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais, a estes sinais classificamos delírios e alucinações.

Com Wellington Menezes, ele já não tinha mais o olhar do Outro, melhor das outras pessoas sobre ele, filho de um lar desestruturado, onde até mesmo seus irmãos o deixaram a margem, na escola isso se repetiu e etc. Na sua carta e nos seus vídeos exposto na internet, em inúmeros fragmentos de cartas e em relatos de pessoa mais próximas, percebemos algo da ordem da Esquizofrenia Paranóide . Quantos “Wellington Menezes” estão em nossa sociedade?

É muito fácil pra sociedade culpar apenas um culpado, o difícil é ela intervir pra melhoria dela mesma. Lembremos do caso do ônibus 147 e Sandro do Nascimento(Um possível neurótico), conhecido com “Mancha” no Rio de Janeiro, quem lembra da história dele? De onde ele veio?

Agora toda a sociedade vai ficar procurando Sandros e Wellingtos pra excluí-los, melhor tratá-los, por que eles são um perigo? O quanto as políticas de assistência sócias tem feito para os nossos pequenos, o futuro de nossa nação? Os gestores das escolas publicas cada vez mais envergonham nossa nação, com inúmeros casos de desvios de verbas e dinheiro mal aplicado.

E a família como vai? Essa tem estado em ultimo caso. Os pais querem ganhar mais e cada dia são menos atenciosos com seus filhos. Eles dizem: “Esse menino tem tudo, dinheiro, escola boa, brinquedo, comida nunca falta ele quer mais o que?” Atenção, carinho, amor e etc. Quanto tempo você tem dedicado aos seus filhos? As suas esposas e maridos?

O que nós podemos fazer agora pelo caso Realengo é chorar por uma tristeza e dor de ordem inexplicável, que fica muitas vezes sem respostas muito claras, a família brasileira foi abalada em seu âmago, sentimos como se cada criança que nos deixou fosse uma parte da gente, um filho nosso.

Meu desejo como futuro profissional na área de saúde é que nossa nação olhe mais pra os mendigos, moradores de rua, lembrando que eles são fruto de uma construção, de um processo, pois eles não nasceram assim, se tornaram assim. Esse processo pode ter sido por falta de oportunidade real, de um ombro amigo de ajuda. As pessoas clamam por ajuda, mas nos muitas vezes fingimos que não ouvimos.

Gustavo Pestana é acadêmico do 8º semestre do curso de psicologia da FTC – Itabuna. Membro do NEOOP (núcleo de estudos e orientação em oncologia pediátrica), professor no projeto FTerCeira idade e escritor. Contato:[email protected]

Conheça o blog dele http://oindizivell.blogspot.com/

 

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Respostas de 6

  1. O enquadre do Welington em um grupo F….do CID10 nao resolve em nada o caso. contribui sim, para um crecimento do preconceito em relaçao ao portador de sofrimento mental, que em sua constituiçao nao é violento. os loucos sao mais agredidos do que agridem. pensando de outra forma. se este sujeito tivesse proferido a tal palestra na escola, a TV teria feito alguma cobertura? pois é, nos seres humanos tendemos ao orror, valorizamos o que é do mal. nao toleramos a violencia mas respondemos o tempo todo com ela, como foi o caso la mesmo na escola com a tentativa de linchamento do ja cadaver.

  2. Parabéns brother, vc tem escrito muito bem esses artigos .Gosto muito de ler algo que fale do comportamento humano.

  3. A Psicologia Social juntamente com a Psicanálise e a Psipotalogia contribuíram para uma visão global, completa do assunto.
    Gustavo Pestana, você, mais uma vez, arrasou! Fico feliz ao ver estudantes de Psicologia tão comprometidos e interessados assim. Durante tantas entrevistas na TV, vimos coisas horríveis (totalmente fora de contexto) ditas por alguns “profissionais”. Ver um estudante como você, me inspira a acreditar no futuro da Psicologia, cada vez mais. Suas contribuições são maravilhosas!
    Assino em baixo!
    Parabéns! =)

  4. Muito Obrigado, Indyara e Murilo pelos comentários. Tentei nesse artigo esclarecer de forma cientifica a nossa população ilheense e brasileira o que seria tudo isso que tem repercutido no cenário nacional sobre o caso citado acima.

    Rei, não sei se me fiz entender claramente por você no artigo, pois na leitura Sócio-histórica de Wellington Menezes, eu faço um paralelo demonstrando que sujeito deve ser considerado um SER HUMANO e “NÃO UM BICHO”, nos seguintes fragmentos:

    “É muito fácil pra sociedade culpar apenas um culpado, o difícil é ela intervir pra melhoria dela mesma….Agora toda a sociedade vai ficar procurando Sandros e Wellingtos pra excluí-los, melhor tratá-los, por que eles são um perigo? O quanto as políticas de assistência sócias tem feito para os nossos pequenos, o futuro de nossa nação?”

    Minha critica central é em prol de INTERVENÇÕES PRECOCES na saúde mental de nosso pais, pois assim outras pessoas de estruturas clinicas semelhantes não venham a ser tratadas como “bichos” ou simplesmente “loucos”

  5. Quando se fala que uma pessoa tem uma estrutura neurotica, imagina-se logo que tem alguma neurose.

    Se a pessoa nao tem nenhum tipo de neurose, o que siginfica ter uma estrutura neurotica?

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