Por Mohammad Jamal
Ah! Foram duas tardes atípicas e movimentadas vividas esta semana! Foram dois dias de shows no Coliseu do Povo, superlotado. Romanos digladiando contra romanos. O povo atrepado aos montes nas superlotadas galerias, enfurecidos, torcendo a favor da derrota e carnificina de ambos. É verdade! O povo quer sangue, vísceras, membros decepados e morte sobre o tatame ladrilhado da Câmara. Aos gritos e vaias ensandecidos de rancor; o povo vibra contra as opressões praticadas contra si pelos Césares do poder, ao amparo legal no “Estado de Direito”. Isso é que acende os ânimos faz o povo beirar a sedição, uma quase sublevação no proletariado!
De alguma forma, a atuação do povo foi plástica e estilisticamente linda, embora bizarra e estarrecedora, confesso! Uma sodomia coletiva, diria o escritor Henry Miller vendo o tsunami de aversão no povo, indignado e à beira de sublevar-se incontrolável e devastadoramente contra o democratismo convenientemente indolente e ocioso que se assiste praticarem à revelia de tudo em prejuízo do povo. Alguém me disse lá: “Nossa Câmara é uma colmeia! Pena que só produza cera, e de má qualidade!”.
As duas últimas Sessões legislativas assemelharam-se muito próximas ao que seria uma caótica sessão de psicodrama com esquizofrênicos, mediada por um inexperiente e recém-formado psicoterapeuta. Ou, com mais simbolismo, como se o povo, tendo desembolsado antecipadamente o caro ingresso para assentar-se nas tábuas do galinheiro e poder assistir ao embate entre o pré-vitorioso Anjo Gabriel e o demônio Lúcifer, houvesse sido informado à última hora que um dos seus gladiadores, o covarde Lúcifer, apresentara um Atestado Médico justificando sua ausência por problemas de saúde. Nessa condição, os promotores substituíam a luta agendada por um sarau de canto gregoriano em Latim! O pau comeu solto por lá com direito a B.O e exame de lesões corporais! Um barraco geral!
Nós nos vemos assim. O antes alegre e esperançoso povo eleitor, logo após atender à convocação “cívica obrigatória” para votar no seu candidato; aquele mesmo que em campanha nos chamava de “meu Povo… Meus Filhos”. Passamos agora, depois de empossados nossos salvadores e papais adotivos, à condição de bastardos e rejeitados pela simples razão de sermos apenas povo! Um incômodo e impertinente espécime de indivíduo, um pseudocidadão dado a pedir e reclamar de coisas sem nenhuma importância, tipo um médico para atendê-lo; ônibus para ir e vir ao trabalho; escolas com professores e sem goteiras! Ruas limpas; calçamento, merenda escolar e até saneamento básico e salários condignos? Ah nos poupem de tantas chateações. Essa vida de político é uma canseira… Diga-lhes que estou em reunião. Não posso atendê-los.
Intercambialidade quase promíscua que impera entre os poderes executivo e legislativo, por regra, trata os interesses políticos partidários junto com outros singulares de alguma pessoalidade, com extremo zelo e prioridade urgentíssimos. Algo de tal modo acintoso e escancarado que nos transparece sólido o escarnecer do povo como elemento menor no Estado Democrático de Direito. Diariamente somos surpreendidos por uma sucessão de escândalos envolvendo imoralidades, inidoneidades e crimes de roubo; furtos, desvios de conduta, prevaricação, falsidade ideológica, concussão, chantagem, extorsão, compra de votos; pedofilia, etc. Crimes banalizados condescendentemente sob os preceitos das imunidades; das outorgas autolegisladas e dos foros especiais pendem nos empoeirados arquivos da justiça, onde as traças consomem à fartura. Calhamaços de milhares de processos que jamais chegarão a transitar em julgados por falta de um exército de juízes suficientes para o gigantismo da tarefa. Caducam, portanto, ali mesmo até à inevitável prescrição. Os cidadãos trabalhadores e o Estado serão sempre as partes perdedoras, mesmo em não sendo réus e, ainda assim, obrigados a arcar com os prejuízos e os altos custos processuais.
Para o bom entendedor, mesmo àqueles semialfabetizados, é facílimo perceber que nós povo, estamos nas ruas lutando por justiça e por nossos direitos constitucionais desacatados e descumpridos acintosamente pelo poder político. A noção que temos é a de que estamos num Estado de Direito e Sistema Eleitoral parecido com aquele vigente nos Estados Unidos, dois partidos: Democrata e Republicano. Diferentemente, apenas num singelo particular, nós brasileiros diferimos do sistema bipartidário Norte-Americano num item. É que aqui temos o poderoso Partido dos Políticos vencendo todas as eleições contra o combalido e miserável, embora majoritário, Partido do Povo, sempre derrotado, levando fumo grosso, coisa que nos revolta quando lemos Etienne de La Boétie. Um insulto à nossa baixo autoestima.
