Do Cena Bahiana
Uma inserção que circulou no horário eleitoral de Salvador, se bem me lembro era do DEM, mostrava um homem consertando um carro. De repente, ele sai de baixo do veículo e diz mais ou menos o seguinte: “tem gente por aí falando em alinhamento, mas desse assunto eu entendo muito bem; e não adianta nada estar tudo alinhado se quem está na direção não sabe guiar”.
A metáfora reflete bem o pensamento do eleitor. Pelo menos em dois grandes centros – São Paulo e Belo Horizonte – a forte presença de Lula e Dilma na propaganda eleitoral não está se revertendo em ganhos para seus candidatos. Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo atestam que o fenômeno comprova a tese de que não há influência de políticos nas eleições de outras esferas de poder. Talvez a inexistência total seja exagero, mas o peso é muito menor do que alguns imaginam.
Em Itabuna, por exemplo, o PT sabe bem disso. Na eleição de 2000, quando combatia a história do alinhamento (pois quem estava no Governo do Estado era César Borges e no Brasil quem reinava era o tucano FHC), o partido criou uma bela campanha intitulada “No Meu Voto Mando Eu”. Falou direto ao coração de um eleitor que já não aceitava cabresto e hoje o repele ainda mais, acabando por vencer aquele pleito.
Hoje o PT está do lado oposto e, em virtude de uma metamorfose kafkiana, adotou o discurso que antes combatia. A legenda agora defende o atrelamento e tenta fazer o eleitor acreditar que sua cidade terá melhor tratamento se o prefeito for amigo, compadre ou aliado do governador e da presidente. Bobagem não republicana que não mais convence nem assusta. Muito pelo contrário: instiga altivez e produz reação contrária.
A conferir.








