BLOG DO GUSMÃO

A DITADURA, JÁ TÃO DESPUDORADA, SE DESPE TRANQUILA EM MEIO DO POVO!

jamal-padilha (1)Por Mohammad Jamal

Venho me mantendo em prolongado e interminável estado de atenção e autocrítica. Não que eu esteja suspeitando-me de estar empreendendo escapes ou divagações ilusórias sobre a nossa real existencialidade político cidadã. É que, e já faz um bom tempo, sofri algumas observações de um conhecido, onde ele dizia semi confidencialmente, que eu me encontrava num momento em que deixava transparecer nos meus escritos um forte desencanto e desvirtuamento para com o nosso apocalíptico futuro político, mercê do olhar crítico claramente ruinoso e trágico, de como descrevo os prognósticos obscuros que nos aguardam e se nos apresentam funestos e sinistros em médio em curto prazo.

Sou mestre no querer entender e aprender; aí, vira e mexe lá me vêm redundantes as tais observações que me levaram a refletir criteriosa e analiticamente sobre os estágios políticos e sociológicos conturbados em que se encontram mergulhados nosso país e Ilhéus.

Sou assolado por dúvidas, mas, contraditoriamente, as minhas repetidas conclusões críticas se reencaixam sem uma contradição sequer àqueles resultados pré-existentes a que já havia anteriormente chegado a termo. Senão àquela que estamos como meros instrumentos às mãos, humores e vontades duma elite política utilitarista, quase escravagista, que nos possuem através o mesmo sistema ditatorial com que politizaram toda e qualquer ação do Estado. Uma relação de custo beneficia onde se prioriza primordialmente a classe dominante, seus projetos político pessoais, sua perpetuidade no poder, seu enriquecimento ilícito à revelia da Justiça e detrimento de toda a população. E isso me incomoda como uma farpa de madeira cravada ao cérebro. Detesto o servilismo, o entreguismo, a covardia que pesa sobre massas constrangidas e ignoradas à exaustão.

Não sou cético, muito menos um presunçoso pseudossapiente ou burro refratário, imune a conselhos e aprendizados. Racionalmente, também não sou dado ao desperdício do meu tempo para insipiências pueris, nem empresto ouvidos para observações em adágios vazios, tendenciosos ou aleivosias despropositadas, inócuos; etc.

Foi assim que, cheio de coragem e resolução, decidi procurar assistência psicológica, claro, após ter ouvido algumas dezenas de dissertações proferidas por ditos conhecedores da sociopolítica e psicologia das massas. Conclui finalmente que devia procurar um terapeuta. Eu queria recolocar nos padrões aquilo que a mim parecia grave e soturno, enquanto para outros, tidos como simples e corriqueiros fatos da nossa modorrenta sociopolítica. Em cinco semanas tentei com oito terapeutas de diferentes escolas metodológicas. Para cada um deles, ensaiei a litania dos meus lamentos até parecer que estava recitando um monólogo tirado de uma peça escrita por outra pessoa. Alguns dos terapeutas que entrevistei até pareciam sábios. Alguns eram inacreditáveis. Uma mulher de meia idade, loira, pesadamente maquiada, cheia de joias, que se ocultara atrás de um notebook sobre a mesa, tapando quase todo o seu rosto, me pediu pra descalçar os sapatos antes de adentrar ao seu consultório! Foram as três sessões, sendo uma para tomada dos meus dados pessoais, o que me pareceu um cadastramento para Receita Federal; uma segunda sessão dedicada exclusivamente ao polimento e exibição das suas medalhas e comendas de capacitação superior, mesclada com tediosas loas auto-elogiosas ao extremo. E na terceira sessão passei uns dez minutos em silêncio enquanto ela, escondida atrás do notebook, corrigia uma interminável pane no sistema. Dez longos minutos depois colocou parte do rosto ao alcance da minha vista e perguntou: “como é seu nome mesmo”. Calcei os sapatos e saí como entrara; em absoluto silêncio. Outro terapeuta me informou seu endereço e telefone errados; outro me disse que eu não tinha problema algum; que devia me animar mais e esquecer a situação aparentemente crítica do proletariado onde me incluía, “é tudo assim mesmo; fique frio”. Houve também um cognitivista; um freudiano que roia as unhas durante a sessão inteira; um junguiano e até um autoditada. Também houve um determinado terapeuta que vivia me interrompia repetidamente para dizer que eu era exatamente como ele (?). E vários pareciam simplesmente não entender quando eu tentava explicar quem eu era. Ao final, prestes a desistir, eu imaginara que meus amigos bem ajustados ao sistema deviam ter bons terapeutas ao alcance.

