BLOG DO GUSMÃO

ILHÉUS: NAUFRÁGIOS QUE NÃO ENTRARAM PARA A HISTÓRIA DA MARINHA

Por José Rezende Mendonça

Apesar de serem bem mais recentes que outros naufrágios ou ocorrências marítimas transcorridas em Ilhéus, os navios AREIA BRANCA e URUBATAN, não há nenhum registro na Capitania dos Portos da cidade.

O navio “Areia Branca”, que ficou a deriva em alto mar, encalhou nas praias de Ilhéus em 1957/1958, no local até hoje chamado de Acuípe, próximo dos limites entre Ilhéus e Una.

E por falta de registro, tudo que sabemos faz parte da nossa memória, apesar de que naquela época tínhamos aproximadamente seis anos. Daí ainda ficarmos em dúvida quanto à denominação do navio se realmente era “Areia Branca” ou outro nome de origem alemã, devido objetos nele encontrado daquele país. Quanto a isto, só me resta de lembrança que o local propriamente dito até hoje se chama Areia Branca, no Acuípe.

Lembramos perfeitamente da “procissão” de caminhões daqui do Pontal que circularam pelas praias (único local de tráfego naquela época) nas madrugadas, até o navio, para dele “saquear” a sua carga e objetos componentes do seu dia a dia, que encalhou na praia, sem nenhum tripulante ou passageiro.

Da carga ainda nos faz lembrar: galões de tintas, tecidos, óleos combustíveis, etc.; e materiais de uso do navio como: relógios de marca alemã, armários de vestuários de excelente qualidade, que até pouco tempo ainda estavam intactos e que só foram desfeitos devidos o peso, nas mudanças. Sem se falar em objetos de mesa, cama e banho.

Também não esquecemos numa destas madrugadas de depararmos com uma tartaruga gigante, que naquele exato momento se dirigia para o mar, depois de desovar nas areias do local, e foi capturada simplesmente com um passo de mágica, pelos faróis acesos, que a fez ficar “hipnotizada”. No outro dia foi morta para consumo, numa festa à beira mar da Fazenda Cana Brava de meu pai Laudelino Rezende Mendonça. E como não lembrar a quantidade de ovos que deu para encher uma lata de querosene ESSO. Nós, a criançada, nos contentávamos em deliciar aqueles ovos cozidos e sal.

Vejam quanta coisa que hoje não fazemos. No meu modo de pensar tudo tem uma razão de ser, ou falta de conhecimento dos adultos ou levados pela fartura existente nesta faixa de praia, ou até mesmo por divertimento.

Quando falamos que não entraram para a história é porque procuramos a Capitania dos Portos em 2011, para ver se podíamos resgatar dados mais precisos sobre os navios Areia Branca e Urubatan. Para nossa surpresa nada constava nos livros de registro dessa instituição.

É lamentável, pois no caso do incêndio (explosão) do navio Urubatan, deu-se no cais do porto, com tripulantes a bordo, mesmo tendo conhecimento extraoficial que não houve mortes. Mas, fomos informados depois da publicação do livro, mais precisamente em 06 de maio de 2011, via e-mail por Antonio Andrade Silva, que mora no Rio de Janeiro, afirmando que João Cândido Sobrinho, que era um dos tripulantes, nunca mais retornou a sua terra natal, e até hoje nada se sabe, se morreu ou simplesmente “aproveitou” o ensejo e por aqui ficou, sem nenhuma comunicação com seus parentes.

Eis o texto do e-mail: “Procuro um primo de nome: JOÃO CÂNDIDO SOBRINHO, filho de: JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA e MARIA MADALENA DE JESUS. Segundo seu irmão Nelson Cândido Sobrinho, ele estava em um navio de Santos a Ilhéus de nome URUBATAN. Gostaria de alguma informação sobre ele”. Abraço, Antonio Andrade Silva [email protected]“.

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Tudo que a Marinha agora tem conhecimento deve-se ao fato do nosso relato no livro do Pontal – Ontem & hoje – Memórias, sobre o navio Urubatan. Agora terá conhecimento desse naufrágio na costa de Ilhéus com o navio Areia Branca, que não citamos no livro, por não ter acontecido no Pontal.

Tomara que apareça alguém que nos comentários informe aos ilheenses mais detalhes do navio Areia Branca, pois o Urubatan têm dados da memória publicada no livro, que descrevemos aqui: No ano de 1959, quando se encontrava atracado no porto de Ilhéus, para descarregar algo em torno de 200 tonéis (barris), contento óleo betuminoso (tipo asfalto), começou a pegar fogo, sendo de imediato rebocado para a praia da Ponta de Eustáquio, como era conhecido o trecho que ia da atual entrada da Sapetinga até o atual Restaurante “Boca Du Mar”.