“Pobres e miseráveis povos insensatos, nações obstinadas em vosso mal e cegas ao vosso bem! Deixais levar, à vossa frente, o mais belo e o mais claro de vossa renda, pilhar vossos campos, roubar vossas casas e despojá-las dos móveis antigos e paternos; viveis de tal modo que não podeis vos gabar de que algo seja vosso; e pareceria ser agora uma grande fortuna para vós conservar a meias vossos bens, vossas famílias e vossas vidas vis; e todo esse estrago, esse infortúnio, essa ruína vos advêm não dos inimigos mas sim, por certo, do inimigo, e daquele que engrandeceis, por quem ides tão valorosamente à guerra, para a grandeza de quem não vos recusais a apresentar vossas pessoas à morte. Aquele que vos domina tanto só tem dois olhos, só tem duas mãos, só tem um corpo, e não tem outra coisa que o que tem o menor homem do grande e infinito número de vossas cidades, senão a vantagem que lhe dais para destruir-vos.”. – “Discurso da Servidão Voluntária” – Etienne de La Boétie.
E você? Vai votar em quem?










Respostas de 7
O que se passou esta semana no “Coliseu do Povo”, não lembra a ninguém e também ninguém acreditaria, caso lhe contassem, porque e de facto, só visto!!!… (como todos vimos e como este meio de comunicação social nos permitiu que víssemos, pelo vídeo antes publicado). Que pouca vergonha!!!…Parece que não serviu de nada (pois pelo menos, não atuaram de modo a terminarem com a “aquela baderna”, no momento exato na hora própria), estar ali a Polícia Militar no local próprio e na hora do “crime”. O dito movimento (que não está nem reunindo e nem movimentando Ilhéus, coisa nenhuma) pensa que está impune (e imune) e nem está respeitando a Ordem Pública, como deveria ser seu apanágio (já não basta estar ali à tanto tempo e irregularmente acampado no meio de um arruamento, tal como impedindo os outros (que por ali transitam e circulam) (crime proibido por Lei) de ir e vir e ainda tem a “ousadia”, de se deslocar à Casa de Leis da Autarquia, para fazer, o que toda a gente acabaria por criticar e o que não devia.
Estou plena e totalmente de acordo com o citado “Discurso da Servidão Voluntária”, do Etienne de la Boétie, o qual, o sr. M. Jamal, nos teve a honra de presentear, infelizmente e só com um parágrafo.
Parabéns!Mais uma voz lúcida e corajosa em Ilhéus!
Muitto bom mesmo. Gostei demais. “Acorda meu povo”
O seu artigo ficou entalado aqui na goela mas desceu em seguida junto com a ficha da verdade. É assim mesmo! Só não vê se não quiser. E pior é que nem sabemos onde fica a porta de saída.
Parabéns…gostei !!!!!
” estamos nas ruas lutando por justiça e por nossos direitos constitucionais desacatados e descumpridos acintosamente pelo poder político”
Esse FMG Pires, só pode ser do bando do prefeito. Um grupo lutando pelo bem comum e ele defendendo o indefensável.
Acorda mané!
Sr. (a.) m.j, “este” aqui que está respondendo ao seu comentário, não é bandido e por isso mesmo não pertence ao “bando do Prefeito” (sic) e a nenhum outro “bando” e muito menos a esse “bando de desocupados e arruaceiros” que, para além de não trabalharem e de nem estudarem (será que alguma vez fizeram ambas as coisas?), ainda se permitem PARAR OS SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS (ajudando e apoiando a greve dos servidores municipais) e OUTROS da cidade de Ilhéus (em cabal favorecimento (sem o saberem e por falta de conhecimento, tal a ingenuidade!…) do Prefeito Jabes e seu “séquito” do des(governo municipal em toda a sua linha)), tal como irem para o Câmara de Vereadores da nossa Cidade e fazerem aquela “linda figura” que fizeram na semana passada. Gostaria muito de o (a) informar que, não concordo com a maneira como “esse grupo está lutando pelo bem comum” (suas palavras) (não é a lutar dessa maneira, que a ocasião o exige).
Quanto ao … defender o indefensável… (também suas palavras), gostaria de ter um “bate-boca” com o “grupo lutador” (?), só para os elucidar de uns certos pormenores e de como se deve lutar, os quais, penso que pela minha ótica, seriam muito mais interessantes e mais apropriados para vossas “lutas futuras”. Para terminar e quanto ao “Acorda Mané”, será de bom senso nem me pronunciar, visto que isso, poder-se-á aplicar com melhor e maior acuidade, ao grupo que, nada e ninguém reúne (para bom entendedor, meia palavra é o suficiente).
Saudações democráticas para quem ousa ser um Democrata (o que pelos vistos, não é o vosso caso).
P.S. Sabe o que é uma crítica? E crítica construtiva, também sabe?