Mas ainda tem o último. Esse era autoconfiante e muito seguro de si, embora um tanto zen para meus padrões de seriedade e sisudez; aparentava a tranquilidade do mimado Thor, filho do Eike Batista. Transparecia-me, entretanto, ser egresso de alguma facção social sindicalista, talvez um ex-petista, quiçá um ex-psolista a ponto de, silogística e audaciosamente terapêutico na sua enigmática prosódia, abusar do abstracionismo linguístico para me dizer enfático: “_Esqueça isso. A política atua sobre o ego do político, assim como o purgante de rícino o faz com os intestinos daqueles acometidos pela prisão de ventre! Nos primeiros, libera o que há de mais fétido aprisionado no psiquismo moral; no segundo, relaxa as vilosidades intestinais onde se oculta o quilo aprisionado e, dá-lhe à luz entre nós! Ambas as partes integram o caráter político tanto quanto a psicofisiologia do sistema digestivo, logo após o cólon.”.

Concluo finalmente após essas duras peripérsias no âmbito das psicoterapias, que sou normalíssimo; que de diferentemente do restante da população, apenas não sou dado à servilidade ou submissão, tampouco me presto em beber essa sopa estragada que servem ao manso proletariado brasileiro. Quero respeito à minha cidadania e liberdade sem coações para apontar os dolos, a má Fé, os roubos escancarados praticados por aqueles guindados ao poder temporário que manipularam e o transformaram-no em permanente suserania absolutista como imaginam na casa de Noca e de Irene.

Um sério e perigoso agravante, é que políticos ainda falam muito e requerem mais concessões de direitos exclusivos e mais liberalismo democrático, liberdades, etc.! Mais liberdades além daquelas imunitárias que usufruem e se fartam na impunidade? Pode? Transcrevo aqui uma nesga de um texto de Paulo Chagas: “Liberdade para quê? Liberdade para quem? Liberdade para roubar, matar, corromper, mentir, enganar? Liberdade para ladrões, assassinos, corruptos e corruptores; para mentirosos, traficantes, e hipócritas? Falam de uma “noite” que durou 21 anos, enquanto fecham os olhos para a baderna, a roubalheira e o desmando que, à luz do dia, já dura 26! Fala-se muito em liberdade!”.

Vou mais adiante à história. Estribado no pensamento filosófico de Santo Tomás de Aquino, de que os príncipes são obrigados a devolver o que tiram de seus súditos, sem ser para a preservação do bem da coletividade; lembrou Padre Vieira terem sido punidos com o cativeiro dos assírios e dos babilônios os reinos de Israel e Judá, porquanto os seus príncipes, em vez de tomarem conta do povo como pastores roubavam o povo como lobos: “Principes ejus in medio illius, quasi lupi rapientes praedam” (Ezech. XXII, 27).

A filosofia da história, aqui me referindo à visão analítica do historiador grego Políbios; tem a peculiaridade de afirmar que a organização dos homens é uma sucessão cíclica de formas de governo, na qual a corrupção desempenha um papel fundamental. O autor utiliza a imagem da ferrugem e do caruncho para caracterizar a corrupção como um mal inerente a todas as Constituições ou formas de governo. É um fenômeno natural que decorre da predisposição do homem ao apetite e à ganância: do mesmo modo que a oxidação no caso do ferro e o caruncho e as cracas no caso da madeira, são pragas ínsitas a esses materiais, e eles, embora escapem dos agentes destruidores externos, são desfeitos por elementos nocivos presentes em si mesmos. Cada Constituição sofre de um mal congênito e inseparável de si mesma. Na monarquia esse mal é a tendência ao despotismo, na aristocracia é a tendência à oligarquia, e na democracia é a tendência à selvageria e ao império da violência; e como foi dito, é impossível que cada um desses tipos de Constituição não tenda com o tempo a converter-se na sua forma mais degenerada sob os auspícios da política.

(POLÍBIOS, 201 a c. e 203 a. c).

Chocados e precavidamente reativos aos crescentes avanços do poder político sobre as massas, ficamos nós cidadão brasileiros ante o esdrúxulo e extravagante decoro insidiosamente singular e personalíssimo de cada um deles para conosco, enquanto povo.