Foi arrastado para este local por medida de segurança, pois nesta época era uma praia deserta e longe da área urbana do Pontal. Inicialmente este navio, mesmo todo queimado, ficou inteiriço, só por volta de 1967, com os constantes arrebentos do mar, o navio partiu-se em dois e depois aos poucos foram retirando seus pedaços. Este local era outro ponto atrativo das crianças e jovens do bairro, que nas “marés baixas” se aproximavam do navio para pescar nas lagoas que se formavam em torno do mesmo. Ali pescávamos siris, moreias, corre-costa, bagres, robalo, carapeba, etc.

Bom, até pouco tempo ainda restava na Praia do Acuípe restos do casco do navio Areia Branca, inclusive, seu mastro era visível há mais de 10 km de distância pela praia. Prometo que em breve voltarei ao local para fotografar o que ainda resta, para que fique mais esse registro na nossa história, que está se perdendo pouco a pouco. Esta praia já foi um excelente local para pescaria de molinete. Hoje, como vem acontecendo em todo Brasil, esses pontos estão cada vez mais escassos.

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Respostas de 5

  1. Nasci em Nazaré da Farinhas-BA ,mas fui gerado e criado em Mundo Novo-BA , cidade que considero, por razões e coração , minha terra natal.

    Conheci Ilhéus em 1971 , foi um gostar forte a primeira vista .Vim jogar uma partida pelo Campeonato Baiano de Futebol Juvenil. Eu era jogador do Esporte Clube Vitória e enfrentei , no Estádio Mário Pessoa, o time do Vitória de Ilhéus (1×1 foi o placar ).

    Se a gente tivesse a opção de escolher a cidade que gostaria de ter nascido, ter passado a infância e a adolescência, a terra de Gabriela iria complicar / dificultar , e muito ,a minha escolha.

    Em abril de 2012, retornei a Ilhéus e nestes últimos anos já fui várias vezes a esta linda e histórica cidade. O motivo destas viagens é o trabalho, porém , na verdade, pra mim valem como um retiro paradisíaco.

    Se o Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa ,Ilhéus é , sem dúvida, a Cidade Maravilha . TEM O SEU PONTAL E QUE PONTAL , tem Mar com praias ,do Norte e do Sul , belíssimas, tem sua Magistral Baía , tem sua Bela Avenida Oceânica, tem seu Centro Histórico , seus Museus, seu Teatro Municipal ,tem sua Imponente Catedral – tem também São Sebastião como padroeiro , junto com São Jorge e Nossa Senhora da Vitória – tem seus Palacetes, tem seu Cristo de braços abertos , tem seus Morros e seus Mirantes, e tem um povo por demais comunicativo,receptivo ,acolhedor.

    Tempos atrás, antes do meu 1º retorno a Ilhéus , via o renomado escritor Hélio Pólvora , através um texto escrito para o jornal A Tarde, tomei conhecimento do trágico naufrágio do Navio Itacaré.

    Pois bem, toda vez que estou em Ilhéus , ao contemplar a sua Barra , o Morro de Pernambuco – onde tem um bom restaurante que por mais que caprichem no prato solicitado , não consegue superar a “entrada ” , a deslumbrante vista da cidade -,a sua Baía e o seu Antigo Porto, lembro-me imediatamente da impressionante narrativa talentosamente floreada de Hélio Pólvora , levando-me a imaginar outras tantas histórias fantásticas que aconteceram nestas terras – a exemplo do naufrágio do Navio Areia Branca – e que não foram contempladas pelo vasto repertório do Amado Jorge e dos seus tantos ilustrados conterrâneos .

    Assim sendo, prezado José Rezende Mendonça , estou curioso para ler o seu livro sobre o Pontal. Favor informar a editora e os locais pra venda em Ilhéus ou mesmo em Salvador,onde resido.

    Espero também que via pesquisas e mesmo vasculhando as suas memórias de criança e adolescência nos traga mais emocionantes histórias da Cidade Maravilha e como dizia o Amado Jorge , das ” Terras do sem Fim “.

    Aquele Abraço

    Aquele Abraço

  2. Obrigado pela informação, a anos viajo para a bahia e vejo uma embarcação proximo a Una, sempre tive curiosidade de saber sobre a mesma.

  3. Fins dos Anos 60/70 um navio com nome de Ludimar ao tentar entrar para porto ao lado da pedra Itapitanga de fronte ao edf. Sta Clara bateu encalhou nas pedras submersa e foi a pique. Ele trazia carregamento de óleosegundo comentários da

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