Há entre os nossos “representantes” e autoridades centenas deles respondendo criminalmente por roubo; furto; formação de quadrilha; descaminho; corrupção ativa e passiva; falsidade ideológica e de documentos público, malversação de recursos públicos, furtos e repetidas Prestações de Contas repetidamente reprovadas pelos Tribunais de Contas. Processados, as ações processuais a que respondem descansam modorrentas por décadas nos escaninhos sobrecarregados do nosso atarefado Judiciário! Enquanto isso, indiferentes ao repúdio e censura da opinião pública, ainda assim, arrogantes, exercem e usufruem dos seus mandados e importantes cargos públicos nas esferas federal, estadual e municipal!

Também temos aqueles representantes que, mesmo tendo sido julgados e condenados por roubo; formação de quadrilha; corrupção; etc. em todas as instâncias, inclusive as superiores; com sentenças transitadas em julgado; continuar à revelia do judiciário e do povo, ocupando importantes cargos nos legislativos e executivos representativos da nação, estados e municípios!

A lei da Ficha Limpa? Ah! Já foi lavada e flexibilizada na calada dos jogos da pré-copa!

Temos novos e outros reformados Estádios de futebol que custaram bilhões de reais tirados dos nossos bolsos contribuintes; mas não temos iodo, algodão, gaze ou pomada nos postos médicos que também não tem médicos nem enfermeiros; estão fechados há meses! Não tem merenda escolar para nossos estudantes carentes e muito menos escolas decentes e aulas regulares! Falta-nos transporte público humanamente condizente e valores de passagens compatíveis aos serviços prestados. Temos aqui sob muitas suspeitas de desvios nos recursos para sua construção, um pomposo Terminal Pesqueiro de Ilhéus, mas que, entretanto, só produz um pouco de gelo! Não temos nem 5% dos serviços de saúde em funcionamento para atender as necessidades da nossa população! Há uma única ambulância do SAMU para atender quase duzentos mil habitantes da área urbana, porque a rural e metropolitana não possui acesso a esse serviço público!

Agora fica uma questão não respondida que abrange quase todos esses questionamentos: Para onde estão indos todos os repasses e verbas estaduais e federais supostamente indesviáveis, por pré-destinadas para saúde, educação e convênios? Para onde estão indo os milhões arrecadados com essa derrama de multas de trânsito aplicadas sobre os extorquidos proprietários de veículos ilheenses? E os repasses do FPM e mais a diversa arrecadação municipal, se não temos um serviço publico funcionando, mesmo que em mínimas condições?

Não só o político, mas toda a política partidária implantada no país chafurda nos mais baixos níveis históricos da aceitação popular. O substantivo ‘político’ é hoje o mais fiel representante sinônimo para expressar a mentira, a falácia, o engodo a desonestidade e a falta de caráter. E o que é pior: estamos refém numa ditadura baseada na corrupção e na impunidade implantada por eles, que grassa em nosso imenso país como uma pandemia incontrolável. A pior das ditaduras é aquela que se disfarça de democrática para solapar os direitos constitucionais de todos os cidadãos.

Os brasileiros não são bons de briga; mas são ótimos no samba, no arrocha, no funk…! Quando vamos canalizar essa energia para a defesa dos nossos direitos constitucionais? 

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Respostas de 2

  1. Como sempre, eximimo nas suas “artes descritivas” (relacionadas à escrita), embora um pouco longas (na minha óptica e sem qualquer desprimor),(quem sou eu para chegar a ter “tal ousadia”? E para classificar textos de outras pessoas. Nem estou cá para isso e nem sou suficientemente “tarimbado” para o fazer), com um vocabulário riquíssimo, apropriado e versátil, daí a “crítica”, penso que construtiva, (não seria preciso tanto “palavreado”, para descrever o que a Ditadura (eu diria melhor, a Democracia (deles, dos políticos)) anda a fazer no meio do Povo), é que a gente “dispersa-se”, cansamo-nos e não prestamos “muita atenção”, ao que o Dr. Jamal nos quer dizer com os seus títulos e apontamentos (para uns, de boa qualidade e interessantes (o meu caso), ao passo que e para outros, enfadonhos).
    Termino, porque acho que quem está a ser enfadonho, sou eu próprio. Obrigado pela atenção.

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